Equipe
Gracie Barra: a história da equipe contada por quem a fundou
Da casinha na Barra da Tijuca aos letreiros na Califórnia, nas palavras de quem esteve no tatame desde o começo.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 6 min de leitura
- Onde
- Barra da Tijuca, Rio de Janeiro
- Fundadores
- Carlos Gracie Júnior
Nas entrevistas que eu li, a Gracie Barra aparece de dois jeitos. Tem a academia de bairro, com turma de faixa azul, garotada de 15 anos e mestre morando na esquina. E tem a equipe com escola no mundo inteiro, curso de instrutor e quartel-general nos Estados Unidos. O fio que liga as duas coisas é Carlos Gracie Júnior, o Carlinhos. Juntei aqui o que cada um contou, com o nome de quem contou.
Antes da Barra: a herança de Rolls
A história começa em Copacabana, com a morte de Rolls Gracie. Segundo Jean Jacques Machado, quase todo mundo saiu da academia depois disso, e Carlinhos ficou com meia dúzia de alunos, entre eles os irmãos Machado. Sérgio Inácio lembra que começou a treinar com Carlinhos na Figueiredo de Magalhães, onde ele tinha herdado os alunos de Rolls. Sérgio Malibu conta que Carlinhos já era ajudante de Rolls na academia.
Não foi fácil. Carlson Gracie Júnior disse que Carlinhos sofreu muita pressão por ser mais jovem quando assumiu. E Crézio de Souza dá outra peça: quando chegou à academia de Carlson Gracie, Carlinhos ainda era sócio de Carlson, e pouco depois saiu para montar a Gracie Barra.
“O Carlinhos ficou lá com meia dúzia de alunos, eu e meus irmãos.”
Jean Jacques Machado, no Pura Connection · 0:32:51 · ler o artigo
Origem: a casinha, o Espaço Vital e o nome Barra Gracie
Jean Jacques contou que a Barra da Tijuca da época só tinha o Jardim Oceânico, e que a academia chegou lá com outro nome: Barra Gracie. Começou numa casinha e depois foi para o Espaço Vital, onde ele chegou a ter 100 alunos numa aula, numa sala feita para dez pessoas. Sérgio Inácio lembra do mesmo caminho: primeiro a Olegário, depois o Espaço Vital. Toti Jordan, o Pitoco, dava aula no Espaço Vital e disse que Carlinhos assumiu o lugar dele ali.
“Originalmente era Barra Gracie.”
Jean Jacques Machado, no Pura Connection · 0:35:30 · ler o artigo
Tem também a versão da rua. Márcio Feitosa morava no número 295 da Comandante Júlio de Moura, em frente à primeira escola da Gracie Barra, no 300. Carlinhos foi morar pouco depois no 276, na mesma esquina. Antes, segundo Feitosa, o mestre tinha morado num sítio em Vargem Grande e foi para a Barra atrás de um bairro mais tranquilo. Celsinho Venícius vê cálculo nisso: Carlinhos foi para a Barra quando o bairro ainda era pequeno, prevendo o crescimento.
O mascote também tem dono. Jean Jacques contou que sugeriu a Carlinhos usar um boneco inspirado no Diabo da Tasmânia, que um aluno tinha trazido dos Estados Unidos, e que as camisas venderam cerca de mil unidades em dois dias.
Quem fez a equipe: as gerações
Hélio Soneca conta que a Gracie Barra começou com uma turma de faixas azuis: ele no peso galo, Ralph Gracie no pluma, Roberto Gordo no pena e Ricardo Libório ganhando peso e absoluto. Depois veio a segunda geração, com Draculino e Soca, e a terceira, com Nino Schembri e Feitosa.
Jean Jacques completa com a divisão em dois endereços. Com o incentivo de Carlinhos, ele abriu um segundo espaço, e a turma de 15 e 16 anos (Soneca, Gordo, Draculino, Soca, Ryan Gracie) passou a ganhar todos os campeonatos. Era a mesma academia em dois lugares. Gordo confirma que Jean Jacques foi seu professor principal da faixa azul até a marrom, na academia de Carlinhos.
A academia a ser batida, segundo Soneca, era a de Carlson Gracie. E quando Carlson passou a se dedicar ao MMA, Aldo Caveirinha diz que Carlinhos viu a brecha e focou a Gracie Barra só no jiu-jitsu e nos campeonatos da confederação.
“Eu falo para todo mundo que o Carlson Gracie sozinho fez mais campeões que toda a família Gracie junta.”
Hélio Soneca, no Pura Connection · 0:04:21 · ler o artigo
O jeito de treinar
Roger Gracie contou que ia andando uns 20 minutos até a academia de Carlinhos, e que a preparação física no começo era subir a Pedra da Gávea toda terça e quinta de manhã com o mestre. Para ele, a disputa começava no próprio tatame.
“Tinha 50 campeões mundiais dentro do tatame. A competição começava dentro da academia.”
Roger Gracie, no Connect Cast · 0:31:13 · ler o artigo
Dentro de casa, ninguém aliviava. Luiz Cabelinho lembra de uma final no Tijuca Tênis Clube entre Pé de Pano e Roger, os dois da Gracie Barra, em que o mestre mandou os dois lutarem de verdade, e Pé de Pano venceu. Roberto Gordo conta que, num Mundial, pesando 87 quilos, treinava todo dia com Pé de Pano, que pesava 100.
Tem um contraponto curioso. Soneca disse que Carlinhos não gostava que os alunos lutassem campeonato, e que ele e Gordo juntavam as inscrições de todo mundo e iam de ônibus, sem dinheiro para a passagem.
Feitosa lembra de outro lado do mestre. Sem dinheiro para pagar, avisou que ia parar, e ouviu que a falta de dinheiro não seria problema se ele quisesse treinar. Dali em diante foi assistente de instrução.
A confederação na sala de casa
Não dá para separar a Gracie Barra da CBJJ. Feitosa contou que Carlinhos fundou a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu em 1993, dentro de casa, e que os atletas se pesavam lá na véspera, com as chaves de papel coladas na parede. Draculino diz que a sala de estar da casa de dois quartos serviu de escritório da federação por cerca de dez anos. Celsinho Venícius lembra da mesma coisa: a confederação era na casa do Carlinhos.
Quem olha de fora dá o peso disso. Robert Drysdale usa a imagem do bolo: Carlson e Rolls criaram a receita, e Carlinhos criou o forno. Fábio Gurgel destacou que Carlinhos tirou a pesagem da casa dele e fez uma plataforma mundial, e que depois passou a gestão da IBJJF a outras pessoas por conflito de interesse, por ser dono da Gracie Barra. A história da criação está em como a CBJJ e o Mundial foram criados.
“O Carlson e o Rolls criam a receita do bolo. Mas quem cria o forno pro bolo crescer? Carlos Gracie Júnior.”
Robert Drysdale, no Pura Connection · 1:28:09 · ler o artigo
Rachas e rivalidades
Quando Jean Jacques decidiu ir para os Estados Unidos, tinha quase 200 alunos e, segundo ele, mandou todos se matricularem com Carlinhos. Caveirinha conta a mesma cena. Soneca lembra de outro jeito: ele, Gordo, Draculino e Ryan foram com Jean Jacques, enquanto Renzo e Ralph ficaram com Carlinhos. E ele reclama de como isso foi contado depois.
“Eles tentaram apagar os Machados e tentaram apagar a gente da história da Gracie Barra.”
Hélio Soneca, no Pura Connection · 0:54:11 · ler o artigo
Fora de casa, a briga era com a Zona Sul. Bezinho Otero diz que, nos anos 1990, atletas da Gracie Barra e de academias como Carlson Gracie, Alliance e Nova Geração nem se falavam nos campeonatos. Chico Salgado compara a rivalidade com a Alliance a torcida organizada, e diz que isso acabou.
A expansão e onde está hoje
Celsinho Venícius participou, ainda faixa-marrom, de uma reunião em que Carlinhos explicou que ia ter Gracie Barra no mundo inteiro. Ele conta que todo mundo achou a ideia maluca. Marcelo Alonso fez uma matéria em 1996 sobre o jiu-jitsu na Califórnia, que tinha umas oito academias, e anos depois contou os letreiros na rodovia 405.
“Eu contei mais letreiro de Gracie Barra do que de McDonald's.”
Marcelo Alonso, no Pura Connection · 0:47:43 · ler o artigo
O caminho teve tropeço. Feitosa foi para os Estados Unidos no começo de 2005 com André Fernandes, a pedido de Carlinhos, para montar o quartel-general fora do Brasil, num galpão pequeno. A primeira escola quebrou em dez meses e reabriu uns seis meses depois. Em 2014, segundo ele, uma troca mal feita na liderança levou a escola de mais de 600 para 40 e poucos alunos, e ele voltou a morar dentro da academia até recuperá-la.
Hoje, pelo que Feitosa contou, a equipe tem curso de instrutores com primeiros socorros e exige certidão de antecedentes criminais todo ano. Draculino disse que é diretor regional de 33 escolas da Gracie Barra no Texas. Para ver como tudo isso se encaixa no resto da história, vale passar pela linhagem e pela história do jiu-jitsu. As entrevistas completas estão em Jean Jacques Machado, Hélio Soneca e Márcio Feitosa.
O que foi contado
Segundo Jean Jacques Machado, quando Rolls Gracie morreu quase todos saíram da academia de Copacabana, e Carlinhos Gracie assumiu com meia dúzia de alunos, entre eles os irmãos Machado.
Com Rolls Gracie, Jean Jacques MachadoContado por Jean Jacques Machado no Pura Connection · 0:32:51 · ler o artigoJean Jacques Machado contou que a academia foi para a Barra da Tijuca com o nome de Barra Gracie, começou numa casinha e depois foi para o Espaço Vital, onde ele chegou a ter 100 alunos numa aula em sala para 10 pessoas.
Com Jean Jacques MachadoContado por Jean Jacques Machado no Pura Connection · 0:33:23 · ler o artigoSegundo Jean Jacques Machado, ele abriu um segundo espaço com o incentivo de Carlinhos Gracie, e a geração de Soca, Gordo, Draculino e Ryan Gracie, com 15 e 16 anos, passou a ganhar todos os campeonatos.
Com Carlos Gracie Júnior, Soca, Roberto Gordo Correa, Ryan GracieContado por Jean Jacques Machado no Pura Connection · 0:34:25 · ler o artigoJean Jacques Machado contou que sugeriu a Carlinhos Gracie usar um mascote inspirado num boneco do Diabo da Tasmânia, e que as camisas venderam cerca de mil unidades em dois dias.
Com Carlos Gracie JúniorContado por Jean Jacques Machado no Pura Connection · 0:35:30 · ler o artigoSegundo Jean Jacques Machado, quando decidiu ir para os Estados Unidos tinha quase 200 alunos e mandou todos se matricularem na academia de Carlinhos Gracie.
Com Carlos Gracie JúniorContado por Jean Jacques Machado no Pura Connection · 0:36:33 · ler o artigoSérgio Ignácio contou que treinou uns oito meses com Carlinhos Gracie na Figueiredo de Magalhães e depois o acompanhou para a Barra, primeiro na Olegário e depois no Espaço Vital, no começo da Gracie Barra.
Com Sérgio InácioContado por Sérgio Inácio no Pura Connection · 0:18:56 · ler o artigoSegundo Crézio de Souza, quando ele chegou à academia de Carlson Gracie, Carlinhos Gracie ainda era sócio de Carlson; pouco depois saiu para montar a Gracie Barra.
Com Carlson GracieContado por Crézio de Souza no Connect Cast · 0:04:46 · ler o artigoSegundo Carlson Gracie Júnior, depois da morte de Rolls Gracie, Carlos Gracie Júnior assumiu e sofreu muita pressão por ser mais jovem.
Com Rolls GracieContado por Carlson Gracie Júnior no Connect Cast · 0:29:15 · ler o artigoSegundo Márcio Feitosa, ele morava no número 295 da rua Comandante Júlio de Moura, na Barra da Tijuca, em frente à primeira escola da Gracie Barra, no 300; Carlinhos Gracie foi morar pouco depois no 276, na mesma esquina.
Com Carlos Gracie JúniorContado por Feitosa no Pura Connection · 0:06:40 · ler o artigoSegundo Márcio Feitosa, Carlinhos Gracie fundou a Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu em 1993, dentro de casa; os atletas se pesavam lá na véspera e as chaves de papel ficavam na parede. Feitosa era faixa-roxa na época.
Com FeitosaContado por Feitosa no Pura Connection · 0:17:52 · ler o artigoMárcio Feitosa contou que foi para os Estados Unidos no começo de 2005 com André Fernandes, a pedido de Carlinhos Gracie, para montar o quartel-general da Gracie Barra fora do Brasil, num galpão de cerca de mil pés quadrados.
Com André Fernandes, Carlos Gracie JúniorContado por Feitosa no Pura Connection · 1:09:09 · ler o artigoSegundo Márcio Feitosa, a primeira escola da Gracie Barra nos Estados Unidos quebrou depois de dez meses por falta de experiência de gestão e reabriu uns seis meses depois, com a chegada de Marcos Joca e Flávio Almeida.
Com Flávio AlmeidaContado por Feitosa no Pura Connection · 1:10:42 · ler o artigoMárcio Feitosa contou que, em 2014, uma transição mal feita na liderança do quartel-general da Gracie Barra nos Estados Unidos levou a escola de mais de 600 para 40 e poucos alunos, e ele voltou para morar dentro da academia até recuperá-la.
Contado por Feitosa no Pura Connection · 1:30:11 · ler o artigoSegundo Hélio Soneca, a Gracie Barra começou com uma turma de faixas azuis: ele no peso galo, Ralph no pluma, Gordo no pena e Libório ganhando peso e absoluto.
Com Ralph Gracie, Roberto Gordo Correa, Ricardo LibórioContado por Hélio Soneca no Pura Connection · 0:04:52 · ler o artigoSegundo Hélio Soneca, a segunda geração da Gracie Barra teve Draculino e Soca, e a terceira teve Nino Schembri e Feitosa.
Com Soca, Nino Schembri, FeitosaContado por Hélio Soneca no Pura Connection · 0:05:27 · ler o artigoHélio Soneca contou que Carlinhos Gracie não gostava que os alunos lutassem campeonato e que ele e Gordo juntavam as inscrições de todo mundo, indo de ônibus sem dinheiro para a passagem.
Com Roberto Gordo Correa, Carlos Gracie JúniorContado por Hélio Soneca no Pura Connection · 0:53:08 · ler o artigoSegundo Hélio Soneca, quando Jean Jacques Machado saiu da Gracie Barra, ele, Gordo, Draculino e Ryan foram com Jean Jacques, enquanto Renzo e Ralph ficaram com Carlinhos.
Com Jean Jacques Machado, Renzo Gracie, Ralph Gracie, Carlos Gracie Júnior, Draculino, Ryan GracieContado por Hélio Soneca no Pura Connection · 0:53:39 · ler o artigoRoger Gracie contou que a preparação física no começo era subir a Pedra da Gávea toda terça e quinta de manhã com Carlinhos Gracie e o primo Igor. O primo Rolles, segundo ele, sempre achava uma desculpa para não subir.
Com Carlos Gracie Júnior, Igor Gracie, Rolles Gracie Jr.Contado por Roger Gracie no Connect Cast · 0:10:26 · ler o artigoSegundo Roger Gracie, na Gracie Barra da época dele havia uns 50 campeões no tatame, e a competição começava dentro da academia.
Contado por Roger Gracie no Connect Cast · 0:31:13 · ler o artigoSegundo Draculino, Carlinhos Gracie morava numa casa de dois quartos com a esposa e os dois filhos, e por cerca de dez anos a sala de estar serviu de escritório da federação, com inscrições e pesagem feitas ali.
Com DraculinoContado por Draculino no Pura Connection · 0:20:05 · ler o artigoSegundo Celsinho Venicius, com 18 ou 19 anos, ainda faixa-marrom, ele participou de uma reunião em que Carlinhos Gracie explicou a expansão da Gracie Barra pelo mundo, e os presentes acharam a ideia maluca.
Com Carlos Gracie JúniorContado por Celsinho Venícius no Pura Connection · 0:12:47 · ler o artigoMarcelo Alonso contou que em 1996 fez uma matéria de capa sobre o jiu-jitsu na Califórnia, que tinha cerca de oito academias, e que anos depois contou mais letreiros da Gracie Barra que de McDonald's na rodovia 405, em Los Angeles.
Contado por Marcelo Alonso no Pura Connection · 0:47:11 · ler o artigoFábio Gurgel destacou que Carlos Gracie Júnior tirou a pesagem que era feita em sua casa e a transformou numa plataforma mundial, e que depois passou a gestão da IBJJF a outras pessoas por conflito de interesse, por ser dono da Gracie Barra.
Contado por Fábio Gurgel no Connect Cast · 2:36:25 · ler o artigoBezinho Otero contou que, nos anos 1990, havia forte rivalidade entre a Gracie Barra e as academias da Zona Sul, como Carlson Gracie, Alliance e Nova Geração, a ponto de atletas de equipes diferentes não se falarem nos campeonatos.
Contado por Bezinho Otero no Pura Connection · 0:10:38 · ler o artigoPara Aldo Caveirinha, quando a academia de Carlson Gracie passou a se dedicar ao MMA, Carlinhos Gracie viu a brecha e focou a Gracie Barra só no jiu-jitsu e nos campeonatos da Confederação.
Com Carlson GracieContado por Aldo Caveirinha no Pura Connection · 0:20:13 · ler o artigo
Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.