Dos Nossos Podcast · Rangel Farias
Rangel Farias aposta que Poatan nocauteia Jon Jones, e Werdum discorda
O professor de trocação que trabalhou com Alex Pereira e Borrachinha analisou os nomes do UFC no Dos Nossos e recebeu Gilbert Durinho por telefone.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 5 min de leitura
Entrevista completa no canal Dos Nossos Podcast, publicada em 4 jun 2024 (1:23:22).
Se um dia Alex Poatan e Jon Jones se enfrentarem, o Rangel Farias já sabe onde põe o dinheiro: no brasileiro, por nocaute. O Fabrício Werdum torce pelo Poatan, mas acha que o americano leva nos pontos. Essa discussão abriu o episódio do Dos Nossos Podcast com o professor de trocação de Florianópolis, e foi o melhor da conversa.
O Rangel tem escola em Campeche, na ilha, e já trabalhou com gente como o Poatan e o Paulo Borrachinha. O Werdum treina com ele. Os dois passaram boa parte do programa pegando nomes do UFC e analisando um por um. Assisti e gostei do tom: análise de quem está dentro do tatame, sem firula.
“O maior striker que eu já tive a oportunidade de trabalhar.”
Rangel Farias, no Dos Nossos Podcast · 0:15:44
Por que o Rangel vê Poatan em outro planeta
O Rangel contou que esteve em Dubai com o Poatan em fevereiro, junto com alguns nomes do kickboxing do Glory, e que todos andavam para trás na frente dele. Segundo o Rangel, o Poatan não deixa o adversário confortável: ele contragolpeia junto, vai afogando, não dá espaço. E bate com o peso do corpo inteiro na mão.
Numa nota de um a dez em pé, o Rangel deu 20. Disse que ainda não entendeu todos os movimentos dele. No wrestling, o que chama atenção é o quadril pesado: o Poatan levantou de todo mundo que conseguiu levá-lo para baixo, citando o Jamahal Hill e o Blachowicz. No chão, o Rangel acha que ele está evoluindo muito, mas quer ver o brasileiro contra um faixa-preta competidor de grappling.
Sobre a faixa-preta de jiu-jitsu do Poatan, o Werdum defendeu: ele não precisa ser especialista de chão, precisa saber levantar e se defender. O Werdum contou que fazia o mesmo com o Mirko Cro Cop, que queria aprender chão. Primeiro, ensinou a ficar em pé.
“Tudo que a gente tem de conhecimento de alinhamento, de base, onde tu deve pisar, ele tem antídoto.”
Rangel Farias, no Dos Nossos Podcast · 0:20:32
Werdum vê Jones ganhando por pontos
O Werdum abriu a divergência. Para ele, o Jon Jones é um peso-pesado do tamanho dele, muito bom de wrestling e malandro. Imagina o americano testando a trocação no começo e, quando perceber que não dá, levando para o chão, ficando por cima e ganhando por pontos. Ele lembrou que o Gustafsson, com quem também lutou, acertou o Jones em pé.
“Analisar é uma coisa, torcer é outra. Eu torço 100% Poatan.”
Fabrício Werdum, no Dos Nossos Podcast · 0:23:38
O Rangel manteve a aposta. Vê o Jones pesado, em fase ruim de carreira, sem um ciclo bom de treino, e o Poatan focado, com o Glover Teixeira e o Plínio do lado. Na visão dele, a luta termina com o juiz parando o combate depois de uma sequência do Poatan no chão.
Strickland, Borrachinha e McGregor
O Werdum contou que treinou muito com o Sean Strickland e não gosta dele fora do octógono, mas reconhece o lutador. O Rangel descreveu o jab do americano como o mais chato da categoria até 84 quilos: faz o adversário andar para trás e perder poder. Ele não vê o Strickland campeão de novo e aposta em nomes como o Caio Borralho, que para ele é um grappler com trocação absurda.
Sobre o Borrachinha, o Rangel falou com carinho. Disse que é um dos maiores atletas com quem já trabalhou, um cara que precisa ser mandado parar de treinar. O problema, para ele, é o corte de peso: sair de 105 quilos para 84. E o muay thai do Borrachinha é de golpe isolado, ou soca ou chuta, sem combinação e sem queda, mesmo vindo da escola tradicional de jiu-jitsu do Caveirinha.
O Conor McGregor, segundo o Rangel, ensinou todo mundo a fazer show business. O Werdum admitiu que talvez tivesse ganhado mais sendo polêmico. Contou que o UFC o queria mais provocador e que chegou a gravar um documentário, Como Ser um Campeão Sorrindo, que nunca foi lançado.
Durinho ao telefone: a vida sem cortar peso
Quando o Werdum pediu um exemplo de lutador de coração, o Rangel citou o Gilbert Durinho, e o Werdum ligou para ele ao vivo. O Durinho, nos Estados Unidos, disse que estava limpo de lesões e voltando a treinar, com conversa de luta para o fim de agosto.
O Rangel elogiou a subida do Durinho de 70 para 77 quilos, e o próprio lutador explicou a diferença. Na categoria antiga, precisava de sete ou oito semanas para bater o peso e perdia oportunidades. Na nova, aceita luta com duas ou três semanas de aviso. Segundo ele, foi isso que mudou a carreira e a vida financeira da família.
“Vai estar mais forte nos três primeiros minutos, depois vai estar sem energia para lutar.”
Gilbert Burns, no Dos Nossos Podcast · 0:38:43
O Werdum contou ainda que conheceu o Durinho no TUF que teve Wanderlei Silva contra Vitor Belfort. O Durinho estava no time do Vitor, e os dois mantinham distância. Hoje são amigos.
O professor que não quer ser chamado de mestre
O Rangel contou que não gosta de ser chamado de mestre. Para ele, esse título quem dá é o aluno. Também disse que não quer pegar a faixa-preta de jiu-jitsu por conta própria, porque se considera estudioso da luta em pé; se receber, vai ser quando os professores dele decidirem.
Ele lembrou que lutou eventos Storm organizados pelo Rafael Cordeiro, que trocou adversários dele na pesagem, e disse que o Wanderlei encabeçou o espírito da Chute Boxe. Falou também da parada: uma lesão séria na retina, operada a laser, e um joelho fraturado por compressão, tratado com células-tronco. Não pretende voltar a lutar. Quer ensinar.
O que fica da conversa é a leitura de quem vive a trocação por dentro. O Rangel olha para o Poatan e vê alguém que ele mesmo ainda está tentando entender. O Werdum olha para o Jon Jones e vê a malandragem de quem sabe levar a luta para onde quer. A dúvida só se resolve no octógono.
Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.