Werdum Responde
Shogun bateu no Werdum no sparring? A resposta sobre o camp para Velasquez
No oitavo Werdum Responde, o ex-campeão do UFC explica como funciona o sparring num camp, defende a capoeira como arte marcial e lembra a homenagem que fez Marco Ruas chorar.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 3 min de leitura
Entrevista completa no canal Werdum Responde, publicada em 24 mar 2023 (0:20:15).
Um seguidor quis saber se o Maurício Shogun chegou a bater no Fabrício Werdum nos treinos para a luta contra o Cain Velasquez. No oitavo episódio do Werdum Responde, a pergunta foi respondida pelos dois lados: pelo Werdum no estúdio e pelo próprio Shogun, num vídeo gravado na Itália.
“Nada demais, tá no manual, né?”
Maurício Shogun, no Werdum Responde · 0:16:39
Assisti e achei a explicação do Werdum uma aula sobre o que acontece num camp de verdade. Quem nunca viveu uma preparação de luta costuma achar que apanhar do sparring é vergonha. O Werdum mostrou por que não é bem assim.
Como funciona o sparring num camp
Segundo o Werdum, é normal o sparring ganhar do lutador no começo da preparação, quando o atleta principal ainda não está tão bem. Pode acontecer de o sparring finalizar, nocautear ou ganhar o round.
Com o passar das semanas, a coisa se inverte. O foco do camp é cem por cento no lutador, e chega uma hora em que o sparring não aguenta mais acompanhar. O Werdum contou que, na preparação no México, ele e o Shogun estavam no mesmo time, mas cada um tinha os seus sparrings separados. E garantiu que, naquela época, nada aconteceu.
“Pode acontecer, claro, o sparring ganhar do lutador. Mas é até uma época, não é o tempo inteiro.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:14:19
No estúdio, ainda sobrou brincadeira com o jeito de falar dos irmãos Shogun e Ninja: como o sobrenome é Rua, a língua da família seria o ruanês, que só eles entendem, porque atropelam as palavras. O Werdum admitiu que também faz isso às vezes e disse que tenta falar mais pausado.
Capoeira é arte marcial, sim
Um seguidor comentou que a capoeira usa mais chute do que mão e que os praticantes ficam girando como numa dança. O Werdum discordou. Para ele, a capoeira é arte marcial como o kung fu, o karatê e o jiu-jitsu, e muita gente confunde com dança por causa da música.
Ele disse ainda que a capoeira é muito boa para o MMA, desde que combinada com outras coisas. Segundo o Werdum, ela dá uma malandragem no bom sentido e uma atenção a mais: o capoeirista é arisco, está sempre atento a tudo.
“É uma arte marcial também, como kung fu, como karatê, como jiu-jitsu.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:07:29
O assunto veio de um episódio anterior do Nem Me Viu com um capoeirista, em que o Werdum levou uma desafiadinha no chute e ficou quieto. Ele explicou que o convidado é amigo do irmão dele e que não viu maldade. Também esclareceu uma pergunta que fez ao vivo sobre a história da capoeira: a palavra que ele queria usar era romantizada. Segundo o Werdum, ele não quis ofender ninguém.
A homenagem que fez Marco Ruas chorar
Quando um seguidor sugeriu chamar o Marco Ruas, que estava no Rio, o Werdum lembrou que já tinha feito duas partes de entrevista com ele no quadro Churrasco e Papo Furado, além de uma homenagem. Ele juntou vários lutadores e professores conhecidos para mandar mensagens ao Marco Ruas, e o mestre chorou.
“Eu coloquei todos os lutadores conhecidos, professores, para mandar uma homenagem ao Marco Ruas, e ele chegou a chorar.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:12:13
O Werdum disse que ainda quer receber o Marco Ruas no Nem Me Viu.
O Werdum mais calmo
Um seguidor elogiou a evolução emocional do Werdum, que antes era esquentado. Ele agradeceu, mas deixou claro que depende da situação: gosta de brincar, mas não gosta de ser feito de bobo. E disse que não aceita a ideia de que não pode responder a uma discussão só porque é lutador e grande. Para ele, crítica construtiva se responde na boa, e xingamento vai ter resposta à altura.
O que fica é o Werdum explicando, sem vaidade, uma coisa que todo atleta sabe e pouca gente de fora entende: no treino, perder um round faz parte do trabalho.
Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.