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Dos Nossos Podcast · Wanderlei Silva

Wanderlei Silva diz que vai pedir desculpas a Dana White e cobra Belfort

No Dos Nossos Podcast, o Cachorro Louco contou ao Werdum que errou na briga com o chefe do UFC, disse que Vitor Belfort fugiu da revanche e lembrou os anos de ídolo no Japão.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 5 min de leitura

Entrevista completa no canal Dos Nossos Podcast, publicada em 9 abr 2024 (2:23:10).

O Wanderlei Silva brigou com o Dana White nos tempos de UFC e saiu de lá queimado. Agora, sentado no Dos Nossos Podcast ao lado do amigo Fabrício Werdum, ele disse que, quando encontrar o dono do evento de novo, vai pedir desculpas. Segundo o Wanderlei, ele se comportou mal, foi influenciado por outras pessoas e comprou uma briga que nem era dele.

Assisti à conversa, gravada de improviso numa segunda-feira em São Paulo, e o que mais me chamou atenção foi esse Wanderlei mais calmo, fazendo as contas da própria carreira. Ele falou do Japão, do começo em Curitiba, do Anderson Silva, da falta de revanche com o Vitor Belfort e da luta que mais o intimidou.

O mea-culpa com o chefe do UFC

O assunto apareceu no quadro em que o convidado diz se uma pessoa é "dos nossos" ou não. Quando surgiu a foto do Dana White, o Wanderlei contou que tinha opiniões diferentes das do chefe e que acabou ficando contra o próprio patrão. Hoje, como empresário, disse que enxerga o outro lado.

“Eu tava mordendo a mão que me alimentava.”

Wanderlei Silva, no Dos Nossos Podcast · 1:54:48

Ele explicou que brigava para os atletas ganharem mais, mesmo ganhando muito bem, e que ninguém foi junto com ele. Segundo o Wanderlei, o UFC deu a ele os melhores palcos, lutas justas no peso dele e bolsas altas. Por isso colocou o Dana como "dos nossos" e disse que o americano mudou a cara do esporte. O Werdum discordou: contou que sentia que o Dana tinha alguma coisa com os brasileiros e preferiu não dar o selo ao dono do UFC.

Belfort, Chael Sonnen e Rampage

O tom mudou quando apareceu o Vitor Belfort. O Wanderlei disse que nunca foi com a cara dele fora do tatame e que achou uma sacanagem a revanche nunca ter acontecido. Segundo ele, o Belfort tinha vencido a primeira luta entre os dois e, mesmo assim, no período em que o Wanderlei ganhava tudo no Japão, ninguém casou o reencontro. Depois veio a chance no TUF Brasil, e o Belfort se machucou.

O Wanderlei contou que o Belfort alegou ter quebrado a mão no treino e que o pessoal do programa o chamava de "diva" por causa da equipe de massagem e fisioterapia que levava para treinar. Ele disse não acreditar na história.

“Eu acho muito difícil um atleta profissional golpear um companheiro no treino tão forte ao ponto de quebrar a mão.”

Wanderlei Silva, no Dos Nossos Podcast · 2:08:35

Para ele, o Belfort amarelou. Numa pergunta do chat, sobre o Belfort dizer que ainda quer lutar com ele, o Wanderlei respondeu que é conversa e que o Belfort tem medo. Já com o Chael Sonnen, a história acabou bem: os dois foram rivais no TUF, lutaram nos Estados Unidos e, depois, conversando, o Wanderlei descobriu um cara gente boa. Ele disse que o Chael foi quem começou a promover luta com trash talk e que isso mudou o MMA. Sobre o Rampage Jackson, disse que a rivalidade foi boa para os dois e que toparia um papo no podcast do americano.

De gordinho de bairro a ídolo no Japão

O Wanderlei contou que era um gordinho de bairro em Curitiba, filho de um motorista de ônibus e de uma cozinheira de restaurante, sem nenhum esportista na família. Entrou na academia aos 14 anos, começou a ouvir outra música, conhecer outras pessoas e pegar disciplina. Treinou a vida toda com o mestre Rafael Cordeiro.

“Eu entrei na academia com 14 anos de idade e saí com 44.”

Wanderlei Silva, no Dos Nossos Podcast · 0:16:05

No Brasil, lembrou, lutava para 2.500 ou 3.000 pessoas. Quando chegou ao Japão, o público de cara foi de 17 a 20 mil, com outra mídia e outro dinheiro. Segundo ele, foram quase seis anos invicto e 22 vitórias seguidas por lá, com o título de melhor atleta do mundo. O Werdum contou que já viu grávidas japonesas pedindo para o Wanderlei tocar na barriga, para dar sorte ao bebê.

“Se eu não entrasse numa academia, eu jamais ia saber que eu era um Wanderlei Silva.”

Wanderlei Silva, no Dos Nossos Podcast · 0:42:16

Las Vegas, Anderson e o conselho ao Borrachinha

O Wanderlei contou que se mudou para os Estados Unidos em 2007, primeiro para a Flórida, e depois foi para Las Vegas treinar na academia do Randy Couture. Na quarta-feira de sparring, disse, ninguém queria treinar com ele. Foi aí que decidiu montar a própria academia. Ele lembrou ainda de um peso-pesado que gravava vídeo de divulgação para o UFC, quis se exibir no treino e levou um knockdown.

O Werdum lembrou que o sonho dele era treinar com o Wanderlei na Chute Boxe, mas que, quando chegou, o Wanderlei tinha acabado de sair para os Estados Unidos. Os dois só se conheceram lá.

Sobre o Anderson Silva, que treinou com ele por muito tempo, o Wanderlei disse que o maior talento do Spider é a vontade de treinar. Contou que havia outro atleta na academia, em Curitiba, que era melhor e chegou a vencer o Anderson duas vezes no treino, mas não gostava de treinar tanto e não foi longe. E lembrou que o Anderson pensou em desistir numa época, até o Minotauro ajudá-lo a voltar.

O Paulo Borrachinha foi do time do Wanderlei no TUF, escolhido por ser agressivo e grande. O conselho que deixou foi entrar numa equipe de verdade, como a CM System, a academia do Dida ou a do Rafael Cordeiro, em vez de treinar só com treinadores particulares. Com um time, disse, o Borrachinha tem potencial para ser campeão.

Liddell, Cro Cop e o que fica

No fim, respondendo ao humorista Vitor Sarro, que ligou para cobrar a pergunta, o Wanderlei apontou a estreia no UFC contra o Chuck Liddell, em 2007, como uma das lutas mais difíceis da carreira. Segundo ele, a luta entrou para as dez melhores da história do evento, rendeu bônus e foi a bolsa mais alta que recebeu: 1,5 milhão de dólares. O adversário que mais o intimidou foi o Cro Cop, que ele descreveu como imponente, sério e mais alto.

“Tá com medo, vai com medo mesmo.”

Wanderlei Silva, no Dos Nossos Podcast · 2:21:03

Para quem quer ser lutador profissional, o conselho dele foi escolher uma academia boa e uma arte que sirva para o MMA, porque no fim é preciso lutar em pé e no chão contra gente de alto nível. E, para os pais, recomendou colocar o filho numa arte marcial: no tatame, disse, ninguém é mais do que ninguém. Saí da conversa com a sensação de ouvir um cara que brigou com meio mundo e agora quer fechar as contas em paz.

Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.