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Equipe

Nova União: a história da equipe contada por Dedé e Wendell

Como uma academia do Flamengo e outra da Penha juntaram forças para ganhar o Rio e acabaram campeãs do mundo, no jiu-jitsu e no MMA.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 5 min de leitura

Fundação
1995, segundo Rafael Carino
Onde
Rio de Janeiro (Flamengo e Vila da Penha)
Fundadores
André Pederneiras, Wendell Alexander

A Nova União nasceu no subúrbio e na Zona Sul do Rio ao mesmo tempo, da amizade de dois professores com turmas que se completavam. Nas entrevistas que eu li, Dedé Pederneiras, Wendell Alexander e Léo Santos contam a mesma história com detalhes diferentes. Juntei tudo aqui, cada coisa com o nome de quem falou.

Dois professores, duas linhagens

O Dedé contou que começou em 1984, numa academia de musculação, e que o professor dele da branca até a marrom foi Rodrigo Vieira, faixa-preta de Rolls Gracie. Pegou a faixa-preta com Carlson Gracie e diz que passou pelas duas melhores escolas de competição da época, a do Carlson e a Academia Gracie. Também é faixa-preta de judô e aprendeu muay thai e vale-tudo com Marco Ruas. Abriu a primeira academia própria em 1990.

José Aldo
José Aldo, multicampeão dos penas no WEC e UFC, maior campeão formado na Nova União. (Wikimedia Commons)

O Wendell vem de outro lado. Segundo ele, começou aos 5 ou 6 anos, levado pela tia, e o professor dele, Geraldo Flores, era aluno de Oswaldo Fadda. Depois ganhou a faixa-preta no Mello Tênis Clube, na Penha, assumiu a academia quando o professor se aposentou e chegou a 300 alunos. Por isso ele gosta de dizer que a Nova União juntou a linhagem Gracie com a do Fadda. Para entender esses ramos, vale ver a linhagem do jiu-jitsu.

Como nasceu a Nova União

O Wendell contou que conheceu o Dedé num torneio beneficente que o Dedé organizava no Flamengo. Levou a turma, voltou no torneio seguinte e as duas academias começaram a treinar uma na casa da outra. Num campeonato, juntaram as equipes com o nome André Pederneiras e Mello Tênis Clube e ficaram em terceiro. No seguinte, ficaram em segundo. Em Teresópolis, num campeonato cheio de gente dura, ganharam. Aí ele, o Dedé, o Luizinho e o Jucão sentaram para escolher um nome que não fosse de nenhuma das duas academias.

“Nova União: uma coisa nova na cidade e uma união de duas pessoas. A união era só para brigar aqui no Rio, e nós ganhamos o mundo.”

Wendell Alexander, no Pura Connection · 0:39:52 · ler o artigo

O Dedé lembra do começo como uma troca de atletas. Ele tinha poucas crianças e perdia os juvenis; o Wendell tinha o contrário. Emprestaram atletas um para o outro, ganharam competição e resolveram se unir. Sobre o nome, ele deu outra explicação:

“Naquela época estava acontecendo várias uniões, e o nome foi até criado por conta disso.”

André Pederneiras, no Pura Connection · 0:20:38 · ler o artigo

O Rafael Carino, que era aluno do Dedé, é quem cravou o ano: 1995. Ele descreveu as duas escolas assim: a do Wendell, na Vila da Penha, forte em crianças e jovens; a do Dedé, forte em adultos e masters. O Léo Santos, primo do Wendell (que ele chama de Del), contou que a meta era ganhar das academias da Zona Sul: Carlson, Gracie Barra e Gracie Humaitá.

“O que mudou o jiu-jitsu naquele ano foi a Nova União, que apareceu.”

Léo Santos, no Pura Connection · 0:24:45 · ler o artigo

Segundo o Dedé, em dois anos a equipe já disputava o pódio com academias de 20 e 30 anos. O Léo é o exemplo que o Wendell mais gosta de citar: com 15 anos, venceu a seletiva interna e foi campeão mundial adulto na faixa-azul.

O jeito de treinar: cada um na sua parte

O Wendell explicou a divisão de trabalho. O Dedé cuidava da preparação: peso, descanso, estratégia. Ele cuidava da técnica. E o acordo de dinheiro foi simples, pelo que ele contou:

“Ele falou: eu tomo conta do MMA, você toma conta do jiu-jitsu. A gente nunca brigou por dinheiro.”

Wendell Alexander, no Pura Connection · 0:41:26 · ler o artigo

O Wendell também disse que a Nova União nunca pagou atleta para vestir a camisa. O Léo Santos lembrou que o Dedé tinha a mente aberta numa época de rivalidade entre as lutas: já treinava com Marco Ruas e Luiz Alves e liberava chave de pé na academia. O próprio Dedé contou que foi chamado de creonte por treinar com gente de fora e manteve os treinos mesmo assim. Tem mais sobre essa época em jiu-jitsu x luta livre.

A briga com a CBJJ

Aqui cada um conta um pedaço. O Léo Santos disse que a Nova União foi a primeira equipe a cobrar da CBJJ remuneração para os faixas-pretas, numa época em que só se ganhava medalha. O Wendell detalhou: o Luizinho e o Dedé pediram a Carlinhos Gracie premiação em dinheiro e isenção de inscrição para o faixa-preta. Com a recusa, o Luizinho criou outra confederação, e a equipe ficou fora uns cinco ou seis anos. O Wendell foi diretor de arbitragem da entidade nova nesse período.

O Léo contou que pagou caro: por causa do conflito, nunca ganhou o Mundial de faixa-preta da CBJJ. Segundo o Wendell, a equipe depois voltou para a confederação do Carlinhos. Se quiser a história da entidade, veja como a CBJJ e o Mundial foram criados.

O MMA e onde a equipe está hoje

O Dedé disse que foi o primeiro treinador de fora da família Gracie e do grupo de Marco Ruas a colocar um atleta no UFC. O Léo Santos contou que foi o Dedé quem sugeriu a mudança dele para o MMA; o Wendell foi contra, mas acabou aceitando ao ver que fez bem ao atleta e à equipe. Segundo o Dudu Dantas, por volta de 2008 a Nova União tinha os cinturões dos principais eventos nas categorias leves: ele no Bellator, Barão e José Aldo no UFC e Wagnney Fabiano na IFL.

Mesmo no MMA, o kimono ficou. O Dedé contou que o treino de jiu-jitsu com kimono é obrigatório para os atletas de MMA da academia. Ele também falou do projeto social, que atendeu 450 crianças de 6 a 17 anos, e o Isaque Bahiense contou que treinou dos 10 aos 18 anos no projeto da Nova União em Bangu.

Hoje, segundo o Wendell, o presidente da Nova União é o Léo Santos, indicado pela geração dele na hora de passar o comando. Ele não esconde uma preocupação: a equipe tem dificuldade de formar os próprios faixas-pretas, porque outras academias levam os alunos ainda na marrom. A conversa completa está em a entrevista do Wendell.

O que foi contado

Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.