História
História do jiu-jitsu brasileiro: de Maeda ao no-gi, contada por quem viveu
Da chegada de Maeda ao Pará até o ADCC e o sem kimono de hoje, época por época, com a palavra de quem estava lá e as versões que não batem.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 20 min de leitura
Eu sou faixa-preta e passei anos ouvindo a história do jiu-jitsu contada do jeito de sempre: um japonês ensinou um Gracie, o Gracie ensinou o irmão, e o resto é UFC. Quando comecei a ler as entrevistas deste site uma atrás da outra, vi que a história real é bem mais cheia de gente, de brigas e de versões que não fecham. Tem pesquisador dizendo que o professor de Carlos Gracie foi outro, tem aluno do Hélio jurando que o criador foi ele, tem data de academia que muda seis anos conforme quem conta.
Aqui eu juntei tudo por época. Cada afirmação tem dono, e quando duas pessoas contam diferente eu mostro as duas. Para ver só as datas, tem a linha do tempo. Para entender quem formou quem, a linhagem.
Maeda, Jacyntho Ferro e o professor de Carlos
Tudo começa no Japão. Segundo o Oswaldo Simões, judoca olímpico, Jigoro Kano criou o judô e o Kodokan em 1882 juntando técnicas de dois estilos de jujutsu. O Pedro Valente, que pesquisa o assunto há anos, conta que Tsunejiro Tomita, o primeiro faixa-preta de Kano, levou Mitsuyo Maeda para o Ocidente em 1904. Pelas contas do Pedro, Maeda se separou de Tomita, passou a usar o nome jiu-jitsu, deu aula na Inglaterra e acabou abrindo no Brasil uma academia com esse nome.
Até aí quase todo mundo concorda. A briga começa na pergunta que mais aparece no Google: Maeda ensinou os Gracie?
Versão do Pedro Valente: Carlos Gracie contou dos anos 1920 até morrer que foi aluno de Maeda, e nem o rival Takeo Yano, que tomou o emprego dos Gracie na Marinha, contestou. Yano chamava Carlos de discípulo de Maeda. O Pedro também achou num jornal de Belém uma apresentação com Maeda presente em que Carlos e Donato Pires dos Reis aparecem como alunos de Jacyntho Ferro, o principal aluno de Maeda.
Versão do Robert Drysdale, que escreveu livro sobre isso: não há evidência de que Carlos teve aula com Maeda. O professor documentado de Carlos é Jacyntho Ferro, e isso está nos jornais da época. O único testemunho quase convincente de fora da família é o do Yano, de 1979, mas o Robert lembra que Yano só chegou ao Brasil em 1934, então não teria como ter visto o que aconteceu entre 1916 e 1921. Para ele, Maeda formou cinco alunos no Brasil e nenhum era Gracie. Ele explica tudo nesta entrevista.
E tem uma terceira, mais de história de família. O Oswaldo Simões contou o que ouviu do Robson Gracie: Gastão Gracie ficou no Amazonas depois que o navio dele para os Estados Unidos quebrou, montou um circo e contratou Maeda para ensinar Carlos. O Rickson resume do jeito dele: a eficiência chegou com Maeda, e a família misturou isso com a personalidade competitiva brasileira.
Mesmo o Drysdale, que tira Maeda do centro, diz que começa a história do jiu-jitsu brasileiro por Carlos Gracie, e que Jacyntho e Maeda vieram antes, mas não são mais importantes que ele. A discussão inteira está na página quem criou o jiu-jitsu brasileiro e na que compara jiu-jitsu e judô.
Carlos, Hélio e a primeira Academia Gracie
Segundo o Pedro Valente, Carlos deu aula em Belo Horizonte em 1928, abriu academia em São Paulo em 1929 e em 1930 abriu com Donato Pires dos Reis a academia da Rua Marquês de Abrantes, no Flamengo. Foi ali que o Hélio voltou a treinar e, em um ano, já fazia demonstração. O Robert Drysdale discorda da data: para ele a academia Gracie surgiu em dezembro de 1931, e o ano de 1925 que muita gente repete está errado. A história da casa está na página da Academia Gracie.
Tem um detalhe que eu não sabia. O Drysdale citou palavras do próprio Hélio: ele nunca tinha ouvido falar em jiu-jitsu antes da luta do irmão Carlos com Geo Omori, em 1929. E a Reila Gracie achou uma matéria de 1935 em que Carlos conta ter prescrito uma dieta para o Hélio, preparando o irmão numa fazenda para uma luta. É por isso que tanta gente da família insiste que um não existe sem o outro.
“O Hélio não foi o Hélio sem o Carlos.”
Jean Jacques Machado, no Pura Connection · 0:23:09 · ler o artigo
A dieta, aliás, vem de longe. Segundo o Rorion Gracie, Carlos criou a dieta Gracie a partir dos anos 1920, estudando sozinho a relação entre saúde e desempenho. O Pedro Valente acha que a inspiração veio de um livro do próprio Maeda, escrito por volta de 1908, com preceitos de alimentação parecidos.
Quando a academia se firmou no centro do Rio, na Avenida Rio Branco, virou uma máquina de defesa pessoal. O Álvaro Barreto conta que eram 700 alunos de aula individual, com um curso de 36 aulas de meia hora, sem aquecimento. O Royler lembra que a academia entregava kimono limpo, toalha, sabonete e sandália, e que os kimonos eram lavados em máquina industrial num sítio em Teresópolis. O Flávio Behring, que viveu os anos 1950 lá dentro, diz que cada aluno era corrigido conforme a necessidade dele.
Os desafios e o vale-tudo
O jiu-jitsu cresceu brigando. O Jorge Gracie, segundo o Drysdale, venceu Tico Soledade em 1933 na primeira luta de vale-tudo da história moderna. O Pedro Valente conta que, contra Fred Ebert, em 1932, o Hélio evitou o chão e usou tanta cotovelada que ficou com os cotovelos roxos, e que a luta ganhou uma página inteira do Globo. Contra Dudu, em 1935, o Hélio quebrou o nariz e venceu em pé depois de 18 minutos.
Entre os primeiros adversários estavam os capoeiristas. A Reila conta que houve um campeonato de jiu-jitsu contra capoeiristas em 1931. O Mestre Camisa, que conheceu o Hélio, vê isso como troca de mão dupla, e o assunto tem página própria: jiu-jitsu x capoeira.
“O primeiro vale-tudo foi com a capoeira. Muita gente aprendeu muita coisa com a capoeira.”
Mestre Camisa, no Pura Connection · 0:59:03 · ler o artigo
Aí vêm as duas lutas que todo mundo cita. A primeira é Hélio Gracie x Kimura, em 1951, no Maracanã, segundo o Pedro Valente, cujo pai assistiu da arquibancada ainda menino. O Rorion diz que o Hélio desafiou Kimura sabendo que não tinha condição de vencer, porque queria descobrir o que o campeão do mundo sabia que ele não sabia. O Francisco Mansur conta que Kimura prometeu considerar o Hélio campeão se ele aguentasse três minutos, que o Hélio aguentou muito mais, que Carlos jogou a toalha e que o Hélio disse a ele que não ia bater. O Drysdale repara num detalhe técnico: contra Kimura, o Hélio trocou em pé em vez de puxar para a guarda.
A segunda é Hélio Gracie x Waldemar Santana, e aqui as versões brigam em quase tudo. Waldemar tinha sido funcionário e sparring da academia. O Álvaro Barreto diz que ele foi expulso por fazer uma luta por fora, possivelmente contra o Biriba. O Crézio Chaves diz que ele saiu porque um apresentador de TV prometeu montar uma academia para ele. Sobre a luta, o Relson Gracie fala em 1951, Hélio com 41 anos, Waldemar com 24, e 3 horas e 45 minutos. O Álvaro fala em 3 horas e 40, com Waldemar de 21 ou 22 anos. No peso, o Relson dá cerca de 85 quilos para Waldemar contra uns 50 do Hélio, e o Pedro Valente corrige: Waldemar tinha uns 77 quilos, não chegava a 80. O Crézio, que estava no Maracanãzinho, conta que o Hélio cansou de bater montado e que Waldemar o derrubou com chutes na cabeça.
“O Hélio não viu aquilo como uma luta, viu como um acidente de percurso.”
Álvaro Barreto, no Pura Connection · 0:37:04 · ler o artigo
Depois disso, conta o Carlson Gracie Júnior, Carlos tocou no ombro do filho e mandou que ele desafiasse Waldemar. Foi a estreia de Carlson Gracie. Quantas vezes os dois lutaram depende de quem conta: o Relson diz três, com uma vitória e dois empates; o Júnior fala em seis ou sete, e que continuaram amigos. O Drysdale acha a luta de 1956 tecnicamente mais sofisticada que o UFC de 1993. Está tudo em Carlson Gracie x Waldemar Santana.
Nessa fase ainda passava vale-tudo na televisão. O Relson lembra que, entre 1954 e 1961, havia programa toda segunda-feira na TV Continental, com os lutadores caindo sobre uma lona, sem tatame. E o Drysdale lembra que Carlos e Hélio passaram cerca de 40 anos na obscuridade, da luta com Kimura até o Royce, acreditando que ia dar certo. Para ele, essa resistência foi a maior contribuição dos dois.
Carlson e a academia da Figueiredo Magalhães
A última grande luta de Carlson foi contra Ivan Gomes. O Relson conta que terminou empatada e que, em vez de revanche, Ivan veio para o Rio e abriu com Carlson uma academia na Rua Toneleros, a primeira de Carlson. O Júnior acha, sem certeza, que foi em 1966. A luta tem página: Carlson Gracie x Ivan Gomes.
A virada veio em Copacabana. Segundo o Vinicinho Cruz, Carlson abriu a academia da Figueiredo Magalhães em 1972 com a ideia de formar um exército de competidores, baixando a mensalidade e dando bolsa. O Drysdale chama isso de transformação radical: o centro do jiu-jitsu saiu da Rio Branco, de aula particular, e foi para uma academia de aula em grupo, público popular e treino competitivo. Ele tentou visitar o prédio da Figueiredo Magalhães, 414, porque acha que ali nasceu o jiu-jitsu que conquistou o mundo.
“O jiu-jitsu que nós praticamos é o jiu-jitsu do Carlson.”
Robert Drysdale, no Connect Cast · 0:44:24 · ler o artigo
Nem todo mundo vê assim. O Mansur, aluno do Hélio desde menino, fez à mão os diplomas dos faixas-pretas que o Hélio formou e tem posição firme sobre a autoria. Na outra ponta, o Drysdale diz que é falso que o Hélio inventou a guarda e que o papel central dele foi manter o grupo unido entre 1951 e 1993. A história da academia de Carlson está em Carlson Gracie Team e a lista dos alunos em alunos de Carlson Gracie.
“A verdade é que quem criou o jiu-jitsu brasileiro foi o Hélio Gracie, e eu sou testemunha disso.”
Francisco Mansur, no Pura Connection · 0:35:58 · ler o artigo
Rolls, os surfistas e os anos 70 e 80
No mesmo prédio da Figueiredo Magalhães dava aula Rolls Gracie. O Márcio Stambowsky conta que os dois dividiam uma academia de dois andares: segunda, quarta e sexta o Rolls ficava na sala grande de cima e o Carlson nas pequenas de baixo, e terça e quinta invertia. A rivalidade entre os alunos era enorme. O Drysdale acha que foi justamente essa rivalidade que fez o jiu-jitsu superar o judô kosen em técnica, e que o Rolls copiou o modelo competitivo do Carlson. O Júnior vai além e diz que o Rolls só chegou ao alto nível depois de treinar com o pai dele.
O Rolls era filho biológico de Carlos, criado pelo Hélio desde os quatro meses, segundo o Pedro Valente. Treinava judô, sambo e wrestling, filmava os treinos com uma das primeiras câmeras e assistia no dia seguinte com os alunos, contou o Álvaro Romano. Foi pelo Rolls que o jiu-jitsu encontrou o surfe: o Álvaro o conheceu no Peru em 1975, numa temporada em Punta Hermosa, e depois levou a turma do Arpoador para a academia. O Sérgio Malibu era dessa turma. O assunto rendeu página: como os surfistas chegaram ao jiu-jitsu.
“Ninguém foi melhor no jiu-jitsu do planeta do que o Rolls, depois do Hélio.”
Relson Gracie, no Pura Connection · 0:23:43 · ler o artigo
Nessa época as regras mudaram. O Pedro Valente conta que até os anos 1960 Carlos e Hélio rejeitavam pontos: luta só acabava por desistência ou perda dos sentidos. O Mansur diz que a federação começou em 1963 e que ele testou as regras na academia com o Hélio. O Pinduca dá outra data: federação criada pelo Hélio em 1967, com o primeiro campeonato oficial só em 1973. E o Drysdale mostra como a pontuação virou de cabeça para baixo: no torneio interno de 1954 ainda valiam ippon, waza-ari e imobilização; em 1975 montada e costas passaram a valer quatro pontos, mais que a queda, e a imobilização virou punição. Quem quiser o detalhe vai em quem criou as regras de pontos.
O Rickson aparece aqui. A luta dele com o Rei Zulu é a que mais divide testemunhas, e tem página própria: Rickson Gracie x Rei Zulu. O Marcelo Alonso e o Pedro Sauer falam em Rickson com 18 anos; o Carlos Gama, em 19. O Alonso e o Sergio Zveiter põem a primeira luta em Brasília; o Sauer lembra do Maracanãzinho, e o Mansur diz que apitou as duas lutas. No intervalo, o Rickson achou que ia desistir. Quem o fez voltar? O próprio Rickson diz que foi o pai, com um irmão jogando um balde de gelo na cabeça dele. O Zveiter diz que foi o Rolls, que sacudiu o irmão e o empurrou de volta.
O Rolls morreu em 1982, segundo o Leão Teixeira, num acidente de asa-delta, como contou o Sérgio Bolão. O Relson diz que a morte dele mudou muito o jiu-jitsu, com cada um abrindo a própria escola. A maioria dos alunos foi treinar com o Rickson, conta o Pedro Sauer, e Carlos Gracie Júnior, o Carlinhos, ficou com uma parte, entre eles os irmãos Machado.
A luta livre e o desafio que foi para a Globo
Nos anos 1980 o inimigo passou a ser a luta livre. O primeiro grande desafio no Maracanãzinho tem até a data em disputa: o Pinduca e o Marco Ruas falam em 1984; o Eduardo Gavião, aluno do Pinduca, fala em 1986. O placar mais repetido é o do Zveiter: Eugênio Tadeu venceu Renan Pitanguy, Pinduca empatou com Marco Ruas e Marcelo Behring venceu Flávio Molina. A luta do Pinduca está em Pinduca x Marco Ruas.
Por que nenhum Gracie lutou? Três versões. O Pinduca diz que o Hélio decidiu que ninguém da família lutaria, só os alunos. O Gavião diz que o Rickson recusou o Ruas por não conhecê-lo. O Relson diz que ele, o Rickson e outros queriam lutar e foram tirados, e que ele estava pronto para pegar o Ruas.
O desafio que mudou o jogo foi o de 1991. O Drysdale conta que o vale-tudo passou na Rede Globo naquele ano, dois anos antes do UFC. O Murilo Bustamante diz que não havia dinheiro nenhum envolvido e que por muito tempo tentaram fazer dentro de academia, até um empresário organizar e a TV entrar. Na entrevista do Marinho Filho, o apresentador lembrou que a Globo quis cortar a transmissão no meio porque ninguém entendia o que estava acontecendo. O Fábio Gurgel, rival da academia de Carlson a vida toda, foi treinado pelo Carlson durante seis meses para aquela noite. E o Bebeo Duarte conta a consequência que mais me interessa: depois daquele vale-tudo, a turma do Carlson nunca mais parou de treinar sem kimono. A rivalidade inteira está em jiu-jitsu x luta livre.
As equipes e a era da competição
Com o Rolls morto e o Carlinhos indo para a Barra da Tijuca, o Carlson juntou os alunos e montou um time de competição. O Sérgio Bolão diz que de 1982 a 1995 a academia não perdeu nenhum campeonato e ganhou o apelido de Barcelona do jiu-jitsu. O Fábio Gurgel conta de outro jeito: a família chegou a ter três academias fazendo seletiva, a Gracie central, a do Rolls e a do Carlson, e 1985 foi o último campeonato vencido pela academia Gracie. Depois disso, cerca de 15 anos de hegemonia do Carlson. O Vinicinho Cruz lembra que as outras equipes se organizaram só para vencê-la.
Na Barra, a equipe nasceu com o nome Barra Gracie. O Jean Jacques Machado conta que começou numa casinha e depois foi para o Espaço Vital, onde chegou a ter 100 alunos numa sala para 10. O Hélio Soneca explica o nome: já existia a Gracie Humaitá. Ele também resume o que a geração dele sentia em relação à do Hélio. A história completa está em Gracie Barra e em Gracie Humaitá.
“A geração do seu Hélio veio com facão e abriu a rua. A minha geração botou asfalto para essa galera agora se dar bem.”
Hélio Soneca, no Pura Connection · 0:08:32 · ler o artigo
Para enfrentar o Carlson nasceu a Alliance. Até aqui as datas não batem: o Muzio De Angelis diz que foi no fim de 1993, da união da Strike com a Master de Fábio Gurgel e Jacaré e com o Léo Castelo Branco; o Léo Castelo Branco diz que foi no fim de 1994, com sete fundadores, e que ele foi o primeiro presidente. A Nova União surgiu em 1995, segundo o Rafael Carino, da junção das equipes de Dedé Pederneiras e Wendell Alexander. E em 2000, segundo o Bebeo Duarte, o Carlson expulsou toda aquela geração e ela montou a Brazilian Top Team.
A CBJJ e o primeiro Mundial
Faltava organização. Segundo o Márcio Feitosa, o Carlinhos fundou a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu em 1993, dentro de casa: os atletas se pesavam lá na véspera e as chaves de papel ficavam na parede. O Drysdale situa a organização da confederação em 1994, e o Draculino, que se diz membro fundador, fala em 1993 ou 1994. O Marcelo Alonso conta que o Carlinhos reuniu a família, que estava brigada, e avisou que os estrangeiros iam ficar com o jiu-jitsu.
“O Carlson e o Rolls criam a receita do bolo. Mas quem cria o forno pro bolo crescer? Carlos Gracie Júnior.”
Robert Drysdale, no Pura Connection · 1:28:09 · ler o artigo
O primeiro Mundial foi em 1996, no Rio. O Léo Castelo Branco perdeu a final para o Libório por uma queda, com o Renzo Gracie de árbitro. O Leão Teixeira conta que o Carlson estava contra a organização e havia ameaça de boicote, e que ele pediu carta branca ao Carlinhos para convidar o Carlson para a diretoria. O Pé de Pano lembra que, naquele Mundial, o Carlinhos previu campeonatos em todos os continentes no mesmo dia. Nem todo mundo embarcou: a Nova União pediu prêmio em dinheiro para os faixas-pretas, levou um não e ficou anos fora. O passo a passo está em como a CBJJ e o Mundial foram criados.
O UFC, o Japão e o ADCC
Enquanto o Rio brigava por federação, o Rorion estava nos Estados Unidos desde 1978. Ele montou fitas com os desafios vindos do Brasil e vendeu em revista de artes marciais. Em 1993 fez o UFC. Segundo ele, o dinheiro saiu de uma reunião com alunos na academia, não havia matchmaker e os confrontos eram sorteados num chapéu. O João Alberto Barreto foi o árbitro.
A escolha do lutador tem duas explicações que se completam. O Rorion diz que botou o Royce e não o Rickson porque uma vitória do Rickson não surpreenderia ninguém, e um lutador magro mostraria a eficiência do jiu-jitsu. O Royce conta que foi escolhido porque o Hélio confiava nele: se o pai mandasse não bater, ele não batia. A noite em Denver está em UFC 1: Royce Gracie, e a pergunta em por que Royce e não Rickson.
“O Rickson é um tanque de guerra. Se o Rickson vai lá e ganha, ninguém vai discutir.”
Rorion Gracie, no Connect Cast · 0:28:17 · ler o artigo
O Japão veio logo depois. O Marcelo Alonso conta que o Rickson venceu duas edições do Vale Tudo Japan, a segunda em 1995, e virou rei por lá; que em 1996 foi a primeira grande delegação brasileira, com Carlson, João Alberto, Carlão Barreto e Hugo Duarte; e que o Yuki Nakai, depois de perder para o Rickson, veio ao Brasil aprender. Aí apareceu o Sakuraba. O Royler conta que lutou com ele pesando 65 quilos, com contrato de dois rounds de 15 minutos em que o japonês só venceria por nocaute ou finalização, e que o juiz parou a luta numa kimura nos segundos finais. Ele diz que não bateu. Veja Royler Gracie x Sakuraba e como o jiu-jitsu chegou ao Japão.
O ADCC tem origem numa história que o Alonso conta com gosto: em 1994, um árabe que tinha visto o UFC chegou ao Rio para treinar com o Nelsinho Monteiro, faixa-preta do Carlinhos, sem dizer quem era. No último dia contou que era príncipe e levou o Nelsinho para ensinar em Abu Dhabi. Mais em como nasceu o ADCC. Os lutadores que foram para o vale-tudo e o MMA estão em jiu-jitsu no UFC e no Pride.
A expansão pelo mundo
O caminho para fora foi duro. O Relson chegou a São Francisco em 1985 e ficou três anos sem conseguir ensinar, porque ninguém conhecia a técnica. Depois, no Havaí, tinha 80 alunos na universidade quando o Royce lutou o primeiro UFC e chegou a 700 inscritos depois da quinta luta do irmão. O Pedro Sauer largou a Bolsa do Rio em 1990, sem falar inglês, e morou seis meses com o Hélio na garagem do Rickson. O Júnior foi para Chicago no fim de 1996 e chegou a 200 alunos em quatro meses.
O Alonso fez em 1996 uma matéria sobre o jiu-jitsu na Califórnia, que tinha umas oito academias. Anos depois, contou mais letreiros da Gracie Barra do que de McDonald's na rodovia 405, em Los Angeles. O Feitosa foi montar o quartel-general da Gracie Barra nos Estados Unidos no começo de 2005, num galpão de uns mil pés quadrados. E o Mundial também atravessou: o Celsinho Venícius chama o de 2007 de primeiro Mundial nos Estados Unidos, enquanto o Magid Hage lembra de virar placar no primeiro Mundial na Califórnia em 2006. O resto dessa história está em como o jiu-jitsu chegou aos Estados Unidos.
O no-gi de hoje
A história fecha, por enquanto, sem kimono. O Jonathas Gracie tem uma teoria que muita gente no Brasil repete baixinho: o no-gi foi o jeito que os americanos acharam para igualar e depois passar o nível dos brasileiros, que dominavam os mundiais.
“Eles experimentaram o no-gi para igualar o nível. E passou, o americano passou.”
Jonathas Gracie, no Pura Connection · 1:07:23 · ler o artigo
O Viktor Doria, empresário de atleta, acompanha isso de perto. Ele conta que o Gordon Ryan perdeu a final do absoluto do ADCC de 2017 para o Felipe Preguiça, venceu peso e absoluto em 2019 e, em 2022, pediu para lutar também a categoria acima de 99 quilos além da superluta e venceu as duas, algo inédito. O Craig Jones ficou conhecido em 2017, em Helsinque, finalizando Leandro Lo na estreia. Do lado brasileiro, o Diogo Reis foi campeão até 66 quilos em 2022, na leva de atletas do Melqui Galvão, pai do Mica.
O heel hook, que o Pinduca lembra ser vaiado nos anos 1970, voltou ao centro. O Ítalo Vilardo conta que o título absoluto do Rodrigo Comprido com chave de pé, por volta de 1999, fez a técnica voltar a ser usada, até a confederação proibi-la nas faixas mais baixas. Hoje tem equipe brasileira nascida para o sem kimono: segundo o Lipe Machado, a Pirâmide decidiu treinar só sem kimono depois da seletiva do ADCC de 2022, apesar de ouvir que no Brasil jiu-jitsu é de kimono. O Marco Aurellio, da mesma equipe, diz que o Brasil travou justamente por ter largado o ataque ao pé. As discussões seguem em por que os americanos dominam o no-gi e o heel hook deve ser liberado?
O que eu tirei de tudo isso
Lendo as entrevistas em sequência, o que mais me marcou foi ver que quase nenhum marco tem uma versão só. A academia é de 1930 ou de 1931. A Alliance é de 1993 ou de 1994. O desafio do Maracanãzinho é de 1984 ou de 1986. O professor de Carlos foi Maeda ou Jacyntho Ferro. Quem salvou o Rickson contra o Zulu foi o Hélio ou o Rolls. E cada pessoa conta com a certeza de quem estava perto.
O que ninguém discute é a linha que liga tudo: gente que acreditou numa luta desconhecida por décadas, uma academia que virou fábrica de competidor, uma confederação montada dentro de casa e um evento nos Estados Unidos que mostrou para o mundo o que o Rio já sabia. Quem quiser os nomes, a família Gracie e os faixas-vermelhas e corais estão em listas próprias. O resto está nas entrevistas, com o minuto de cada fala logo abaixo.
O que foi contado
Segundo Pedro Valente, Tsunejiro Tomita, primeiro aluno e primeiro faixa-preta da Kodokan, levou Mitsuyo Maeda para o Ocidente em 1904 e, em Nova York, declarou que o jiu-jitsu era primitivo e incivilizado.
Com Mitsuyo MaedaContado por Pedro Valente no Connect Cast · 0:43:33 · ler o artigoSegundo Pedro Valente, Carlos Gracie contou dos anos 1920 até morrer que foi aluno de Maeda, e nem o rival Yano, que tomou o emprego dos Gracie na Marinha, contestou; Yano chamava Carlos de discípulo de Maeda.
Com Mitsuyo Maeda, Takeo YanoContado por Pedro Valente no Connect Cast · 2:28:00 · ler o artigoSegundo Robert Drysdale, não há evidência de que Carlos Gracie teve aulas com Maeda. O único testemunho quase convincente fora da família é o de Takeo Yano, de 1979, mas Yano só chegou ao Brasil em 1934.
Com Mitsuyo Maeda, Takeo YanoContado por Robert Drysdale no Connect Cast · 3:00:59 · ler o artigoRobert Drysdale contou que Takeo Yano afirmou em 1979 que Carlos Gracie foi aluno de Maeda, sobre fatos de 1916 a 1921, mas que Yano só chegou ao Brasil em 1934, e por isso não seria testemunha.
Com Carlos Gracie, Mitsuyo MaedaContado por Robert Drysdale no Pura Connection · 0:18:08 · ler o artigoRobert Drysdale afirmou que o professor de Carlos Gracie foi Jacyntho Ferro, aluno de Maeda, e que isso está registrado nos jornais da época.
Com Carlos Gracie, Mitsuyo MaedaContado por Robert Drysdale no Connect Cast · 3:01:31 · ler o artigoOswaldo Simões contou a versão que ouviu de Robson Gracie: Gastão Gracie ficou no Amazonas depois que seu navio para os Estados Unidos quebrou, montou um circo e contratou Mitsuyo Maeda para ensinar Carlos Gracie.
Com Mitsuyo Maeda, Carlos Gracie, Robson GracieContado por Oswaldo Simões no Pura Connection · 0:32:33 · ler o artigoSegundo Pedro Valente, Carlos Gracie deu aula em Belo Horizonte em 1928, abriu academia em São Paulo em 1929 e em 1930 abriu com Donato Pires dos Reis a academia da Rua Marquês de Abrantes, no Rio.
Contado por Pedro Valente no Connect Cast · 0:22:29 · ler o artigoSegundo Robert Drysdale, a academia Gracie surgiu em dezembro de 1931; ele considera errada a data de 1925.
Contado por Robert Drysdale no Pura Connection · 1:13:09 · ler o artigoRobert Drysdale citou palavras do próprio Hélio Gracie: ele nunca tinha ouvido falar em jiu-jitsu antes da luta do irmão Carlos com Geo Omori, em 1929.
Com Carlos Gracie, Geo OmoriContado por Robert Drysdale no Connect Cast · 2:59:58 · ler o artigoSegundo Robert Drysdale, Jorge Gracie venceu Tico Soledade em 1933, na primeira luta de vale-tudo da história moderna.
Contado por Robert Drysdale no Pura Connection · 0:44:35 · ler o artigoSegundo Pedro Valente, na luta de 1932 contra Fred Ebert, Hélio Gracie evitou o chão e usou cotoveladas até ficar com os cotovelos roxos; a luta ganhou uma página inteira do Globo.
Com Fred EbertContado por Pedro Valente no Connect Cast · 0:26:38 · ler o artigoSegundo Rorion Gracie, Hélio desafiou Kimura sabendo que não tinha condições de vencer, porque queria saber, depois de mais de 20 anos praticando, o que o campeão do mundo faria que ele não soubesse.
Com Masahiko KimuraContado por Rorion Gracie no Pura Connection · 0:12:14 · ler o artigoSegundo Francisco Mansur, Kimura prometeu considerar Hélio campeão se ele aguentasse três minutos; Hélio aguentou bem mais, Carlos jogou a toalha, e Hélio disse a Mansur que não ia bater.
Com Masahiko Kimura, Carlos GracieContado por Francisco Mansur no Pura Connection · 0:38:34 · ler o artigoSegundo Relson Gracie, Hélio lutou com Waldemar Santana em 1951, aos 41 anos, contra um Waldemar de 24, numa luta de 3 horas e 45 minutos. Relson diz que Waldemar morou com a família Gracie desde pequeno.
Com Waldemar SantanaContado por Relson Gracie no Connect Cast · 1:31:56 · ler o artigoSegundo Álvaro Barreto, depois da expulsão, o repórter Carlos Renato, do jornal Última Hora, se juntou a Waldemar Santana e passou a fazer desafios. Hélio, com 40 e poucos anos e uns 64 a 66 quilos, aceitou, e a luta contra Waldemar, de 21 ou 22 anos, durou 3 horas e 40 minutos sem limite de tempo.
Com Waldemar SantanaContado por Álvaro Barreto no Pura Connection · 0:36:34 · ler o artigoSegundo Pedro Valente, Waldemar Santana não era um gigante: tinha cerca de 77 kg, não chegava a 80, e era bem mais novo e mais condicionado que Hélio.
Com Hélio GracieContado por Pedro Valente no Connect Cast · 1:03:26 · ler o artigoSegundo Carlson Gracie Júnior, quando Hélio Gracie perdeu para Waldemar Santana, Carlos Gracie tocou no ombro de Carlson e mandou que ele desafiasse Waldemar. Carlson fez o desafio na mesma hora.
Com Carlos Gracie, Hélio Gracie, Waldemar SantanaContado por Carlson Gracie Júnior no Connect Cast · 0:16:45 · ler o artigoRobert Drysdale disse que a luta de Carlson Gracie com Waldemar Santana, em 1956, era tecnicamente mais sofisticada que o UFC de 1993.
Com Waldemar SantanaContado por Robert Drysdale no Pura Connection · 1:26:05 · ler o artigoRelson Gracie contou que, em vez da revanche, Ivan Gomes veio para o Rio e abriu com Carlson Gracie uma academia na Rua Toneleros, a primeira de Carlson.
Com Ivan GomesContado por Relson Gracie no Pura Connection · 0:25:10 · ler o artigoSegundo Vinicinho Cruz, Carlson Gracie abriu a academia da Figueiredo Magalhães em 1972 com a intenção de formar um exército de competidores, reduzindo a mensalidade e dando bolsas.
Contado por Vinícius Cruz no Pura Connection · 0:17:57 · ler o artigoSegundo Robert Drysdale, o jiu-jitsu sofreu uma transformação radical quando o centro saiu da Rio Branco para a academia de Carlson na Figueiredo de Magalhães, com aula em grupo, público popular e treino competitivo; Rolls copiou o modelo do Carlson.
Com Rolls GracieContado por Robert Drysdale no Pura Connection · 0:49:45 · ler o artigoRobert Drysdale descreveu a evolução das regras: em 1954 o campeonato interno da Academia Gracie ainda tinha ippon, waza-ari e ponto por imobilização; em 1975 passaram a valer quatro pontos para montada e costas e três para joelho na barriga, e a imobilização virou negativa.
Contado por Robert Drysdale no Pura Connection · 0:11:22 · ler o artigoSegundo Sergio Zveiter, na primeira luta entre Rickson Gracie e Rei Zulu, em Brasília, Waldemar Santana levou Zulu ao vestiário antes da luta. No intervalo, Rickson disse ao pai que estava morto, e Rolls o sacudiu, disse que quem estava mal era o adversário e o empurrou de volta. Rickson venceu.
Com Rei Zulu, Waldemar Santana, Rolls Gracie, Hélio GracieContado por Sergio Zveiter no Pura Connection · 0:17:13 · ler o artigoRickson Gracie contou que, na luta contra Zulu, uma das mais difíceis da vida dele, pensou em desistir. O pai, Hélio, disse que o adversário estava mais cansado, um irmão jogou um balde de gelo na cabeça dele e ele voltou para a luta.
Com Rei Zulu, Hélio GracieContado por Rickson Gracie no Pura Connection · 0:20:20 · ler o artigoSegundo Leão Teixeira, ele foi conhecer Rolls Gracie na academia de Copacabana entre 1977 e 1978 e treinou com ele de quatro a cinco anos, até a morte de Rolls em 1982.
Com Rolls GracieContado por Leão Teixeira no Pura Connection · 0:03:26 · ler o artigoSegundo Sergio Zveiter, no desafio entre jiu-jitsu e Luta Livre no Maracanãzinho, Eugênio Tadeu venceu Renan Pitanguy, Pinduca empatou com Marco Ruas e Marcelo Behring venceu Flávio Molina.
Com Renan Pitanguy, Pinduca, Marco Ruas, Marcelo Behring, Flávio MolinaContado por Sergio Zveiter no Pura Connection · 0:12:48 · ler o artigoSegundo Pinduka, quando a luta livre desafiou o jiu-jitsu e faltava representante, ele se ofereceu; Hélio Gracie decidiu que ninguém da família lutaria, só os alunos, e aprovou o nome dele.
Com Hélio Gracie, Carlson Gracie, Robson GracieContado por Pinduca no Pura Connection · 0:26:34 · ler o artigoEduardo Gavião contou que, no vale-tudo de 1986, Rickson recusou lutar com Marco Ruas por não conhecê-lo, e Pinduca aceitou com 18 dias de preparação e uma bolsa que hoje seria um salário mínimo.
Com Rickson Gracie, PinducaContado por Eduardo Gavião no Pura Connection · 0:06:43 · ler o artigoBebeo Duarte contou que já era faixa-marrom na época do desafio entre luta livre e jiu-jitsu de 1991 e que, depois daquele vale-tudo, a turma do Carlson nunca mais parou de treinar sem quimono.
Contado por Bebeo Duarte no Pura Connection · 0:48:41 · ler o artigoFábio Gurgel contou que a família Gracie chegou a ter três academias fazendo seletivas: a Gracie central, a de Rolls e a de Carlson, estas duas no mesmo prédio. Segundo ele, 1985 foi o último campeonato vencido pela academia Gracie, e depois Carlson teve hegemonia por cerca de 15 anos.
Com Rolls GracieContado por Fábio Gurgel no Connect Cast · 0:22:30 · ler o artigoSegundo Muzio De Angelis, a Alliance nasceu no fim de 1993 da união da Strike com a Master de Fábio Gurgel e Jacaré e com Leonardo Castelo Branco, para enfrentar a equipe de Carlson Gracie.
Com Fábio Gurgel, Romero Cavalcanti, Leonardo Castelo Branco, Alexandre PaivaContado por Muzio De Angelis no Pura Connection · 0:05:57 · ler o artigoSegundo Léo Castelo Branco, a Alliance começou no fim de 1994 com sete fundadores, entre eles ele, Jacaré e Fábio Gurgel, e ele foi o primeiro presidente da equipe.
Com Romero Cavalcanti, Fábio GurgelContado por Leonardo Castelo Branco no Connect Cast · 1:16:52 · ler o artigoSegundo Bebeo Duarte, em 2000 Carlson Gracie expulsou todos os alunos daquela geração, e eles montaram a Brazilian Top Team porque o mestre não deu outra opção.
Com Bebeo Duarte, Murilo Bustamante, Zé Mário SperryContado por Bebeo Duarte no Pura Connection · 1:02:07 · ler o artigoSegundo Márcio Feitosa, Carlinhos Gracie fundou a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu em 1993, dentro de casa; os atletas se pesavam lá na véspera e as chaves de papel ficavam na parede. Feitosa era faixa-roxa na época.
Com FeitosaContado por Feitosa no Pura Connection · 0:17:52 · ler o artigoSegundo Léo Castelo Branco, ele e Libório fizeram a final do primeiro Mundial, que ele situa em 1996. Libório venceu com uma queda e Renzo Gracie foi o árbitro.
Com Leonardo Castelo Branco, Renzo GracieContado por Leonardo Castelo Branco no Connect Cast · 1:13:34 · ler o artigoSegundo Rorion Gracie, ele escolheu Royce, e não Rickson, para o primeiro UFC porque uma vitória de Rickson não surpreenderia ninguém, enquanto um lutador magro e pequeno mostraria a eficiência do jiu-jitsu.
Com Rorion Gracie, Rickson GracieContado por Rorion Gracie no Connect Cast · 0:28:17 · ler o artigoSegundo Rorion Gracie, o dinheiro do primeiro UFC foi levantado numa reunião com alunos na academia. Não havia matchmaker: os lutadores respondiam a anúncios em revistas e os confrontos saíam de nomes sorteados num chapéu.
Contado por Rorion Gracie no Connect Cast · 1:01:48 · ler o artigoSegundo Marcelo Alonso, um árabe que tinha visto o UFC em 1993 chegou ao Rio em 1994 para treinar com Nelsinho Monteiro, faixa-preta de Carlinhos Gracie, sem revelar quem era. No último dia contou ser príncipe e levou Nelsinho para ensinar em Abu Dhabi, origem do ADCC.
Com Rickson Gracie, Carlos Gracie JúniorContado por Marcelo Alonso no Pura Connection · 0:57:12 · ler o artigoJonathas Gracie disse que o no-gi foi o jeito que os americanos encontraram para igualar e depois passar o nível dos brasileiros, que até então dominavam os mundiais.
Contado por Jonathas Gracie no Pura Connection · 1:07:23 · ler o artigoSegundo Viktor Doria, no ADCC de 2022 Gordon Ryan, já classificado para a superluta, pediu para lutar também a categoria acima de 99 kg e venceu as duas, algo inédito no evento.
Contado por Viktor Doria no Pura Connection · 0:47:09 · ler o artigo
Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.