Werdum Responde
Werdum explica por que apostou em Dariush contra Charles do Bronx
Fabrício Werdum responde às críticas pelo palpite, diz que não tem rixa com Charles e relembra as vitórias sobre os irmãos Emelianenko no Pride.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 4 min de leitura
Entrevista completa no canal Werdum Responde, publicada em 26 jun 2023 (0:30:56).
O Fabrício Werdum voltou a um assunto que rendeu muita conversa entre os fãs: o palpite dele na luta entre Charles do Bronx e Beneil Dariush. Ele apostou no Dariush, o Charles venceu, e choveu crítica. No Werdum Responde número 11, o quadro em que ele lê os comentários do canal ao lado do treinador Rangel, o Werdum explicou o raciocínio e deixou claro que não muda de ideia só para agradar.
“Eu tenho a minha opinião, não vou ficar em cima do muro. Não dá para agradar todo mundo.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:26:26
Assisti ao episódio e achei a explicação honesta. Ele assume que errou o resultado, mas defende o direito de dar palpite como qualquer pessoa que trabalha com luta.
Amigo de 15 anos
Segundo o Werdum, o Benny, como ele chama o Dariush, é amigo dele há 15 anos. Foi o Werdum quem recebeu o lutador na academia, quando ele ainda vinha do jiu-jitsu, e os dois continuam no mesmo time. Na época da luta, ele tinha certeza de que o amigo ia ganhar, por conhecer bem o nível dele e pela sequência de oito vitórias.
“Eu não posso só porque é brasileiro ter que torcer para o brasileiro.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:24:21
O Werdum contou que o Charles comentou depois, dizendo que ele tinha sido infeliz no palpite, mas numa boa. O Werdum discordou. Para ele, quem é do seu time te representa, venha de onde vier. Ele fez questão de dizer que também elogiou o Charles numa entrevista, chamou ele de campeão do povo e reconheceu que o brasileiro mostrou que estava muito bem. E garantiu que vai continuar comentando luta de brasileiro do mesmo jeito.
Ele disse ainda que ligou para o Rudimar Fedrigo, o mestre da Chute Boxe, que o tratou muito bem, como sempre. Segundo o Werdum, o Rudimar lembrou que o Rafael Cordeiro saiu da Chute Boxe e que tudo tem a mesma raiz.
A surpresa para Rafael Cordeiro
A primeira parte do programa foi sobre os 50 anos do mestre Rafael Cordeiro. O Werdum contou que ele e o Wanderlei Silva armaram a surpresa de última hora. Os dois espalharam um panfleto falso anunciando um seminário em Bordeaux, na França, para despistar, e ficaram um dia e meio escondidos em Santa Mônica antes de aparecer na festa. Segundo ele, todo mundo chorou, inclusive o Babalu.
“Tirar aquela coisa que o lutador não chora. Eu choro qualquer coisa.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:05:20
O Werdum também contou que foi ele quem apresentou o Rafael Cordeiro ao Mike Tyson, e que o próprio Tyson escolheu o mestre como treinador. Para o Werdum, treinar o Tyson é chegar ao topo da carreira de treinador.
Os irmãos Emelianenko e o Pride
Quando um seguidor lembrou que ele foi campeão nos dois maiores eventos da época dele, o Werdum puxou a memória do Pride. Segundo ele, foram seis lutas no evento japonês entre 2004 e 2006, com quatro vitórias e duas derrotas, além de uma luta num evento combinado com o Pride em Roterdã, na Holanda. Entre as vitórias ele citou Tom Erikson, o norueguês Jon Olav Einemo, que depois treinou com ele, e Kevin Randleman, o Wolverine, finalizado numa kimura quando a luta estava difícil.
“Poucas pessoas sabem que eu lutei contra o irmão do Fedor. Eu sou o único que ganhei dos dois irmãos.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:27:28
O Werdum contou que finalizou Aleksander Emelianenko com um katagatame e o Fedor com um triângulo. Depois do Pride, segundo ele, veio a Croácia, onde treinou com o time do Mirko Cro Cop, e em 2007 a Chute Boxe. Ele lembrou que o Rudimar foi buscá-lo no aeroporto e o levou direto para a academia.
O soco mais pesado e o MMA como esporte
Um seguidor brincou que o Werdum chuta a cabeça de todos os amigos, do Wanderlei à Cris Cyborg. Ele riu e confirmou que a Cris é outro nível no treino. Mas o soco mais pesado que ele já tomou, segundo ele, foi do Wanderlei.
“É pegar um cascalho na mão e te dar na cabeça com toda a tua força. É o soco na mão dele.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:13:44
Teve espaço também para responder a quem disse que MMA é só dois homens trocando socos. O Werdum discordou: lembrou que o atleta se prepara durante anos, que há médico cuidando da integridade física e regras claras, e que muitas famílias vivem do esporte. Sobre crianças em esporte de combate, ele disse não ver problema, com todo cuidado e equipamento, e deu o exemplo do jiu-jitsu infantil, em que a finalização é soltada antes de machucar.
O que fica do episódio é o Werdum sendo o Werdum: fala o que pensa, assume o erro de palpite e não abre mão da lealdade ao time. E, no meio das brincadeiras, ainda deixa um pedaço da própria história no Pride que pouca gente lembra.
Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.