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Dos Nossos Podcast · Caio Borralho

Caio Borralho revela bastidores do camp com Khamzat Chimaev na Suécia

Na segunda parte da conversa com Werdum, o brasileiro fala do treino com Chimaev, do puxão de orelha de Dana White, do elogio de Anderson Silva e da briga com Borrachinha.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 5 min de leitura

Entrevista completa no canal Dos Nossos Podcast, publicada em 3 out 2024 (0:47:55).

Segundo o Caio Borralho, os sparrings que passavam pelo camp de Khamzat Chimaev costumavam sair em pé de guerra com ele. O brasileiro passou três semanas na Suécia e depois seguiu para Las Vegas como sparring do checheno, e contou que, dois dias depois de chegar, ouviu dos colegas de treino que era o único cara de quem o Chimaev tinha gostado até então.

Ele falou disso na segunda parte da conversa com o Fabrício Werdum no Dos Nossos Podcast. Nessa metade o papo virou uma série de bastidores do UFC, puxados pelo quadro em que o Werdum mostra um nome e o convidado diz se a pessoa é ou não é dos nossos. Assisti e separei o que o Caio contou de mais concreto.

Um mês com Chimaev

O convite veio logo depois da segunda luta dele no UFC. Uma empresa que o patrocinava ofereceu pagar viagem, estadia e alimentação para ele fazer o camp com o Chimaev, que se preparava para enfrentar Nate Diaz. O treinador Pablo disse para ele ir. A luta com o Diaz caiu e o Chimaev acabou enfrentando Kevin Holland, mas o Caio diz que aprendeu muito, principalmente de wrestling e de controle por cima. Ele também citou o professor de jiu-jitsu do Chimaev, um brasileiro chamado Alan.

Segundo o Caio, o segredo para durar ali foi a postura. Os outros sparrings tentavam competir com o Chimaev e o treino virava confusão. Ele resolveu que estava ali para ajudar.

“Eu vou competir, mas num jeito que faça ele crescer, não para tentar provar algo.”

Caio Borralho, no Dos Nossos Podcast · 0:11:52

Ele descreve um wrestling de nível absurdo, cheio de variações que o Chimaev treina desde pequeno. Quando o Caio achava que tinha lido a entrada, vinha outra. E conta de um dia em que fizeram cinco rounds de sparring, o Chimaev foi correr, voltou meia hora depois para mais cinco rounds de manopla e ainda tinha treino à tarde. Na opinião do Caio, esse volume é um dos motivos de o Chimaev ficar doente com frequência.

Fora do tatame, ele diz ter visto um lado que as redes não mostram. O Chimaev, segundo ele, paga apartamento e supermercado para uns quatro ou cinco russos que treinam na academia. Mandou vídeo quando o filho do Caio nasceu e estava na primeira fila na luta dele em Abu Dhabi, subindo para tirar foto depois da vitória.

Os dois hoje estão na mesma categoria, os médios. O Caio contou que o Chimaev, que lutava nos 77 quilos, está logo atrás dele no ranking e vai enfrentar Robert Whittaker, segundo colocado, em Abu Dhabi, no dia 26 de outubro. O UFC convidou o Caio para ir ao evento como atleta convidado.

O recado de Dana White

O Caio voltou ao Contender para contar o outro lado da história. Depois de vencer a primeira luta sem nocaute nem finalização, ele foi cumprimentar o Dana White como se tivesse feito algo grande. Segundo o Caio, o Dana disse depois numa entrevista que o rapaz não fez nada e foi cumprimentá-lo como se tivesse vencido Israel Adesanya, então campeão da categoria, com uma joelhada voadora.

Ele diz que aquilo o fez repensar as próprias atitudes e admitir que não tinha merecido o contrato. Na segunda luta, antes mesmo de começar, ele passou o tempo olhando para a mesa do Dana.

“Eu vou te provar que o meu lugar é aqui.”

Caio Borralho, no Dos Nossos Podcast · 0:16:32

Anderson, Vitor e Borrachinha

O Anderson Silva é um dos lutadores que o Caio diz ter mais estudado, pela calma e pelo jeito de enrolar o adversário no começo da luta. Ele contou que, no fim do evento em que o Anderson fez a luta de exibição com Chael Sonnen, estava perto da saída quando o Anderson o viu de longe e falou antes que ele pudesse chamar.

“Parabéns pelo trabalho.”

Anderson Silva, no Dos Nossos Podcast · 0:04:08

Com o Vitor Belfort a história é parecida. Segundo o Caio, lá pela terceira ou quarta luta dele, o Vitor mandou mensagem no Instagram dando dica para usar mais a mão esquerda, e até hoje aparece nas lives dele.

Já com o Paulo Borrachinha a relação azedou. O Caio contou que, antes do Contender, depois de ser campeão do Future MMA, foi chamado pela equipe do Borrachinha para fazer camp com ele em Minas Gerais. Diz que aprendeu muito ali e que, depois de ver o Borrachinha com fisioterapeuta todo dia, contratou um para si. Mais tarde, perguntado sobre o ranking, o Caio disse que o Borrachinha não merecia estar lá.

“Eu apresentei fatos: não ganhou de ninguém que tá no ranking.”

Caio Borralho, no Dos Nossos Podcast · 0:24:50

Segundo o Caio, o Borrachinha respondeu chamando-o de irrelevante, quase houve uma luta entre os dois e ele não aceitou. O Caio reconhece que o mineiro é duro e muito forte, mas diz que ele às vezes passa do ponto nas brincadeiras.

Sobre Alex Pereira, o Caio disse que os dois nunca foram próximos e que o boato de rixa nasceu porque ele apostou em Sean Strickland, que sempre o tratou bem nos treinos, na luta contra o Poatan. Ele contou que, num evento do LFA em Cajamar, onde trabalha como comentarista em inglês, o Poatan foi até ele elogiar a luta, e o gelo quebrou.

O plano até o cinturão

O Werdum também trouxe as dele. Contou que ficou uns dois anos com a foto do Cain Velasquez no celular, e que chegou a lutar contra o Minotauro no Pride, depois de crescer vendo ele e o Wanderlei Silva lutarem lá. O Caio usa a mesma lógica: passou dois meses repetindo que ia nocautear Paul Craig e nocauteou.

Quando chegou ao UFC, em 2022, o Caio disse numa entrevista que seria campeão até o fim de 2025. Hoje, segundo ele, são sete vitórias seguidas no UFC, nove contando o Contender, e ele é o quinto do ranking. Já desafiou Dricus du Plessis três vezes, mas conta que ouviu do UFC que deve fazer mais uma luta antes do cinturão, e quer o Adesanya em fevereiro ou março.

Ele também pensa no depois. Diz que planeja se aposentar aos 35, viver de renda e ficar no MMA como comentarista, empresário e técnico. Já foi o treinador principal do camp da Bruna Brasil para uma luta do UFC na Inglaterra, que ela venceu. E, como ex-professor de matemática e química, quer fazer uma temporada de seminários pelo Nordeste. Contou que estuda muito o John Danaher.

Fechei o episódio com a sensação de que o Caio lê o UFC como um tabuleiro. Ele sabe com quem treinar, quando provocar e quando ficar quieto, e trata cada bastidor como aprendizado. No fim, ele prometeu levar o cinturão para casa e disse que espera um dia ser lembrado como o Werdum.

Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.