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Gracie Humaitá: a história da academia de Hélio e Royler Gracie

A casa onde Hélio ainda dava aula de defesa pessoal e de onde saíram Royler, Saulo Ribeiro e uma geração de competidores leves.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 5 min de leitura

Onde
Rua Humaitá, Rio de Janeiro

A Gracie Humaitá aparece nas entrevistas sempre ligada a dois nomes: Hélio Gracie, que ainda dava aula lá, e o filho Royler Gracie, que puxou a equipe de competição. Nenhuma das conversas que eu li diz o ano em que a academia abriu. Então vou pelo que foi contado: quem estava no tatame, como era o treino e como a marca chegou ao que é hoje.

A casa de Hélio na Rua Humaitá

Marco Ruas conta uma cena boa. Hélio foi até o prédio dele, não o encontrou e deixou recado para Ruas passar na academia da Rua Humaitá. Ruas foi sozinho. Royler estava dando aula, e Hélio conversou numa boa e propôs uma luta dele contra Royce, que nunca saiu.

A defesa pessoal de Hélio seguia viva ali. Fabrício Camões, o Morango, contou que a família não tinha dinheiro para pagar academia, e Royler resolveu isso botando o garoto para ajudar nas aulas de criança e nas aulas particulares do Humaitá. Lá ele via o mestre dando aula para os Valente.

“Chegava lá, era o mestre Hélio dando aula pros Valente. Esse programa de defesa pessoal que hoje a Gracie Humaitá fala é fruto do trabalho do mestre de anos.”

Fabrício Camões, no Pura Connection · 0:21:54 · ler o artigo

Quem fez a equipe: Royler e a turma do Humaitá

Royler contou que, aos 13 ou 14 anos, disse ao pai que queria ser professor. Ouviu que teria de chegar à academia às sete da manhã e ficar até o último aluno sair. O primeiro serviço foi limpar o banheiro, e Hélio mandou refazer três ou quatro vezes seguidas.

Royler Gracie de kimono
Royler Gracie, tetracampeão mundial de jiu-jitsu e líder histórico da Gracie Humaitá. (Wikimedia Commons)

“O velho falou: ó, tá mal feito, faz de novo. Eu me lembro de ter limpado três ou quatro vezes seguidas o banheiro.”

Royler Gracie, no Pura Connection · 0:22:44 · ler o artigo

Em volta dele se formou uma turma. Saulo Ribeiro chegou de outra academia, e Royler faz questão de dizer que ensinou a ele muito da malandragem de competição, mas que não foi o formador dele. Saulo, do lado dele, chama Royler de maior estrategista da história das competições e conta que decidiu virar um Royler pesado. Felipe Gama contou que foi para a Gracie Humaitá em 1994, depois de ganhar a faixa-roxa de Rickson. Fredson Alves recebeu a preta de Royler em 1997 e o considera o melhor competidor de todos os tempos pelo que fazia com o peso que tinha.

“O maior estrategista da história foi o Royler. Eu falei: é isso, então vou virar um Royler pesado.”

Saulo Ribeiro, no Pura Connection · 0:22:39 · ler o artigo

Pedro Sauer disse que Royler foi a pessoa com quem mais treinou na vida e que os dois pegaram a faixa-preta juntos. Guilherme Goraib, aluno de Royler desde criança, recebeu a preta das mãos de Royler e de Rolker Gracie.

O jeito de treinar

Aqui tem duas fases. Xande Ribeiro lembra que, quando Saulo chegou ao Rio, a Gracie Humaitá ainda não era equipe de competição. Era uma escola básica, nas palavras dele: se a mão entrar, você bate; se eu passar, eu te pego. Xande conta que foi com Royler e Saulo que entendeu o refinamento técnico do jiu-jitsu, e que ali o jogo era menos físico.

Depois veio a fase de campeonato. Fredson descreve o treino das duas da tarde, puxado por Saulo, como uma turma de caras leves e técnicos que chegava aos campeonatos e ganhava tudo. Ele diz que os treinos com Royler foram os melhores da vida dele. Carlos Gama lembra das aulas particulares com Royler nos anos 1990, que começavam na defesa pessoal e terminavam no chão.

A academia também era ponto de encontro de outras casas da família. Cristiano Marcello contou que, quando Ralph Gracie foi embora, Royler assumiu a Gracie Tijuca, e os alunos de lá iam pelo menos duas vezes por semana à Gracie Humaitá para treinos e seletivas. O Morango confirma que Royler passou a ir à Tijuca duas vezes por semana.

Rivalidades e saídas

Para quem estava fora, a Gracie Humaitá era um dos alvos. Léo Santos, da Nova União, contou que a meta da equipe era ganhar da Zona Sul: das academias de Carlson, da Gracie Barra e da Gracie Humaitá. E Hélio Soneca lembra que a turma de Carlinhos usou o nome Barra Gracie justamente porque a Gracie Humaitá já existia.

Numa saída que podia ter virado briga, o mestre facilitou. Cristiano Marcello queria lutar vale-tudo e a Gracie Humaitá não tinha time de MMA. Ele foi pedir permissão a Royler para ir para a Chute Boxe. Segundo ele, a resposta foi curta. Depois, quando Ryan Gracie foi tirar satisfação no Mundial, Royler o defendeu dizendo que aquele era o ganha-pão dele.

“Eu não troquei a minha academia Gracie Humaitá por outra academia de jiu-jitsu. Eles não tinham time de MMA. Eu falei com o Royler e o Royler falou: meu irmão, vão te tratar bem, vá.”

Cristiano Marcello, no Pura Connection · 0:16:23 · ler o artigo

Tem também o caminho inverso. Sérgio Malibu contou que, quando Rickson foi para os Estados Unidos, ele não quis ficar na academia de Royler e foi treinar com a turma da Alliance.

Onde está hoje

Royler mora em San Diego há anos. Ele contou que decidiu ficar lá depois de ir aos Estados Unidos para a inauguração da academia de Saulo. Segundo ele, é o líder da Gracie Humaitá, e o irmão Rolker é o líder no Brasil. A mudança, diz Royler, o fez profissionalizar a marca.

“Hoje para você ser representante da academia, ele tem que fazer um curso de professor, tem que saber defesa pessoal, tem que ser faixa-preta.”

Royler Gracie, no Pura Connection · 1:14:30 · ler o artigo

Ele acrescenta a checagem de antecedentes e lembra que aula começar e terminar na hora já era regra no tempo do pai. A rede também chegou a outros bairros: Donda Malvadão pegou a faixa-marrom com Marcelo Nig, que representava a Gracie Humaitá em Jacarepaguá. Para ver de onde vem esse método, leia a página da Academia Gracie da Rio Branco, a luta Royler Gracie x Sakuraba e a entrevista de Royler.

O que foi contado

Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.