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Pergunta

Como nasceu o ADCC? A origem do torneio de Abu Dhabi

Um xeque dos Emirados, um professor carioca e uma fita de VHS: a origem do Abu Dhabi contada por quem estava lá.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 3 min de leitura

Resposta curta

O ADCC nasceu em Abu Dhabi, pelas mãos do xeque Tahnoon, que aprendeu jiu-jitsu e levou o professor carioca Nelson Monteiro para os Emirados. Segundo Zé Mário Sperry, foi ali que o xeque decidiu criar uma competição e chamou o próprio Zé Mário, conhecido pelas fitas de instrução. Rodrigo Comprido contou que lutou a primeira edição, em 1998.

Todo mundo que treina sem kimono já ouviu falar do ADCC, o Abu Dhabi. Pouca gente sabe como ele começou. Nas entrevistas que eu li, a origem aparece em duas versões que se completam, e as duas passam por um carioca: Nelson Monteiro, o Nelsinho, faixa-preta de Carlinhos Gracie.

A versão do Marcelo Alonso: o príncipe que treinou no Rio

Marcelo Alonso, que fotografou as primeiras edições do ADCC para a revista Tatame, contou a história que um livro da editora dele ia registrar. Segundo ele, um árabe viu o UFC de 1993 e, em 1994, chegou ao Rio para treinar com o Nelsinho, sem dizer quem era. Comprou um pacote que, de acordo com o Alonso, o Rickson tinha sugerido ao professor: treino de manhã, praia à tarde, açaí e treino à noite. No último dia, contou que era príncipe e fez uma oferta para levar o Nelsinho para Abu Dhabi.

“E assim começa. Ele vai para lá ensinar jiu-jitsu, e depois eles criam juntos lá o ADCC, que é a Olimpíada da luta agarrada.”

Marcelo Alonso, no Pura Connection · 0:59:19 · ler o artigo

A versão do Zé Mário: a fita de VHS

Zé Mário Sperry conta a mesma história por outro ângulo. Segundo ele, o xeque Tahnoon estudou em San Diego, na Califórnia, onde treinou jiu-jitsu, e depois levou o Nelson Monteiro para os Emirados. Na mesma época, em 1996 ou 1997, o Zé Mário tinha gravado nos Estados Unidos uma fita de instrução que bateu recorde de vendas.

Pódio do ADCC Submission Fighting World Championship
O ADCC, idealizado pelo xeque Tahnoon Bin Zayed Al Nahyan, virou a maior competição de submission grappling do mundo. (Wikimedia Commons)

“Voltou, levou o Nelson Monteiro, o professor dele, para os Emirados Árabes e falou: vamos fazer uma competição aqui.”

Zé Mário Sperry, no Pura Connection · 0:44:06 · ler o artigo

Pelo relato do Zé Mário, o xeque quis chamar justamente o cara das fitas. Ele contou que estudou as regras novas por três meses, porque eram diferentes de tudo, e ganhou a categoria e o absoluto. Depois vieram as superlutas: segundo ele, venceu um campeão do Pancrase por 16 a 0 e depois o Roberto Traven.

Os primeiros campeões

Rodrigo Comprido contou que lutou o primeiro Abu Dhabi, em 1998. Antoine Jaoude disse que fez o camp para a primeira edição treinando wrestling com a elite da Alliance, numa parceria que surgiu enquanto o Traven se preparava para a superluta contra o Zé Mário.

O caso mais curioso é o do Royler Gracie. Ele contou que disputou quatro edições, ganhou três e ficou em terceiro em uma. Na primeira, foi chamado em cima da hora.

“No primeiro Abu Dhabi, eu fui chamado duas semanas antes. Eu não sabia nem qual era a regra e fui campeão.”

Royler Gracie, no Pura Connection · 0:55:43 · ler o artigo

Segundo o Royler, a cada edição ele tirava o kimono um pouco mais cedo: três semanas antes na segunda, um mês na terceira. Na quarta, tirou dois meses antes e foi quando perdeu.

Do Oriente Médio para Las Vegas

Viktor Doria, empresário de atletas, contou que a estrutura passou por Anaheim em 2019, Las Vegas em 2022 e a T-Mobile Arena em 2024, enquanto a premiação, de cerca de 10 mil dólares para o campeão de categoria, não mudou desde 1998. Renato Santos, que cuidou da parte comercial da edição de Las Vegas, disse que a organização melhorou quando Mo Jassim assumiu o evento em 2017, e que Abu Dhabi ainda paga passagens e prêmios.

O jiu-jitsu também ficou nos Emirados. Vinicinho Cruz, que mora lá há oito anos, contou que o projeto do país hoje está nas escolas públicas e nas bases militares. E o Ralph Gracie disse que só em Abu Dhabi são mais de 800 brasileiros vivendo de dar aula. Para entender o resto dessa história, vale ler por que os americanos dominam o no-gi.

O que foi contado

Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.