Podcast Nem Me Viu · Laerte Viana
Laerte Viana põe Miocic acima de Fedor e analisa Charles x Makhachev
O jornalista de MMA passou pelas grandes lutas do fim de 2023, e o Werdum aproveitou para contar do Pride, do Minotauro e do sparring com o Poatan.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 5 min de leitura
Entrevista completa no canal Podcast Nem Me Viu, publicada em 5 out 2023 (3:15:30).
O Laerte Viana chegou ao Nem Me Viu disposto a arrumar briga com metade da internet. Logo na primeira luta que comentou, disse que o Stipe Miocic é o maior peso-pesado da história, acima até do Fedor. E o Fabricio Werdum, que venceu o Fedor, estava sentado do lado dele.
Assisti às mais de três horas de conversa. O Laerte fez o que sabe fazer, que é explicar luta com dado na mão, e o Werdum foi puxando as próprias histórias pelo caminho: o dinheiro vivo do Pride, a revanche com o Minotauro e o dia em que fez sparring com o Alex Poatan.
Miocic, Jones e o maior peso-pesado
O argumento do Laerte é o currículo. Segundo ele, o Miocic venceu o próprio Werdum, o Cigano, o Mark Hunt, o Overeem, o Daniel Cormier duas vezes e o Ngannou, e tem o maior número de defesas de cinturão entre os pesados do UFC. Tudo isso numa época em que o esporte já era bem mais profissional. Ele disse entender quem coloca o Fedor na frente, mas acha o americano subestimado.
Contra o Jon Jones, ele ainda apostava no Jones, que considera o maior de todos os tempos. Mas lembrou que o Jones vinha em declínio nos meio-pesados e que parecia lento na estreia entre os pesados. O Werdum discordou só do título de maior peso-pesado, sem esconder que a dúvida dele fica entre o Miocic e o Fedor.
Charles do Bronx e Makhachev de novo
A luta que mais rendeu foi a revanche entre Charles do Bronx e Islam Makhachev, marcada para 21 de outubro em Abu Dhabi. O Laerte colocou o russo como favorito, mas disse que o caminho do Charles é a luta em pé. Para ele, o erro da primeira luta foi entrar sem distância, no fim do segundo round, e dar espaço para o russo derrubar e finalizar.
“Eles não estão ali para dar espetáculo, eles estão ali para serem eficientes.”
Laerte Viana, no Podcast Nem Me Viu · 3:01:52
O Laerte admitiu que talvez fosse mais desejo que certeza, mas a última apresentação do Charles, contra o Beneil Dariush, o impressionou. O Werdum, falando como treinador, disse que o Charles precisa fugir da mão esquerda do russo e controlar a vontade de nocautear num golpe só, porque foi isso que o expôs da primeira vez.
Poatan, Borrachinha e a nova geração
Sobre o Alex Poatan contra o Jiri Prochazka, o Laerte trouxe um levantamento próprio: em 49 minutos de octógono no UFC, o tcheco tentou uma única queda, quando já estava quase nocauteado pelo Glover. Por isso, não acreditava que ele fosse levar o Poatan para o chão. Ele lembrou ainda que o brasileiro podia virar campeão em duas categorias com só sete lutas na organização.
Na luta entre Paulo Borrachinha e Khamzat Chimaev, ele achou as casas de aposta exageradas. Deu leve favoritismo ao checheno porque a ameaça da queda impede o Borrachinha de trocar solto. Também explicou o sambo, a base dos russos, que junta luta em pé, judô e chão.
Quando perguntaram por nomes novos, o Laerte citou o Jailton Malhadinho, o Caio Borralho, o Gabriel Bonfim e a Natália Silva. E contou a história do Diego Lopes, brasileiro que vive no México: aceitou uma luta com cinco dias de aviso contra um russo invicto, perdeu por detalhe e, segundo o Laerte, recebeu do Dana White a bolsa de vitória mesmo assim.
O que o Werdum contou
Quando o assunto chegou ao sparring com o Poatan, o Werdum foi sincero. Disse que o Alex não deixou ele jogar, que passou o tempo todo se defendendo e que, pelo que sentiu, o brasileiro foi a uns 50 ou 60 por cento. Para o Werdum, só o Mirko Cro Cop, com quem treinou de 2004 a 2006, tinha dado aquela mesma sensação.
“Todo o golpe dele é seco, cheio de quina. Tu respira e ele já tá te batendo.”
Fabrício Werdum, no Podcast Nem Me Viu · 2:35:23
Também relembrou a revanche com o Minotauro. Contou que perdeu para ele por pontos no GP do Pride de 2006 e, anos depois, na luta dos treinadores do TUF, venceu pegando o braço. Segundo o Werdum, nem o próprio time acreditava na vitória, porque ele estava fora de forma durante o programa. Só o Rafael Cordeiro e o Babalu sabiam que ia dar.
E ainda sobrou história de bastidor: no Japão, segundo ele, o Pride pagava em dinheiro vivo, com um homem entrando no quarto do hotel com uma maleta cheia de maços de notas. O Werdum disse que perdeu três lutas por nocaute técnico na carreira, duas por ground and pound e uma por chute na coxa, e que nunca pediu para parar.
Como o Laerte chegou até aqui
O Laerte contou que se formou em jornalismo no fim de 2014 pensando em futebol, mas quando voltou ao Brasil, em 2016, foi escrever sobre MMA no site do Superlutas. Em 2017 trabalhou com o Vitor Miranda num produto online que, nas palavras dele, ficou muito rico e não vendeu. Começou a gravar vídeos em 2020 e só em 2021 passou a viver do canal.
A virada, segundo ele, veio em maio de 2021: gravou a entrevista do Werdum meia hora depois de uma luta, ainda de roupa de luta, e no mesmo mês o Charles virou campeão. Uma semana depois, estava na casa do Charles. Mais recentemente, em maio, o canal do Superlutas levou um strike e ele abriu o próprio canal, que no segundo dia já tinha vídeo com 50 mil visualizações.
“Eu devo perguntar o que as pessoas querem ouvir, mas não de qualquer jeito.”
Laerte Viana, no Podcast Nem Me Viu · 1:35:31
Ele disse que uma das entrevistas mais difíceis foi com o Cigano, que vinha de derrotas seguidas e estava perto de sair do UFC. E que o Minotauro, com quem gravou no começo do ano, o tratou com tanta simpatia que passou o WhatsApp e o chamou para jantar. Ele não ligou, de vergonha. Fechei a conversa com a impressão de que o Laerte é um cara que estuda luta a sério e que trata bem até quem ele critica.
Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.