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Werdum Responde

Werdum revela que quase desistiu no meio da luta contra Cigano sem luvas

No primeiro Werdum Responde depois da derrota, Fabrício Werdum conta que chegou a pedir para parar entre o segundo e o terceiro round e voltou atrás em segundos.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 3 min de leitura

Entrevista completa no canal Werdum Responde, publicada em 28 set 2023 (0:32:19).

Entre o segundo e o terceiro round da luta sem luvas contra Junior Cigano, o Fabrício Werdum chegou a dizer ao mestre que não dava mais. O técnico perguntou se ele tinha certeza, fez o sinal para o árbitro, e o Werdum voltou atrás a tempo. A revelação veio no primeiro Werdum Responde depois da derrota, gravado ainda com o rosto marcado e de óculos.

“Eu falei: mestre, não dá mais, eu tô todo quebrado.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:20:26

Assisti ao episódio e esse trecho me pegou. Quem treina sabe como é aquele minuto no banquinho, quando o corpo pede para parar e a cabeça tem que decidir sozinha.

A dor que quase o fez parar

Segundo o Werdum, o fôlego estava em dia. O que pesava era a dor: na perna, no pé e no dedo. Foi aí que falou em desistir. O mestre chegou a fazer o gesto para o juiz de que a luta tinha acabado, e quando o árbitro veio confirmar, o Werdum mandou esperar e disse que estava bem.

“Eu ia me arrepender pro resto da vida.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:20:58

Ele contou que, se tivesse parado, talvez estivesse em casa deprimido em vez de gravando o programa. Para ele, foi uma briga consigo mesmo resolvida em poucos segundos: tinha treinado, tinha feito tudo certo, não havia motivo para parar. A luta foi até o fim e terminou em decisão dividida, sem nocaute.

O knockdown e o corte no olho

O Werdum também explicou o knockdown do começo da luta. Segundo ele, o direto do Cigano pegou de raspão, num momento em que ele tinha colocado o peso para frente. Ele garantiu que não ficou tonto e que teria admitido sem problema se tivesse ficado.

O corte veio depois, quando os dois já estavam de pé de novo: um soco no olho direito. Ele disse que sentiu todas as sensações da luta, até o cheiro do sangue. E lembrou que, sem luva, qualquer golpe machuca.

Sem desculpas para a derrota

Um seguidor disse que o Werdum estava cheio de desculpas. Ele respondeu que só contou o que aconteceu no camp, coisas boas e ruins, e que desde o começo admitiu que o Cigano foi melhor. Contou que quebrou dedos do pé antes da luta e não podia mostrar, porque o evento poderia cancelar o combate.

“Eu admiti desde o começo: o Cigano foi melhor que eu e acabou.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:08:20

Ele disse ainda que nunca foi espancado na carreira. Foi nocauteado e dormiu algumas vezes, reconheceu, mas nunca tomou uma surra, e para ele esta luta também não foi isso: foi parelha, com muita experiência e pouca briga.

Sobre o adversário, o Werdum disse que o Cigano o surpreendeu. Os dois tinham uma rivalidade forte, não se falavam nem se olhavam, mas a atitude respeitosa dele depois da luta mudou a opinião do Werdum. Mesmo assim, sair para beber juntos não estava nos planos: ele foi direto para o hospital levar pontos e fazer tomografia.

Três anos sem lutar pesaram

O comentário que o Werdum mais aceitou foi o do Carlão Barreto, que no Papo de Luta disse que faltou ritmo. O Werdum concordou: três anos sem lutar fazem diferença, e ele perdeu o tempo da luta.

“Eu bati pouco. Andei pra frente, mas faltou colocar os golpes, arriscar mais.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:18:52

Ele explicou o outro lado da conta: o Cigano estava perigoso, e passar da linha podia significar ser nocauteado. Entre mostrar que é bravo indo para frente e fazer uma luta inteligente, ele escolheu preservar a integridade física. Também disse que achou o Cigano muito grande e forte, e que apostava que tanta musculação cobraria no fôlego, lembrando que ele mesmo sofreu com dores nos braços nas primeiras semanas de treino nos Estados Unidos até o corpo virar de lutador.

Sobre uma trilogia, ele acha muito difícil. Com 2 a 0 para o Cigano, não vê sentido. O que fica do episódio é um Werdum que aceita a derrota sem enfeite e ainda se orgulha de uma coisa: quando pensou em desistir, não desistiu.

Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.