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Dos Nossos Podcast · Brunno Hulk, Jubila

Brunno Hulk conta como foi de entregador de bike ao top 15 do UFC

No Dos Nossos Podcast, o peso-médio falou do erro na balança, da luta que Borrachinha desmarcou e dividiu a mesa com Jubila, que vai disputar cinturão no Jungle Fight.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 6 min de leitura

Entrevista completa no canal Dos Nossos Podcast, publicada em 16 fev 2026 (1:32:00).

O Brunno Hulk está hoje entre os 15 melhores pesos-médios do UFC, mas no ano em que ia despontar a pandemia fechou tudo e ele foi fazer entrega de bicicleta para pagar as contas. Ele contou isso no Dos Nossos Podcast, do Fabrício Werdum, numa conversa que também teve o Jubila, promessa da categoria até 57 quilos que vai disputar cinturão no Jungle Fight.

Assisti ao episódio e gostei do contraste: um cara que já chegou lá e outro que está no meio do caminho, os dois vindos do tatame. O Hulk tem base no judô, o Jubila no jiu-jitsu, e os dois contaram sem floreio o que custou chegar até aqui.

Bicicleta, segurança e treino

Segundo o Hulk, o ano em que ele ia aparecer para valer coincidiu com a pandemia. Com filha pequena em casa, ele passou a fazer entregas de bicicleta o dia inteiro e ainda trabalhou como segurança. Ele contou que pedia ao mestre André Dida para faltar nas quintas e sextas, os melhores dias de entrega, e o Dida liberava.

“Eu falava, vou estar treinando, vou estar treinando de bike lá.”

Brunno Hulk, no Dos Nossos Podcast · 1:25:53

A virada, segundo ele, começou em 2021 e se firmou em 2022, e só depois da quinta luta as coisas melhoraram de verdade. O Werdum disse que não conhecia essa parte da história e emendou um discurso sobre quem sai de casa reclamando do trabalho em vez de agradecer por ter um.

O 1,3 quilo que custou o ranking

O Hulk vinha de uma vitória sobre Marvin Vettori, mas falou mais do erro do que da vitória. Ele não bateu o peso: passou 1,3 quilo e, segundo ele, chegou a um ponto em que o corpo não suava mais de madrugada. A equipe decidiu parar ali para não pôr a saúde em risco.

O preço foi alto. O Werdum lembrou que a multa é de 20% da bolsa. E o Hulk contou que, como o Vettori era o 14º do ranking, ele teria entrado no top 15 na hora se tudo estivesse certo. Acabou entrando só depois, na atualização seguinte.

“A empresa vai te punir independente de quem você seja.”

Brunno Hulk, no Dos Nossos Podcast · 1:12:13

Depois disso, ele disse que mudou toda a equipe de treinamento e que hoje está com 87, 88 quilos, bem mais perto dos 84 da categoria. Para 2026, o plano é fazer três lutas no ano, como fez em 2025, quando ganhou as três. A próxima estava marcada para 7 de março, contra o Gregory Rodrigues, o Robocop, que ele já enfrentou na estreia no UFC, no Rio, em 2023. Ele contou que pegou aquela luta com dez dias de aviso.

A luta que Borrachinha desmarcou

No quadro Dos Nossos ou Cu de Cachorro, quando apareceu a foto do Paulo Borrachinha, o Hulk não economizou. Ele contou que a luta entre os dois estava fechada para 6 de dezembro e já tinha sido anunciada pelo UFC, e que o Borrachinha saiu na véspera de Natal sem dar satisfação.

Segundo o Hulk, depois disso começaram a chegar informações de que o adversário já tinha deixado outros lutadores na mão várias vezes. O Jubila também disse que não gosta da postura do Borrachinha, mesmo sem conhecê-lo pessoalmente. Hoje, lembrou o Hulk, o Borrachinha subiu de categoria e os dois não devem mais se cruzar.

Faixa-preta em três artes

A base do Hulk é o judô. Ele começou aos 4 anos, disputou a primeira competição em 1996 e passou pelas seleções de base dos 15 aos 20 anos, com título de vice-campeão pan-americano. Contou que ia participar de um ciclo olímpico, mas se machucou num treino bem na época da seletiva. Foi aí, por volta dos 16 anos, que começou no jiu-jitsu.

Hoje ele diz ter orgulho de ser faixa-preta de judô, de jiu-jitsu e de muay thai, esta última dada pelo mestre Dida. Na hora de escolher uma arte marcial para o filho, ele iria de judô pela filosofia: primeiro você aprende a cair. A filha dele começou aos 4 anos, a mesma idade dele.

O Werdum aproveitou para dizer que saber cair também serve fora do tatame, e lembrou que chegou a treinar com a seleção olímpica de judô da Espanha quando ainda era faixa-azul.

Jubila, do projeto social ao cinturão

O Jubila, que tem 25 anos e mora no Capão Redondo, começou no jiu-jitsu aos 9, num projeto social. Contou que ganhou títulos sul-americano, brasileiro e paulista de kimono, mas que por volta dos 15, 16 anos teve de trabalhar. Foi jovem aprendiz, estudou para concurso da PM e da PF e treinava como dava, às vezes cabulando a última aula da sexta para rolar.

Aos 18, um amigo chamado Eric chamou ele para uma luta amadora de MMA. Ele contou que nem sabia direito o que era aquilo e que venceu na base da queda. A ficha caiu quando enfrentou um adversário que treinava de verdade: encaixou um triângulo, o outro não bateu, e ele levou um chute na cara quando tentou a queda de novo.

“Mano, esse negócio não é brincadeira não, né?”

Jubila, no Dos Nossos Podcast · 0:27:14

Hoje ele treina com Lucas Mineiro, junto com o professor Gordelas, e tem três lutas no Jungle Fight. O próximo passo é a disputa do cinturão até 57 quilos contra Wagner Reis. No meio da gravação, o Werdum ligou para o Wallid Ismail, dono do evento, que confirmou que queria a luta em março e que o Jubila já recebe uma ajuda mensal do Jungle. O plano dele é chegar ao UFC com 27 ou 28 anos.

Foi também o Jubila quem fez o papel de faixa-preta no vídeo do canal em que dez faixas-brancas enfrentam um faixa-preta, gravado na academia do Fábio Gurgel. E deixou para o Manual do Arregão a desculpa mais clássica do jiu-jitsu: quando o juvenil de 16 anos pega o graduado no mata-leão, o graduado para tudo e diz que vai ensinar um detalhe.

Werdum, Reebok e Margarida

O Werdum contou duas histórias dele. A primeira foi a da troca de patrocínio no UFC, quando entrou a tabela da Reebok. Ele disse que virou porta-voz dos atletas, fez uma campanha em tom de brincadeira contra a nova tabela e ficou um ano fora dos comentários do evento. Teve de ir falar com o Dana White para voltar.

A segunda foi uma lembrança do Mundial de 2000, na Tijuca, quando ele era faixa-azul. Segundo o Werdum, o Margarida ganhou de todo mundo no absoluto, por placar largo e finalizando no estrangulamento, e levou para casa a moto que era o prêmio do campeão. No telão, a produção ainda achou uma luta do Margarida contra o Comprido.

O que fica da conversa é que nenhum dos dois caiu pronto no octógono. O Hulk está no tatame desde os 4 anos e aprendeu com um erro na balança; o Jubila ainda divide o treino com as aulas que dá. E o conselho que o Werdum deixou para os dois veio da própria carreira: se pudesse voltar no tempo, ele disse, lutaria muito mais do que lutou.

Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.