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Lista

Alunos de Carlson Gracie: quem ele formou, segundo as entrevistas

Da faixa-vermelha do Rosado à geração que fundou a Brazilian Top Team, os nomes que passaram pela academia de Copacabana contados por eles mesmos.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 8 min de leitura

Quando eu comecei a separar as entrevistas por assunto, a academia do Carlson Gracie apareceu em quase todas. Tem quem chegou lá garoto, quem chegou já faixa-preta e teve de recomeçar, quem dava aula em troca de treino. O Sérgio Bolão conta que, depois da morte do Rolls e da ida do Carlinhos para a Barra, o Carlson juntou os alunos num time de competição que ficou de 1982 a 1995 sem perder campeonato. O Rodrigo Comprido lembra outro lado: uns 80% dos alunos não pagavam.

Carlson Gracie com seu filho Carlson Gracie Júnior
Carlson Gracie com o filho Carlson Júnior. Carlson formou uma legião de faixas-pretas e campeões em sua famosa academia de Copacabana. (Wikimedia Commons)

A lista abaixo junta os alunos que aparecem nas conversas, na ordem mais ou menos em que chegaram. Cada frase tem dono. A história da equipe está em Carlson Gracie Team e a do racha em Brazilian Top Team.

Carlos Rosado

O Rosado começou com o Carlson aos 15 anos, numa academia onde o Robson também dava aula, e se diz hoje o aluno vivo mais antigo do mestre. Segundo ele, era o escolhido para enfrentar os visitantes nos conferes, enquanto Pinduca e De La Riva eram os competidores. E faz questão de dizer que recebeu do Carlson a única faixa-vermelha que o mestre amarrou na cintura de alguém.

“Lá no Carlson era como a natação americana: você era o melhor numa fase, mas pegava uma gripe e o segundo já passava a ser o melhor.”

Rosado, no Pura Connection · 0:08:09 · ler o artigo

Sérgio Iris, o Serginho

O Pinduca lembra que, quando entrou na academia, o Sérgio Iris era o grande campeão da casa. Segundo ele, o Serginho foi o principal aluno do Carlson na época e lutou ao lado de Rolls, Rickson e Rorion no primeiro confronto contra o caratê, no Olímpico Clube.

Pinduca

O Pinduca entrou aos 14 anos, ainda em Copacabana, indicado pelo primeiro professor, Hélio Vígio. Em 1970, conta ele, o Carlson o inscreveu de faixa verde num campeonato experimental no Gurilândia; ganhou quatro lutas e passou a azul juvenil. Foi assistente do mestre de 1976 a 1984, e na turma de garotos dele estavam Amaury Bitetti e Murilo Bustamante, de faixa amarela. Foi ele quem lutou com o Marco Ruas em 1984.

“O Carlson foi um segundo pai para mim. Foi um cara que me deu milhões de oportunidades.”

Pinduca, no Pura Connection · 0:25:01 · ler o artigo

Peixotinho

O Peixotinho quase não aparece falando, mas aparece muito citado. O Bebeo Duarte diz que a geração anterior, com Peixotinho e Pinduca, subiu o nível para a turma dele, e chama o Peixotinho de ídolo. O Libório usa a mesma palavra: ídolo de uma geração inteira.

Ricardo De La Riva

O De La Riva chegou porque a academia do primeiro professor, Marcos Soares, não era filiada. Depois de dois treinos, conta ele, o Carlson o mandou lutar o Estadual de faixa azul, aos 16 anos, e ele venceu. Sem dinheiro para a mensalidade, recebeu a proposta de ajudar nas aulas em troca do treino, e aos 18 já dava aula para as crianças. Pegou a preta do Carlson em 1986. A guarda que leva o nome dele tem página própria: como surgiu a guarda De La Riva.

“Se hoje eu estou aqui com você, é por causa dessa ajuda, desse entendimento do Carlson.”

Ricardo De La Riva, no Pura Connection · 0:30:22 · ler o artigo

Sérgio Bolão

O Bolão entrou em 1981, morando longe da família, e trata o Carlson como mestre e pai. Começou rolando com os alunos das aulas particulares e acabou assumindo turma no segundo tatame. Segundo ele, o Carlson segurava muito tempo cada um na mesma faixa, e a academia virou o time a ser batido.

“O roxo do Carlson era a preta de atualmente.”

Sérgio Bolão, no Connect Cast · 0:58:08 · ler o artigo

Cássio Cardoso

O Crézio de Souza diz que o Cássio Cardoso foi o mentor dele na academia e que venceu Marcelo Behring numa luta de meia hora, depois de cada um ter ganhado uma das duas anteriores. Para o Bebeo, o Cássio seria o sucessor do Carlson, mas acabou se afastando.

Murilo Bustamante

O Murilo aparece faixa amarela na turma do Pinduca. O De La Riva conta que um dia o Carlson parou a aula para todo mundo assistir a um treino dos dois, e que o Murilo pegou a preta logo depois dele. Antes do racha, segundo o Bebeo, os alunos montaram o Carlson Gracie Clube e elegeram o Murilo presidente.

Amaury Bitetti

O Amaury também estava na turma de garotos do Pinduca. Para o Crézio, ele era o número um do vale-tudo na academia. O Sergio Zveiter conta que o Amaury chegou a ser preparado para enfrentar o Rickson num evento no Rio, luta que acabou não acontecendo.

Ricardo Libório

O De La Riva conta que o Libório foi aluno dele na academia do Carlson. O Bolão diz que ele estava entre os que mais finalizavam, pegando no braço e raspando como ninguém. O próprio Libório chama o Carlson de mentor e grande maestro, e diz que ali não tinha como não apanhar: ou desistia, ou voltava no dia seguinte.

Zé Mário Sperry

O Zé Mário põe o Carlson na lista dos mestres dele, ao lado de Luiz Alves no muay thai e Claudinho Coelho no boxe. Segundo ele, o Carlson estava à frente do tempo: conhecia o vale-tudo e fazia os alunos treinarem com tapas desde crianças, o que deu vantagem à equipe quando o MMA apareceu.

Wallid Ismail

O Carlson Gracie Júnior conta que o Wallid chegou ao Rio sem nada, com cabelo até a cintura, e foi acolhido e treinado pelo Carlson. O Vinicinho Cruz diz que ele não era um primor de técnica, mas acreditava tanto no mestre que virou um dos maiores competidores da academia. Segundo o Crézio, o vale-tudo na academia começou com o desafio que o Wallid fez à luta livre na televisão, ao lado do Carlson.

André Pederneiras, o Dedé

O Dedé competiu pela Academia Gracie até a roxa e terminou a formação com o Carlson, de quem recebeu a preta. Ele diz que teve a sorte de passar pelas duas escolas de competição mais fortes da época, e descreve a do Carlson como um lugar onde ninguém aliviava ninguém e cada treino parecia campeonato.

Marcelo Alonso

O Marcelo Alonso aparece como professor na casa. O Bolão conta que o segundo tatame, o da branca à roxa, ficava com ele, com o Dedé ou com o Marcelo Alonso, e o Rodrigo Comprido lembra das aulas do Juninho, do Alonso e do Bolão. O Júnior contou que ia receber a faixa coral no dia seguinte à gravação, junto com o Wallid e o Marcelo Alonso.

Crézio de Souza

O Crézio chegou de Petrópolis com a faixa-preta do pai na cintura e, pelo relato dele, levou uns três triângulos de um faixa-roxa magrinho, que depois soube ser o De La Riva. O Bolão lembra que o Carlson o fez recomeçar de faixa azul. Depois de três ou quatro anos de marrom, os mais antigos, com o Amaury à frente, insistiram para ele amarrar a preta na hora, e o Carlson deu o nó. Quando a turma saiu, ele avisou que ficava com o mestre.

“Era um cara que tinha um coração muito bom.”

Crézio de Souza, no Connect Cast · 0:45:52 · ler o artigo

Ronaldo Jacaré

Esse surpreende. O Fábio Gurgel, rival da academia a vida toda, conta que o Jacaré começou a treinar garoto na academia do Carlson, foi para os Estados Unidos, conheceu o Rolls e voltou para treinar com ele.

Rodrigo Comprido

O primeiro professor do Rodrigo foi o Maneco, afilhado do Carlson, e foi o Maneco quem levou os alunos para a academia. O Rodrigo recebeu a preta do Carlson em 1996 e morou com ele em Los Angeles. Foi ele também, segundo conta, quem levou o Vitor Belfort para a academia.

“Morei com o cara 2 anos e 4 meses, uma cama do lado da outra.”

Rodrigo Comprido, no Pura Connection · 0:18:54 · ler o artigo

Vitor Belfort

O Rodrigo diz que o Carlson viu na hora o talento do menino. O Júnior conta que a ida do pai para os Estados Unidos foi incentivada pelo Vitor, que tinha 15 anos, e o Crézio lembra que foi o Vitor, ainda faixa azul, quem acompanhou o mestre na viagem que ele mesmo teve medo de fazer.

Paulão Filho

O Paulão chegou no fim dos anos 1980, levado pelo pai depois de apanhar de um amigo na rua. Ele conta que, ao saber que ele não gostava de treinar com um colega, o Carlson trancou a porta com cadeado e botou os dois para lutar no meio da sala. Para o Robert Drysdale, o Paulão é a melhor representação do jiu-jitsu do Carlson.

Carlão Barreto

O Carlão foi aluno do Bolão da branca à preta, mas recebeu a faixa azul do Carlson e aprendeu muito com ele. Antes de estrear no Japão, passou cerca de um mês dormindo na casa do mestre nos Estados Unidos. Ele considera o Carlson o maior treinador que já existiu. A história da substituição do Vitor está na entrevista dele.

Bebeo Duarte

O Bebeo vinha do judô. Num dia sem treino por falta de luz, foi de moto até a academia do Carlson, conversou com ele e ficou. Ele estava na geração que saiu em 2000 e montou a Brazilian Top Team, e conta a saída do jeito dele.

“O Carlson não nos deu outra opção.”

Bebeo Duarte, no Pura Connection · 1:28:33 · ler o artigo

Miltinho Vieira

O Miltinho olhou a foto da equipe do Carlson na revista Tatame e disse que um dia estaria naquele time. Chegou levado por um vizinho insistente, e o primeiro treino foi sem kimono, preparando o evento Heroes. Depois dele, conta, o Carlson passou a dizer a todo mundo que ele seria um fenômeno.

Raphael Abi-Rihan

O Raphael começou em 1988, aos 8 anos, na Carlson Gracie, com o professor Kiko Veloso. Foi treinado por pouco tempo pelo próprio Carlson e, no racha, era faixa-marrom e ficou na equipe do mestre.

Élcio Figueiredo e a linha até o Buchecha

Nem todo aluno está na foto da época. O Buchecha contou que o professor dele em Santos era faixa-preta do Élcio Figueiredo, que por sua vez é faixa-preta do Carlson. Na mesma linha, o Toco começou no Leblon com o Maneco e depois com o Isaías, outro atleta do Carlson, e se diz da segunda geração do mestre.

O que as entrevistas mostram

Lendo tudo junto, o que mais aparece é a graduação lenta, o treino duro e a mão aberta com quem não podia pagar. O Toco resume a fama: muita gente achava o Carlson bruto, mas os alunos que ele formou dizem que tinha coração de mãe. Para ver onde cada um se encaixa na árvore, veja a linhagem.

O que foi contado

Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.