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Luta histórica

Pinduka x Marco Ruas: como foi o vale-tudo de 1984

O aluno do Carlson que se ofereceu para enfrentar a luta livre e o empate que marcou os dois lados.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 4 min de leitura

Quando
1984 (o Eduardo Gavião fala em 1986)
Onde
Maracanãzinho, Rio de Janeiro
Quem lutou
Pinduca, Marco Ruas
Resultado
Empate, segundo Marco Ruas, Sergio Zveiter, Fábio Gurgel e Eduardo Gavião

Em 1984 ninguém ganhava dinheiro com vale-tudo no Rio. Mesmo assim, o Fernando Pinduka, faixa-preta e assistente do Carlson Gracie, subiu no ringue sem luva contra o Marco Ruas, que vinha da luta livre e do boxe tailandês. A luta terminou empatada e virou uma das mais lembradas da rivalidade entre jiu-jitsu e luta livre.

O Pinduka contou a história em duas entrevistas, e o Ruas deu a versão dele em outra. Juntei com o que disseram alunos e gente que estava no ginásio.

Como o Pinduka entrou na luta

Segundo o Pinduka, ele estava subindo a escada da academia para treinar quando ouviu o Robson Gracie cobrando o Carlson: tantos anos dando aula e ninguém para representar a academia num desafio? Ele se meteu na conversa e se ofereceu. O Léo Castelo Branco, aluno dele, conta a mesma cena: ninguém queria enfrentar o Marco, o Pinduka viu o Carlson discutindo com o Robson e topou.

Marco Ruas
Marco Ruas, expoente da luta livre e do combate em pé no histórico duelo com Fernando Pinduka no Maracanãzinho. (Wikimedia Commons)

“Não tem um cara para representar a academia? Ah, eu tô aí.”

Pinduca, no Connect Cast · 0:18:41 · ler o artigo

A escalação passou pelo Hélio Gracie. Segundo o Pinduka, o Hélio avisou que ninguém da família entraria, só os alunos, e aprovou o nome dele na hora. O Relson Gracie lembra de outro jeito: ele, o Rickson e outros Gracie queriam lutar e foram tirados, e o Relson queria justamente o Ruas. O Pedro Sauer também diz que o Relson estava escalado e acha que o Hélio o tirou na última hora.

O Pinduka diz que lutou por gratidão. Na época ele vivia da própria academia de ginástica e musculação, aberta em 1979, e sentia que devia ao Carlson o que tinha aprendido.

Dez dias, dezoito ou um mês de preparação

Aqui as versões variam. O Pinduka fala em 10 dias. O Eduardo Gavião, aluno dele, lembra de 18 dias e de uma bolsa que hoje seria um salário mínimo. O Léo Castelo Branco diz que foi cerca de um mês, com o Pinduka perdendo bastante peso.

O treino também tem história. Segundo o Pinduka, o Carlson confiava tanto nos alunos que achava desnecessário mudar a preparação. Quem resolveu foi o Robson, que levou o grupo para a academia do Hélio. Lá eles treinaram com o Rickson e os alunos da casa, com o Hélio supervisionando.

Como foi a luta

A luta foi no Maracanãzinho, segundo o Sergio Zveiter e o Fábio Gurgel, que estava na plateia com 14 anos. Na mesma noite, o Marcelo Behring venceu o Flávio Molina e o Eugênio Tadeu venceu o Renan Pitanguy. O Márcio Stambowsky viu tudo e lembra do Marcelo Behring no canto do Pinduka.

Pelo relato do Pinduka, o adversário era preparado: tinha luta em pé, luta no chão e batia bem. Ele levou para o chão e controlou nos três rounds, mas não finalizou. O problema, segundo ele, foi o relógio: faixa-preta estava acostumado a lutar 10 minutos, e ali eram rounds de 5, valendo golpe.

“Eu consegui controlar, botei no chão, os três rounds controlei, mas o tempo para mim foi meio curto.”

Pinduca, no Pura Connection · 0:37:34 · ler o artigo

O Gavião conta com mais cor. Segundo ele, o Pinduka apanhou em pé e aguentou. Quando passou a guarda, o árbitro Hélio Vígio, o primeiro professor do Pinduka, quis parar no fim do round, e o Pinduka se recusou a sair da posição.

“Não, não vou sair agora que eu passei a guarda.”

Eduardo Gavião, no Pura Connection · 0:08:19 · ler o artigo

Antes do início ainda teve encarada. O Pedro Valente lembra que o Carlson virou o rosto do Pinduka para acabar com aquilo. E o Álvaro Romano cita a intensidade dessa luta para explicar por que considerava o Pinduka um dos atletas mais bem condicionados da época.

O resultado e o que veio depois

Todo mundo que falou do resultado fala em empate: o Ruas, o Zveiter, o Fábio e o Gavião. Na avaliação do Relson, o Pinduka decepcionou por não ter montado no Ruas. O Pinduka, por sua vez, saiu satisfeito: para ele, o objetivo do jiu-jitsu contra outras artes era um só, não perder.

Para o Ruas, o empate teve um preço. Ele esperava revanche ou novas lutas, e nada veio.

“Empatei lá com o Pinduca. Fiquei na geladeira dez anos, praticamente.”

Marco Ruas, no Connect Cast · 1:21:10 · ler o artigo

A fita correu. O Pedro Rizzo contou que foi vendo a gravação dessa luta que decidiu procurar o Marco. Para o Fábio Gurgel, o evento do Maracanãzinho foi o embrião do desafio de 1991. E a rivalidade entre Ruas e os Gracie seguiu por anos, como conto em Rickson x Marco Ruas.

O que foi contado

Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.