Pergunta
Como o jiu-jitsu brasileiro chegou ao Japão?
A arte saiu de lá com Maeda e voltou quase cem anos depois, com Rickson no ringue, Carlson no córner e um japonês cego de um olho virando aluno.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 3 min de leitura
Resposta curta
O jiu-jitsu saiu do Japão com Mitsuyo Maeda e voltou pelas mãos dos Gracie. Nas entrevistas, a virada é o Vale Tudo Japan, que o Rickson Gracie venceu duas vezes, a segunda em 1995. Depois vieram a delegação de Carlson Gracie em 1996, as lutas no Pride e o japonês Yuki Nakai, que perdeu para o Rickson e veio aprender no Brasil.
Tem uma ironia boa nessa história. O Pedro Valente conta que Mitsuyo Maeda foi levado para o Ocidente em 1904, e o Rickson Gracie diz que foi com Maeda que a eficiência do jiu-jitsu chegou ao Brasil. Quase um século depois, a arte fez o caminho de volta. Quem conta essa volta nas entrevistas é gente que estava lá: o próprio Rickson, o jornalista Marcelo Alonso, o amigo Sergio Zveiter e os irmãos que foram para o córner. Para a parte de Maeda, veja se Maeda ensinou os Gracie.
Rickson bate na porta da Kodokan
Antes de lutar vale-tudo no Japão, segundo o Zveiter, o Rickson foi com ele à Kodokan, em Tóquio, pedir uma luta com quem estivesse disponível. Bateram na porta de um edifício, abriu uma janelinha, e a resposta foi curta.
“Isso aqui não existe não, cara.”
Sergio Zveiter, no Pura Connection · 1:02:40 · ler o artigo
A luta veio pelo ringue. O Marcelo Alonso conta que o Rickson venceu duas edições do Vale Tudo Japan, a segunda em 1995, e virou um rei por lá. O Alonso resume como os japoneses enxergaram aquilo.
“O jiu-jitsu do Conde Koma que a gente levou para o Brasil está retornando, e um Gracie está finalizando todos os nossos.”
Marcelo Alonso, no Pura Connection · 1:01:55 · ler o artigo
O Rickson conta que foi reconhecido na hora como um samurai, pela conduta, pelo calção branco e pelo jeito de cumprimentar o adversário com respeito depois da luta.
Yuki Nakai, o japonês que virou aluno
A final de 1995 foi contra Yuki Nakai. O Carlos Gama lembra que o japonês chegou à final cego de um olho, e o Leonardo Xavier diz que o Rickson escolheu não dar o soco porque não precisava. Para o Alonso, vencer só na técnica fez do Rickson um ídolo ainda maior no Japão.
O que veio depois é a parte que eu acho mais bonita. Segundo o Alonso, o Nakai veio ao Brasil aprender jiu-jitsu e, em 1997, ficou hospedado no estúdio dele, passando por várias academias. O Eduardo Brigadeiro lembra de treinar uns 30 minutos com o Nakai na academia do De La Riva, em Copacabana. Hoje, conta o Alonso, o Nakai preside a entidade de jiu-jitsu do Japão, com mais de 10 mil associados, e faz questão de chamar a arte de brazilian jiu-jitsu.
1996: a turma do Carlson desembarca
O Alonso diz que, em 1996, foi ao Japão com a primeira grande delegação de brasileiros, com Carlson Gracie, João Alberto Barreto, Hugo Duarte e Carlão Barreto, que estreou no vale-tudo ainda faixa-marrom. O Carlão conta que só foi porque o Vitor Belfort ficou sem visto e os japoneses exigiram um aluno do Carlson no lugar.
Dessa viagem sai uma história com duas versões. O Alonso conta que foram visitar um japonês que se dizia herdeiro do jiu-jitsu tradicional e que o Ricardo Libório finalizou os alunos dele umas oito vezes. Depois, o mestre disse que voltaria a usar a faixa-branca e mandou os alunos fazerem o mesmo. Na versão que o apresentador do Pura Connection ouviu do Alonso, o dono da academia tirou a faixa-preta e entregou ao Carlson.
O Pride e os Gracie no ringue
Com o Pride, o Japão virou a casa do vale-tudo. O Marco Ruas treinou Nobuhiko Takada para enfrentar o Rickson e mandou ficar em pé; segundo ele, o Rickson sentou para a guarda, o Takada errou uma chave de pé e foi finalizado. Na última luta, conta o Carlos Gama, o Rickson enfrentou Funaki, uns 15 ou 20 quilos mais pesado.
Os irmãos também foram. O Royler lutou com Sakuraba pesando 65 quilos, e o Royce fez com ele uma luta de seis rounds de 15 minutos. O Pedro Valente estava no Japão com o Hélio quando o Royce lutou com Yoshida e ouviu o mestre dizer, no ringue, que sempre se sentiu um representante do Japão. Os detalhes estão em Royler x Sakuraba.
Depois dos Gracie, veio uma geração inteira. O Antoine Jaoude diz que no Pride o jiu-jitsu prevalecia sobre o wrestling, e o Zé Mário Sperry conta que foi ao Japão 52 vezes. O Saulo Ribeiro acha que o japonês aprende jiu-jitsu rápido porque aceita a técnica sem questionar.
O que foi contado
Segundo Pedro Valente, Tsunejiro Tomita, primeiro aluno e primeiro faixa-preta da Kodokan, levou Mitsuyo Maeda para o Ocidente em 1904 e, em Nova York, declarou que o jiu-jitsu era primitivo e incivilizado.
Com Mitsuyo MaedaContado por Pedro Valente no Connect Cast · 0:43:33 · ler o artigoSegundo Rickson Gracie, a eficiência do jiu-jitsu chegou ao Brasil com Maeda, e a família Gracie misturou esse jiu-jitsu com a personalidade competitiva brasileira.
Com Rickson GracieContado por Rickson Gracie no Pura Connection · 1:13:39 · ler o artigoSegundo Sergio Zveiter, antes de lutar vale-tudo no Japão, Rickson foi com ele ao Kodokan, em Tóquio, pedir uma luta com quem estivesse disponível, e ouviu na portaria que aquilo não existia ali.
Com Sergio ZveiterContado por Sergio Zveiter no Pura Connection · 1:02:09 · ler o artigoSegundo Marcelo Alonso, Rickson Gracie venceu duas edições do Vale Tudo Japan, a segunda em 1995, e virou um rei no Japão.
Contado por Marcelo Alonso no Pura Connection · 1:01:55 · ler o artigoRickson Gracie contou que no Japão foi reconhecido como samurai pela conduta, por lutar de calção branco e cumprimentar o adversário com respeito, e que os japoneses viram nele um bushido moderno.
Contado por Rickson Gracie no Pura Connection · 0:11:33 · ler o artigoCarlos Gama lembra que Yuki Nakai chegou à final contra Rickson Gracie cego de um olho, e defende a técnica de Rickson naquela luta.
Com Yuki NakaiContado por Carlos Gama no Pura Connection · 0:51:08 · ler o artigoSegundo Leonardo Xavier, na luta contra Yuki Nakai o japonês estava com o olho quase fechado e Rickson Gracie escolheu não dar o soco porque não precisava.
Com Yuki NakaiContado por Leonardo Xavier no Pura Connection · 0:40:31 · ler o artigoMarcelo Alonso contou que, na final do Japan Open, Rickson Gracie decidiu vencer Yuki Nakai na técnica, sem socar o rosto dele, e com isso virou um ídolo ainda maior no Japão.
Com Yuki NakaiContado por Marcelo Alonso no Pura Connection · 1:07:38 · ler o artigoMarcelo Alonso contou que Yuki Nakai, depois de perder para Rickson Gracie em 1995, veio ao Brasil aprender jiu-jitsu e em 1997 ficou hospedado no estúdio de Alonso, passando por várias academias.
Com Rickson Gracie, Marcelo AlonsoContado por Marcelo Alonso no Pura Connection · 1:05:02 · ler o artigoSegundo Eduardo Brigadeiro, numa sexta à tarde na academia de De La Riva, em Copacabana, ele foi chamado para treinar com o japonês Yuki Nakai por cerca de 30 minutos. Depois Nakai treinou com De La Riva, que não permitiu que filmassem.
Com Eduardo Brigadeiro, Ricardo De La RivaContado por Eduardo Brigadeiro no Pura Connection · 1:23:21 · ler o artigoSegundo Marcelo Alonso, Yuki Nakai preside hoje a entidade de jiu-jitsu do Japão, com mais de 10 mil associados, e faz questão de chamar a arte de brazilian jiu-jitsu.
Contado por Marcelo Alonso no Pura Connection · 1:06:37 · ler o artigoMarcelo Alonso contou que, em 1996, foi ao Japão com a primeira grande delegação de brasileiros para lutar lá, com Carlson Gracie, João Alberto Barreto, Carlão Barreto, que estreou ainda faixa-marrom, e Hugo Duarte.
Com João Alberto Barreto, Carlão Barreto, Hugo Duarte, Marcelo AlonsoContado por Marcelo Alonso no Pura Connection · 1:02:28 · ler o artigoSegundo Carlão Barreto, no aeroporto de Los Angeles, a caminho do Japão, Carlson Gracie avisou que Vitor Belfort não poderia viajar por causa do visto e que os japoneses exigiam um aluno de Carlson como substituto, e escolheu Carlão.
Com Carlson Gracie, Vitor BelfortContado por Carlão Barreto no Pura Connection · 0:34:15 · ler o artigoSegundo Carlão Barreto, ele estreou no vale-tudo no Japão ainda faixa-marrom de jiu-jitsu.
Contado por Carlão Barreto no Pura Connection · 0:17:29 · ler o artigoSegundo Marcelo Alonso, no Japão, em 1996, Ricardo Libório finalizou cerca de oito vezes os alunos de um mestre japonês, que depois disse que ia voltar a usar a faixa-branca e mandou os alunos fazerem o mesmo.
Com Carlson GracieContado por Marcelo Alonso no Pura Connection · 1:04:30 · ler o artigoO apresentador do Pura Connection contou que, segundo Marcelo Alonso, a equipe de Carlson Gracie visitou uma academia de jiu-jitsu no Japão, finalizou todos os japoneses, e o dono tirou a faixa-preta e a entregou ao Carlson.
Com Marcelo AlonsoContado por o apresentador no Pura Connection · 1:11:35 · ler o artigoMarco Ruas contou que treinou Nobuhiko Takada para a luta contra Rickson Gracie no Pride e o orientou a ficar em pé. Segundo Ruas, Rickson sentou para a guarda, Takada tentou uma chave de pé errada e Rickson montou e finalizou.
Com Nobuhiko Takada, Rickson GracieContado por Marco Ruas no Connect Cast · 2:12:16 · ler o artigoSegundo Carlos Gama, na última luta Rickson Gracie enfrentou Funaki, uns 15 ou 20 quilos mais pesado e muito duro.
Com Masakatsu FunakiContado por Carlos Gama no Pura Connection · 0:52:15 · ler o artigoSegundo Royler Gracie, ele lutou com Sakuraba pesando 65 quilos, admite que perderia por pontos e dormiu numa banheira de gelo por causa dos chutes na perna. No mesmo ano foi campeão carioca, brasileiro, pan-americano e mundial.
Com Kazushi SakurabaContado por Royler Gracie no Connect Cast · 0:44:58 · ler o artigoRoyce Gracie contou que a luta com Sakuraba teve seis rounds de 15 minutos e que, após o sexto, disse a Hélio e Rorion que não conseguia andar por causa dos chutes na canela; Rorion jogou a toalha.
Com Kazushi Sakuraba, Rorion Gracie, Hélio GracieContado por Royce Gracie no Connect Cast · 0:36:54 · ler o artigoSegundo Pedro Valente, Hélio Gracie esteve com ele no Japão quando Royce lutou com Yoshida e disse, num discurso no ringue diante de 105 mil pessoas, que sempre se sentiu um representante do Japão.
Com Royce GracieContado por Pedro Valente no Connect Cast · 2:54:04 · ler o artigoSegundo Antoine Jaoude, no Pride o jiu-jitsu prevalecia sobre o wrestling, e Minotauro foi um dos maiores destaques do evento porque finalizava todo mundo.
Contado por Antoine Jaoude no Pura Connection · 0:46:40 · ler o artigoSegundo Zé Mário Sperry, ele foi ao Japão 52 vezes.
Contado por Zé Mário Sperry no Pura Connection · 0:10:06 · ler o artigoSegundo Saulo Ribeiro, o japonês aprende jiu-jitsu rápido porque aceita a técnica sem questionar, enquanto o francês quer saber o porquê de tudo.
Contado por Saulo Ribeiro no Pura Connection · 0:58:01 · ler o artigo
Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.