Werdum Responde
Werdum explica a derrota de Charles do Bronx: não era o dia dele no UFC
Fabrício Werdum comenta a finalização sofrida por Charles, diz quem usou melhor o jiu-jitsu no MMA depois de Royce e manda recado para Mirko Cro Cop.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 3 min de leitura
Entrevista completa no canal Werdum Responde, publicada em 4 nov 2022 (0:18:44).
O Fabrício Werdum não enrolou quando um seguidor perguntou o que ele achou da derrota do Charles do Bronx. No quarto episódio do Werdum Responde, o quadro em que ele lê e responde os comentários do canal, a resposta veio seca: o Charles não estava no dia dele, e isso dava para ver de longe.
“Ele não tava no dia dele, não adianta. Dava pra ver nitidamente.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:13:36
Assisti ao episódio e gostei do jeito que ele tratou o assunto. Sem caçar culpado e sem diminuir o adversário. O Werdum lembrou que o Charles chegou confiante e bem treinado, mas que do outro lado havia um lutador muito bom, que naquele momento foi melhor.
Respeito ao lutador russo
O ponto que o Werdum mais bateu foi o tamanho do feito do adversário. Segundo ele, finalizar o homem que mais finalizou gente na história do UFC merece respeito, e ponto.
“O cara que mais finalizou gente no UFC da história, e o russo me pega e finaliza ele. Então tem que respeitar o cara.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:14:07
Para o Werdum, faltou ao Charles aquele equilíbrio que ele sempre defende entre cabeça e corpo. Fisicamente estava bem, mas a cabeça, na leitura dele, não estava cem por cento. Ele disse ter certeza de que o Charles volta mais forte e pode emendar outra sequência histórica de vitórias. Sobre o domínio dos russos, o Werdum contou que já falava daquele adversário havia muito tempo e deu o ranking dele de hoje: brasileiros e russos na frente, americanos em terceiro. Nas palavras dele, os russos são muito duros.
O melhor jiu-jitsu do MMA depois de Royce
Outra pergunta que rendeu foi quem aplicou melhor o jiu-jitsu no MMA depois do Royce Gracie. O seguidor deu as opções: Demian Maia, Jacaré, Charles ou o próprio Werdum, sem modéstia. Ele nem pensou muito.
“Se eu fosse botar alguém, eu vou ser bem sincero: eu mesmo.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:09:58
Popó, Whindersson e a mudança de opinião
O Werdum também voltou atrás numa opinião. Ele e o Wanderlei Silva tinham dito que o Popó não conseguiu derrubar o Whindersson Nunes, e um seguidor cobrou a coerência. O Werdum contou que antes não acompanhava muito as lutas do Popó e que, depois de vê-lo lutar de novo, mudou de ideia: o Popó segurou a mão contra o Whindersson.
Ele fez duas ressalvas. O Popó não está na mesma forma física de quando era campeão mundial, e o Whindersson chegou muito bem preparado, o que surpreendeu o Werdum. E deixou claro que, no lugar do Popó, não aliviaria ninguém, porque nunca se sabe até que ponto o outro pode te nocautear.
Recado para Mirko Cro Cop
A pergunta que eu mais queria ver respondida era se o Werdum lutaria hoje contra o Mirko Cro Cop. Ele disse que sim, com um bom cachê. Contou que passou de 2004 a 2006 ajudando o croata na Croácia e que os dois ficaram próximos, mas separou bem as coisas: amigos de verdade, segundo ele, são Barão, Babalu e Wanderlei. Como o Mirko falou umas besteiras, o Werdum avisou o que faria.
“Botaria pro chão e finalizaria ele, pra ele aprender a falar demais.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:17:49
Da Praça Tamandaré ao cinema
Teve espaço para lembrança também. O Werdum contou que em Porto Alegre ficava muito na Praça Tamandaré, no bairro Petrópolis. Segundo ele, a turma jogava bola, brigava bastante e fazia quentão num latão de lixo para aguentar o frio abaixo de zero. Ele admitiu que usou muita droga naquela época e disse que é por isso que hoje não gosta de beber.
No fim, um seguidor zoou o filme Kickboxer Retaliation, com Van Damme. O Werdum levou na esportiva: contou que passou quase duas semanas na Tailândia, que o cachê foi de 100 mil dólares e que não falou nada no filme, só chutou. E concordou com a crítica: o filme é ruim mesmo.
O que fica do episódio é o Werdum de sempre: sincero, brincalhão e muito seguro do próprio jiu-jitsu. Na análise do Charles, o recado foi de respeito aos dois lados, e isso eu achei a parte mais madura da conversa.
Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.