Podcast Nem Me Viu · Acelino Popó Freitas
Popó conta a Werdum por que não derrubou Whindersson e derrubou Pelé Landi
No Nem Me Viu, o campeão mundial de boxe explicou a diferença entre o boxe e o MMA, falou da briga com Pelé e revelou que é faixa-azul de jiu-jitsu.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 5 min de leitura
Entrevista completa no canal Podcast Nem Me Viu, publicada em 2 nov 2022 (1:42:41).
O Fabrício Werdum abriu a conversa com o Popó com um pedido de desculpas. Depois da exibição de boxe do Popó contra o Whindersson Nunes, o Werdum tinha discutido com o irmão e com os amigos: para ele, o Popó bateu forte e o humorista aguentou. Todo mundo dizia que o baiano não derrubou porque não quis. Aí veio a luta contra o Pelé Landi, e o Werdum mudou de ideia.
“Pior que eu tava errado, eu queria falar isso na tua frente.”
Fabrício Werdum, no Podcast Nem Me Viu · 0:18:08
Assisti ao episódio do Nem Me Viu e foi uma aula de boxe contada por quem foi o brasileiro com mais títulos mundiais no esporte. O Popó explicou o que segurou nas duas lutas, por que o preparo físico do boxe é outro e por que, aos 40 e poucos anos, preferiu ficar só no boxe em vez de ir para o MMA.
Whindersson, Pelé e a contagem que irritou o Popó
Segundo o Popó, contra o Whindersson ele acertava, sentia o golpe entrar e dava uma volta, parava, se movimentava. Numa hora deu um cruzado e o árbitro abriu contagem. Contra o Pelé aconteceu parecido, e ali ele ficou chateado com o juiz, porque, na leitura dele, o pessoal do evento tinha pedido para ele dar uma segurada.
O Popó disse que não havia motivo nenhum para segurar o Pelé. Ele contou que o adversário xingou a mãe dele na pesagem e que, no café da manhã do hotel, ameaçou bater no filho dele. Depois da luta, ainda segundo o Popó, a esposa do Pelé foi reclamar no lobby do hotel. O Werdum, que conviveu com o mundo da Chute Boxe, completou que o Pelé tinha falado do Wanderlei Silva, do mestre Dida e da equipe toda antes da luta.
“O cara que xingou minha mãe, o cara que queria bater no meu filho, deixa eu fazer minha luta.”
Acelino Popó Freitas, no Podcast Nem Me Viu · 0:19:11
O Popó também disse que o golpe que derrubou o Pelé entrou de encontro, quando o adversário deu uma puxadinha para trás. Para ele, estudar o oponente só funciona se você souber quem você é como lutador: ele sabe como dá o direto, então sabe de onde o direto do outro vem.
Por que o boxe cansa mais
Essa foi a parte que mais me chamou atenção. O Popó explicou que no MMA dá para agarrar, encostar o peso e respirar. No boxe, o árbitro separa e a troca recomeça. Por isso, segundo ele, o condicionamento do boxe é maior, e até cortar peso como a turma do MMA corta pode acabar com o lutador no ringue.
Ele falou das pernas como a maior defesa do boxe, mais do que o pêndulo e a esquiva, e disse que a maioria dos atletas de MMA não corre todo dia. Por isso ele prefere o boxe hoje: são duas coisas para cuidar, técnica e preparo físico, em vez das cinco modalidades do MMA.
“A maior defesa do boxe são as suas pernas.”
Acelino Popó Freitas, no Podcast Nem Me Viu · 0:21:19
O Werdum emendou com uma história dele. Contou que, antes de ser campeão do UFC, ouviu de um boxeador mexicano que precisava ir para a altitude dois ou três meses antes, e não uma semana. Foi, ficou dois meses e meio na Cidade do México e disse que ali aprendeu a correr. Segundo ele, foi uma das preparações mais difíceis da vida, e ele foi campeão com uns 37 anos.
Mão de pedra, faixa-azul e o jiu-jitsu
O Werdum reparou que a mão do Popó nem é tão grande e perguntou de onde vem a força. A resposta foi genética. O Popó disse que nunca fez musculação e que a técnica aprimora a colocação do golpe, mas a pegada já nasce com o lutador. Ele contou que, com 16 anos, venceu um adversário mais velho que já tinha ido a uma Olimpíada.
E teve uma revelação que interessa a quem é do tatame: o Popó é faixa-azul de jiu-jitsu. Ele contou que fez umas quatro aulas e o professor quis dar a faixa. A justificativa dele foi boa: tem muita gente com faixa-preta que só luta MMA e nunca aplica uma chave no chão.
“Eu sou faixa-azul de jiu-jitsu. Só fiz umas quatro aulas.”
Acelino Popó Freitas, no Podcast Nem Me Viu · 0:40:05
O Popó também comentou a luta do Charles Oliveira. Para ele, quem mais finalizou na história sabe sair de finalização, e o Charles talvez tenha esperado demais o adversário encaixar em vez de virar a posição na hora. E disse que gostaria que o Anderson Silva tivesse mais maldade no boxe.
Minotauro, Anderson e o respeito entre lutadores
No quadro de fotos do programa, o Werdum lembrou que foi o Minotauro quem não deixou o Anderson Silva parar, numa fase em que, segundo ele, o Anderson estava sem dinheiro e cansado de tudo. O Werdum disse que lutou duas vezes com o Minotauro, uma no Pride e outra sete anos depois no UFC.
O Popó criticou o Vitor Belfort pela luta contra o Evander Holyfield. Na visão dele, o americano aceitou a luta com uns dez dias de antecedência e o Vitor poderia ter deixado a luta correr uns rounds. O Werdum discordou em parte: disse que entendia o Vitor, que cresceu vendo o Holyfield lutar. Sobre o José Aldo, o Popó contou que ficou chateado quando o Aldo disse num programa de TV que ele estava velho e gordo.
Empresário, política e o projeto que regulamentaria o MMA
Perguntado sobre a luta mais difícil da vida, o Popó falou de fora do ringue: morar numa casinha sem janela com cinco pessoas e, já campeão mundial, ver empresários ficarem com 75% da bolsa. Ele contou que tentou mudar o contrato e chegou a receber uma liminar que embargava uma luta nos Estados Unidos.
Ele também contou que, como deputado federal, fez um projeto de lei para regulamentar o MMA como esporte, para que os atletas pudessem receber o Bolsa Atleta. Segundo ele, outro deputado apresentou um projeto contrário, dizendo que o esporte deixava as crianças violentas, e a ideia não foi para frente. Hoje o Popó toca um projeto de boxe como inclusão social em Salvador desde 2006.
“O esporte muda a vida das pessoas.”
Acelino Popó Freitas, no Podcast Nem Me Viu · 1:40:10
O que fica da conversa é que o Popó vê o boxe e o MMA como irmãos com regras diferentes. Ele respeita quem vem da luta agarrada, admite a faixa-azul com humor e diz que o próximo alvo é uma luta contra o Maidana nos Estados Unidos. O Werdum, por sua vez, disse que só pensaria em voltar para uma revanche contra o Fedor, que ele garante que finalizaria de novo.
Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.