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Pergunta

Heel hook deve ser liberado? O que dizem os faixas-pretas

Da chave de pé vaiada nos anos 1970 ao drill de heel hook na primeira semana de aula.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 3 min de leitura

Resposta curta

As opiniões se dividem. O Rodrigo Comprido contou que foi o único a votar contra quando a IBJJF consultou sobre liberar a chave de calcanhar para marrom e preta no sem kimono, por causa do risco ao joelho. O Magid Hage ensina a posição desde a primeira semana, e o Sylvio Behring diz que as lesões vinham da falta de treino.

O heel hook, a chave de calcanhar, é talvez a posição mais discutida do jiu-jitsu de hoje. Tem quem trate como golpe sujo e tem quem ensine para faixa-branca. Nas entrevistas que eu li, a discussão passa por segurança e por história.

Por que a chave de pé ficou mal vista

Segundo o Pinduca, nos anos 1970 a chave de pé era vaiada, e o Rolls Gracie dizia que a técnica do jiu-jitsu era estrangular, chave de braço e americana. O Relson Gracie contou que no campeonato do Hélio não valiam chave de joelho nem de tornozelo. O Pedro Sauer explicou que o Hélio queria uma guarda excelente para lutar com gente muito mais pesada, e por isso eles quase não treinavam chave de pé.

O Sérgio Ignácio lembrou de ver, num campeonato no Rio dos anos 1980, uma chave de calcanhar misturada com joelho, e disse que ela só era menos usada para evitar lesões. Na conversa com a Pirâmide, o apresentador contou que existe vídeo do Hélio ensinando heel hook. O Sylvio Behring, que fez da chave de pé a sua especialidade por ser magrinho, diz que ela ficou mal vista por causa das lesões de joelho, que vinham da falta de treino e de consciência.

O Marco Aurellio tem outra leitura: para ele, os Gracie desestimularam as chaves de pé e de calcanhar para frear a luta livre, que era boa nisso. Segundo o Ítalo Vilardo, a técnica voltou quando o Rodrigo Comprido foi campeão mundial absoluto finalizando com chave de pé, por volta de 1999 ou 2000, até a confederação proibi-la para as faixas mais baixas.

O voto contra do Rodrigo Comprido

O curioso é que o próprio Comprido é contra. Ele contou que, quando a IBJJF consultou várias pessoas sobre liberar o heel hook para marrom e preta no sem kimono, todos foram a favor e ele foi o único contrário. Ele diz que respeita a chave de pé e que o problema dele é o heel hook, que causa um dano grande demais.

“Eu tenho alunos que se machucaram com o heel hook e tiveram que parar de treinar por muito tempo.”

Rodrigo Comprido, no Pura Connection · 1:30:01 · ler o artigo

O argumento dele é que ninguém ganha com lesão: o professor perde o aluno que para de pagar, o atleta para de competir, a federação perde a inscrição e o evento perde a estrela. Ele admite que talvez esteja errado e que treinar mais a posição reduz as lesões, e diz que, se a regra é essa, todo mundo se adapta. O que ele não aceita é ensinar isso cedo demais.

“Eu não entendo alguém mostrar um jogo para um faixa-branca que não sabe nem se mexer direito.”

Rodrigo Comprido, no Pura Connection · 1:32:05 · ler o artigo

A conversa inteira está na entrevista do Comprido.

Quem ensina desde cedo

O Magid Hage pensa o contrário. Ele cresceu num ambiente em que chave de pé só vinha na roxa e acha que isso cria medo. Na escola dele, aluno de primeira semana já faz drill de heel hook, com uma regra só: faixa-branca não aplica chave de perna em faixa-branca.

“Quanto mais cedo você aprende, mais confortável fica e melhor se defende.”

Magid Hage, no Pura Connection · 1:10:43 · ler o artigo

O Flávio Canto disse que cresceu num ambiente de preconceito com a chave de pé e considera uma falha da formação dele não ter treinado ataques às pernas. Na Pirâmide, o Lucas Alexandre contou que os lutadores da luta livre que passaram a treinar lá obrigaram os irmãos a estudar leglock. O Lipe Machado, da mesma equipe, contou que, com 60 quilos, finalizou no absoluto um adversário de mais de 100 com heel hook em uns 40 segundos. E a Gabi Pessanha lembrou que perdeu um Mundial sem kimono numa chave de calcanhar, e que a própria adversária ensinou a saída durante o exame antidoping.

E numa briga de rua?

O Relson, que falou aos 70 anos, acha que fora do tatame a posição perde força, porque quem está preso na perna pode levar soco, cotovelada e calcanhar na nuca.

“Numa briga de rua, eu quero ver quem pega meu joelho.”

Relson Gracie, no Pura Connection · 0:26:52 · ler o artigo

Esse lado da discussão continua em se o jiu-jitsu funciona na rua, e a história de como o Brasil ficou para trás no sem kimono está em por que os americanos dominam o no-gi.

O que foi contado

Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.