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Lista

Lutadores de jiu-jitsu no UFC e no Pride: o que eles contaram

Do Royce no primeiro UFC ao Paulão na final do GP do Pride, a passagem de cada faixa-preta pelos grandes eventos contada por quem estava lá.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 10 min de leitura

Nas entrevistas que eu li, o UFC e o Pride aparecem como o lugar onde o jiu-jitsu foi testado na frente do mundo. O Murilo Bustamante explica por que tanta gente foi: na época dele o jiu-jitsu não pagava prêmio em dinheiro, e quem queria viver de luta ia para o vale-tudo, primeiro no UFC e depois no Pride. O Pedro Sauer resume a sequência do lado da família: os desafios duraram até o Royce entrar no UFC e depois o Rickson no Pride.

Vitor Belfort
Vitor Belfort, o "Fenômeno", faixa-preta de Carlson Gracie que chocou o mundo do MMA com a velocidade e potência de seus nocautes. (Wikimedia Commons)

A lista abaixo junta os lutadores de jiu-jitsu cuja passagem pelos dois eventos foi contada nas conversas, por eles mesmos ou por quem estava no córner. Para o começo de tudo, veja o UFC 1 e a pergunta o jiu-jitsu ainda funciona no MMA.

Royce Gracie

O Royce tinha 26 anos no primeiro UFC e, pelo que contou, nunca tinha lutado vale-tudo, só os desafios da academia. O Rorion lembra que ele ganhou três lutas na mesma noite sem dar um soco. No UFC 3, depois da luta com Kimo, que ele diz ter sido só coração, tudo escureceu ao entrar de novo no octógono. Para o Relson, a melhor luta da carreira dele foi contra Dan Severn, no UFC 4, quase 17 minutos por baixo antes de finalizar. No Pride, contra Sakuraba, o Royce conta que após o sexto round de 15 minutos não conseguia andar e o Rorion jogou a toalha. Por que ele e não o Rickson está em outra página.

“Meu pai sabia que se ele falasse não bate, eu não ia bater.”

Royce Gracie, no Connect Cast · 0:03:41 · ler o artigo

Rickson Gracie

O Rickson lutou no Japão. O Marco Ruas conta que treinou o Takada para a luta no Pride e mandou ele ficar em pé; segundo o Ruas, o Rickson sentou para a guarda, o Takada tentou uma chave de pé errada e o Rickson montou e finalizou. O Mestre Serrano lembra que o Rickson fazia questão de não desonrar os adversários quando vencia no Pride, e o Carlos Gama diz que a última luta foi contra Funaki, uns 15 ou 20 quilos mais pesado.

Royler Gracie

O Royler conta que foi o Rickson quem o chamou para lutar com o Sakuraba no Japão, com quase 25 quilos de diferença. Pelo relato dele, o contrato previa dois rounds de 15 minutos e o juiz parou a luta numa kimura no fim do segundo. A luta tem página própria: Royler Gracie x Sakuraba.

“Na minha opinião, eu não batia.”

Royler Gracie, no Connect Cast · 0:44:26 · ler o artigo

Ryan Gracie

O filho, Rayron Gracie, lembra da primeira luta do Ryan no Pride, vencida muito rápido. E o Jonathas Gracie contou que descobriu a família ao ver uma luta do Ryan num DVD do Pride do pai.

Murilo Bustamante

O Murilo defendeu o cinturão do UFC contra Matt Lindland e conta que finalizou o adversário, mas o árbitro mandou recomeçar; ele vinha de uma infecção no dedo e com o contrato no fim, e seguiu lutando. O Carlos Gama conta a mesma luta: o Murilo finalizou de novo. No Pride, segundo ele, uma das lutas mais difíceis foi aceita numa quarta para lutar no domingo, sem treino específico.

“Eu ganhei a luta e aí o cara fala para você: não, você não ganhou, volta para o seu corner que vai recomeçar a luta.”

Murilo Bustamante, no Pura Connection · 0:19:08 · ler o artigo

Zé Mário Sperry

O Bebeo Duarte, que estava no córner, conta que o plano do Zé Mário contra o Ninja no Pride era levar para o chão, mas ele resolveu trocar em pé, levou um soco e ficou vendo tudo dobrado. O próprio Zé Mário diz que essa derrota é a luta favorita dele. Ele se aposentou aos 41 anos, quando viu que não voltaria a ser campeão do Pride, e hoje acha que errou.

“Foi um erro grotesco de estratégia. Eu fiz exatamente o que eu não havia planejado fazer.”

Zé Mário Sperry, no Pura Connection · 0:41:28 · ler o artigo

Paulão Filho

Na final de um GP do Pride, o Paulão foi pedir ajuda ao Rickson, apesar da rixa entre Carlson e Hélio. Ele conta que o Rickson mandou montar e saía rápido, pegava as costas e saía também, e depois ensinou três ou quatro ajustes simples que o fizeram parar de perder posição. Para o Jorge Pereira, o Paulão foi o maior representante do jiu-jitsu no MMA na sua época.

“Toda vez que eu me movia era para piorar.”

Paulão Filho, no Pura Connection · 0:12:50 · ler o artigo

Rodrigo Minotauro

Para o Antoine Jaoude, no Pride o jiu-jitsu prevalecia sobre o wrestling, e o Minotauro foi um dos maiores destaques porque finalizava todo mundo. A Índia conta que no córner dele no Pride iam o Dórea, o Murilo e o Zé Mário.

Rogério Minotouro

O Minotouro conta que, contra o Shogun no Pride, ganhou o primeiro round, o segundo foi parelho e no terceiro tomou um knockdown a cerca de um minuto do fim.

Vitor Belfort

O Eduardo Gavião levou o Vitor a um seminário em Florianópolis em 1998, com 17 para 18 anos, pouco antes da estreia no UFC. O Marco Ruas lembra que, quando o Carlson quis entrar no córner dele no UFC, o Vitor ficou chateado por não ter sido o escolhido. No Pride, o Vinicio Antony diz que montou a estratégia e ensinou o Vitor a chutar para a luta com Heath Herring, e o Vitor venceu.

Amaury Bitetti e Rafael Carino

Os dois estavam no UFC 9. O Rafael Carino conta que, aos 23 anos, era o lutador mais jovem do evento e o único sem faixa-preta, e precisou da assinatura do técnico e dos pais. Segundo ele, o Amaury perdeu para Don Frye naquela noite, e a capa da revista, que estava fechada com o Amaury, foi para o Carino.

Demian Maia

O Demian viu o Royce numa fita do UFC 2 em 1994. Depois de ganhar o ADCC e o mundial sem kimono, entrou no UFC em 2007 e ficou 14 anos. Ele conta que em 2014 foi treinar wrestling em Nova Jersey, emendou sete vitórias e disputou o cinturão. Antes do UFC, venceu três lutas na mesma madrugada no Super Challenge, em São Paulo, e foi ali que percebeu o próprio talento. O Robert Drysdale diz que ele adaptou o jiu-jitsu ao MMA com o single leg na grade e a meia-guarda.

“Nesse dia eu falei: eu levo jeito para esse negócio.”

Demian Maia, no Pura Connection · 0:57:59 · ler o artigo

Kron Gracie

O Sergio Zveiter conta que o Rickson esteve no córner do Kron na segunda luta dele no UFC, e que na última, contra Nate Diaz, o Kron foi nocauteado com uma cotovelada ao puxar para a guarda. O Morango diz que o Kron treinou com ele para voltar, e reclamava que estava cada vez mais difícil levar o adversário para onde o jiu-jitsu acontece.

Cristiano Marcello

O Cristiano Marcello diz que foi o único lutador a passar por Meca, Pride, TUF e UFC. Já pré-selecionado para o TUF, rompeu o bíceps em dezembro de 2011 e foi assim mesmo, aos 34 anos. Depois assinou contrato de dez lutas com o UFC e fez seis.

“Com 34 anos, a última oportunidade da minha vida de entrar no UFC. Meu irmão, falei: vou com um braço.”

Cristiano Marcello, no Pura Connection · 1:16:03 · ler o artigo

Fabrício Camões, o Morango

O Morango entrou no UFC com 30 anos. Estreou com empate contra Caol Uno, perdeu para Kurt Pellegrino, saiu, venceu fora e foi chamado de volta. Segundo ele, da Gracie Tijuca lutaram no UFC ele, o Cristiano Marcello, o Vinícius Magalhães, o Pezão e o Diego Brandão.

Wander Braga

O Wander Braga se mudou para Los Angeles em 2000 achando que de lá seria mais fácil chegar ao UFC. Conta que entrou cinco dias antes no card em que Anderson Silva enfrentou Rich Franklin, para lutar com Kurt Pellegrino.

Léo Santos

O Léo Santos estreou no MMA contra Takanori Gomi, no Japão, e depois chegou ao UFC pelo TUF Brasil. Ele conta que estreou no evento com um empate e emendou sete vitórias seguidas no peso leve.

Rafael dos Anjos

O Rafael dos Anjos pegou a faixa-preta de jiu-jitsu em Belo Horizonte. Ele conta que estreou no UFC perdendo por nocaute e achou que seria mandado embora; depois da segunda luta, parou de treinar jiu-jitsu para evoluir em pé. A esposa, segundo ele, já dizia que ele seria campeão do UFC.

“Eu tô treinando jiu-jitsu há 15, 20 anos, dois horários por dia. Como é que eu vou melhorar na parte em pé treinando duas, três vezes por semana?”

Rafael dos Anjos, no Pura Connection · 0:18:15 · ler o artigo

Rodolfo Vieira

O Rodolfo foi para o MMA com 24 ou 25 anos para enfrentar o medo que tinha do esporte. Ele conta que chegou a Orlando sem saber se ainda queria lutar, fez a última luta do contrato, finalizou no primeiro round e logo foi contratado pelo UFC.

Fabrício Werdum e Gilbert Burns

O Buchecha cita o Werdum, campeão mundial de jiu-jitsu que depois ganhou o cinturão do UFC, como incentivo para a própria transição. O Gilbert Burns foi campeão mundial em 2011 vencendo o Kron na final, e o Álvaro Romano conta que ele foi atleta dele antes de entrar no UFC.

O próprio Werdum conta que lutou seis vezes no Pride entre 2004 e 2006, com quatro vitórias e duas derrotas, e que finalizou o Kevin Randleman com uma kimura numa luta em que passava dificuldade. Fora do UFC, no Strikeforce, finalizou o Fedor num triângulo em 69 segundos: a noite está em Werdum x Fedor. Perguntado sobre quem aplicou melhor o jiu-jitsu no MMA depois do Royce, ele respondeu que foi ele mesmo, e o Rafael Cordeiro o considera o melhor peso-pesado da história por ter sido campeão no jiu-jitsu, no ADCC e no UFC.

“Poucas pessoas sabem que eu lutei contra o irmão do Fedor. Eu sou o único que ganhei dos dois irmãos.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:27:28 · ler o artigo

O Durinho começou no jiu-jitsu aos 12 anos e, pelo que contou, na quarta-feira seguinte ao título mundial de 2011 conheceu o Vitor Belfort, que propôs uma troca: ele afiava o jiu-jitsu do Vitor e ganhava ajuda no MMA. Já no UFC, diz que o Dana White o viu numa luta de grappling e ofereceu a luta com o Demian Maia, que ele venceu.

Charles do Bronx

O Fábio Gurgel lembra do Charles competindo jiu-jitsu em São Paulo nas faixas roxa e marrom, com um ritmo alucinante, antes de ir para o MMA. O Rafael Cordeiro conta que foi um dos primeiros a treiná-lo, quando o menino, com menos de 15 anos, viajava de São Paulo a Curitiba. Para o Mário Reis, ninguém apostava nele porque perdia bastante no jiu-jitsu, e mesmo assim virou o maior finalizador do UFC.

Cris Cyborg

A Cris Cyborg veio do handebol para a Chute Boxe. O Cristiano Marcello diz que a levou até a faixa-roxa de jiu-jitsu, e ela conta que, nos dois anos em que ficou sem luta de MMA por falta de adversária, competiu em luta olímpica e jiu-jitsu. Segundo ela, o UFC não a queria e ela chegou lá por uma campanha dos fãs.

Cara de Sapato

O Buchecha conta que perdeu para o Cara de Sapato na faixa-azul, em 2008, e que hoje treina com ele todo dia: quando ele pega as costas, é difícil de tirar. O Cara de Sapato diz que entrou no TUF como peso-pesado pesando uns 94 quilos, com cerca de um ano de MMA, e foi campeão do PFL em 2021.

Caio Borralho

O Caio Borralho começou no judô e só foi para o jiu-jitsu aos 18 anos, depois de perder uma competição numa chave de braço. Ele conta que treinou na Vila da Luta com o Demian Maia e que as cinco primeiras vitórias dele no UFC vieram com wrestling e jiu-jitsu.

O que fica

O Cristiano Marcello tem uma leitura sobre as gerações mais novas: campeões como Roger Gracie, Buchecha, Rodolfo e Jacaré tiveram menos êxito no MMA por começarem tarde, quando o esporte já exigia excelência em várias artes. A comparação com a turma do Carlson, que treinava tapa desde criança, está em alunos de Carlson Gracie.

O que foi contado

Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.