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Werdum Responde

Werdum lembra a primeira luta: numa garagem em Londres, de camiseta

Fabrício Werdum conta como estreou magro e envergonhado, volta atrás sobre Popó e defende o jiu-jitsu contra quem diz que só boxe é luta de homem.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 3 min de leitura

Entrevista completa no canal Werdum Responde, publicada em 21 jul 2023 (0:18:34).

Pouca gente imagina o Fabrício Werdum, peso-pesado e campeão, subindo para a primeira luta da vida de camiseta porque tinha vergonha de ser magro. Foi assim, segundo ele. A história apareceu quase sem querer no Werdum Responde número 12, o quadro em que ele e o treinador Rangel Farias leem os comentários do canal.

Um seguidor comparou o Rangel ao Wolverine, a conversa foi parar em lutar sem camisa, e o Werdum lembrou da estreia. Segundo ele, foi numa garagem, uma luta de fundo de quintal em Londres, e por isso deixaram ele subir de camiseta.

“Foi a primeira luta que eu lutei na vida. Eu era muito magro, então eu tinha vergonha.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:13:02

Estreia de camiseta e vitória no triângulo

O Werdum contou que sempre foi muito alto e que, naquela época, era mais magro até que o Ian, da produção do programa. Mesmo assim lutou como peso-pesado. Ele recebeu 200 pela luta (primeiro disse euros, depois corrigiu para libras) e venceu finalizando o adversário num triângulo.

“Finalizei o cara no triângulo.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:14:05

Gosto desse tipo de lembrança porque mostra o começo de verdade. Antes do Pride, do UFC e dos cinturões, teve um garoto magro numa garagem, de camiseta, resolvendo a luta com o jiu-jitsu.

Resposta a quem diz que só boxe é luta de homem

O programa abriu com um comentário provocativo: boxe e muay thai seriam luta de homem, o resto seria gente agarrada. O Werdum discordou. Disse que respeita todas as artes marciais, do aikido ao caratê, e explicou o papel de cada uma no MMA: o judô ajuda nas quedas, o jiu-jitsu no chão, e uma arte isolada já não dá conta hoje em dia.

“Entre os estilos isolados, com jiu-jitsu não tem. Foi comprovado.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:02:39

Ele lembrou até de uma viagem à China, onde foi convidado e conheceu o tai chi chuan. Segundo o Werdum, é uma arte dura e muito concentrada na respiração e na energia. Ele reconheceu que um praticante de tai chi dificilmente venceria um lutador de muay thai numa luta, mas disse que a arte soma na vida de quem pratica e merece respeito.

Popó, Whindersson e a retratação

Sobre boxe, o Werdum voltou a um palpite antigo. Ele estava presente na luta entre Popó e Whindersson Nunes e, na hora, achou que o Popó não tinha conseguido derrubar o humorista. Depois, vendo com calma, mudou de ideia e disse isso ao próprio Popó.

“Popó, eu achava realmente que tu não conseguiu derrubar, mas vendo depois, eu falei besteira.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:01:34

Ele reconheceu que o Whindersson melhorou muito e aguentou bastante, e que o Popó, sem lutar havia tempo, não estava na forma dos tempos de campeão mundial. Mesmo assim, para o Werdum, é outro nível e tem que respeitar.

O Werdum contou que viu a luta de perto e percebeu que o Popó também suou bastante. Disse que, justamente por ter estado lá, achou que o campeão não tinha conseguido impor a diferença. Foi revendo depois, com mais calma, que ele entendeu que o Popó simplesmente não quis derrubar o Whindersson. Por isso a retratação foi feita cara a cara, quando o Popó esteve no programa.

Cabeçada no vale-tudo e respeito ao professor

Comentando a primeira luta do Wanderlei Silva, mostrada num episódio do Nem Me Viu, o Werdum confessou uma vontade antiga: lutar com cabeçada liberada. Ele nunca lutou assim. Segundo ele, no Pride não podia, mas no Brasil houve uma época em que valia, no começo do Meca. Para ele, vale-tudo tinha que ser vale-tudo mesmo.

No fim, um seguidor elogiou o Rangel como treinador, e o Werdum aproveitou para falar da relação dos dois. Disse que são amigos, mas que no tatame o Rangel é o professor e ele é o aluno. Contou que sempre foi um bom aluno e que respeita o Rangel pela história e pelos treinadores que ele teve.

Ele deu um exemplo de como funciona essa hierarquia. Se o Rangel manda ficar deitado vinte minutos num exercício, ele fica. Na hora do treino, segundo o Werdum, quem decide o que trabalhar é o professor, e ele obedece. Disse que sabe separar a brincadeira do programa da relação no tatame.

É um episódio curto e cheio de brincadeira, mas a estreia em Londres já vale a visita. Ajuda a entender de onde vem a confiança que o Werdum sempre teve no jiu-jitsu.

Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.