Werdum Responde
Werdum revela treino com Jon Jones em quarto de hotel e diz que o finaliza
No nono Werdum Responde, o ex-campeão do UFC conta pela primeira vez o rola que fez com Jon Jones, fala do soco de Wanderlei Silva e analisa a revanche de Poatan e Adesanya.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 4 min de leitura
Entrevista completa no canal Werdum Responde, publicada em 28 abr 2023 (0:28:50).
O Fabrício Werdum tem certeza absoluta de que finalizaria o Jon Jones numa luta de grappling. No nono episódio do Werdum Responde, ele explicou de onde vem tanta confiança e contou uma história que, segundo ele, nunca tinha divulgado: um rola improvisado com o americano num quarto de hotel, com o Wanderlei Silva filmando.
“Eu tenho absoluta certeza que eu finalizo ele. É a confiança que eu tenho no meu jiu-jitsu.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:23:15
Assisti ao episódio e essa história vale o vídeo inteiro. Mas antes dela o Werdum deixou claro o cenário. Uma luta de MMA entre os dois, segundo ele, é quase impossível: ele passou 14 anos no UFC, está com 45 anos e disse que nem quer voltar, nem seria contratado. Uma luta de grappling poderia acontecer, mas ele também acha difícil.
O rola no quarto de hotel
O Werdum contou que foi num evento, em Goiânia pelo que ele lembra, para o qual foram convidados ele, o mestre Rafael Cordeiro e o Wanderlei, além de outros lutadores. O Jon Jones estava lá, quis se enturmar e foi com eles para o quarto bater papo. O Werdum já tinha chamado o americano para treinar e ouviu que ele estava ali para se divertir. Mas a ideia ficou na cabeça do Jon.
Chegando no quarto, o Jon Jones chamou para treinar ali mesmo, tirou o relógio e colocou de lado. O espaço era pequeno. O Wanderlei começou a filmar. Os dois começaram de joelhos, bateram a mão, e o Werdum achou que seria um rolinho técnico, na boa.
A realidade foi outra. Segundo o Werdum, o Jon pulou direto no pescoço dele buscando uma guilhotina. O Werdum fez uma ponte, jogou o americano, que ficou nas costas dele sem os ganchos, perto da cama, e conseguiu se virar e defender. Os dois levantaram, e o Jon Jones entrou num double leg. Na queda, o Werdum já foi na kimura. Aí os dois pararam.
“Eu pensava que ia ser um rolinho. Foi muito rápido. Tudo isso foi em 40 segundos, no máximo um minuto.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:26:56
O Werdum admitiu que não dá para saber se a kimura teria saído, porque o Jon poderia defender. Disse que nunca falou disso porque treino não se comenta, mas que aquilo aconteceu fora de um treino marcado. E é daí, segundo ele, que vem a certeza de que, bem treinado, pega o americano. Numa luta de MMA no sábado seguinte, porém, ele disse que aceitaria pelos milhões, mas sem garantir vitória, porque não está treinando para isso.
O soco mais forte da vida
Antes, um seguidor lembrou o Wanderlei como um monstro que ia sempre para frente. O Werdum concordou e contou que o soco mais forte que levou na vida foi do Wanderlei, no sparring. Para explicar, usou uma imagem: era como levar uma pedra de cascalho na cabeça. Segundo ele, basta apertar a mão do Wanderlei para sentir.
“O soco mais forte que eu levei na vida foi do Wanderlei.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:04:12
O Werdum contou ainda que começou no MMA inspirado por dois ídolos: a agressividade do Wanderlei e o coração do Minotauro, que apanhava e dava a volta por cima. Ele lembrou a luta do Minotauro contra o Bob Sapp, em que o brasileiro vinha apanhando muito e pegou o braço do adversário.
Poatan x Adesanya: a revanche
Sobre a revanche entre Alex Poatan e Israel Adesanya, o Werdum achou a luta muito técnica e de nível alto. Pelo que o Lyoto Machida contou a ele, o Poatan sabia que precisava aproveitar aquele momento. Para o Werdum, o Adesanya foi muito inteligente: na primeira luta tentou agarrar o Poatan e se abriu, e na segunda se fechou, aguentou os golpes e deu o contragolpe na hora certa.
“Quando tu tá atacando, tu tá completamente aberto. Ou tu ataca ou defende, não tem como fazer as duas ao mesmo tempo.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:08:55
Ele criticou quem aparece como técnico depois da luta. Só o lutador, segundo ele, sabe o que sente na hora. E discordou de um seguidor que culpou o terno que o Poatan passou a usar: para o Werdum, isso faz parte do negócio e da assessoria do atleta, e o Poatan é sério e treina muito.
Chael Sonnen, Conor e o limite da provocação
Um seguidor lembrou que o Chael Sonnen falou muito do Brasil antes de enfrentar o Anderson Silva, e o Werdum respondeu que o conheceu pessoalmente e que ele é muito gente boa. Na leitura do Werdum, foi o Chael quem começou essa onda de provocação, com um personagem inteligente. Já o personagem de Colby Covington, segundo ele, soa forçado.
O Werdum contou que não gostava do Conor McGregor porque estava do lado do José Aldo, e que os dois chegaram a trocar farpas pela internet. Hoje, disse, não tem nada contra o irlandês. O limite dele é claro: falar do país ou da família do adversário, ele não aceita.
Ele ainda deixou um abraço para o jornalista Marcelo Alonso, que segundo o Werdum sabe toda a história do MMA, do jiu-jitsu e do grappling. O que fica do episódio é a história do quarto de hotel, contada com detalhe de quem sabe onde a mão foi parar, e a confiança de um campeão que continua acreditando no próprio jiu-jitsu.
Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.