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Werdum Responde

Werdum admite medo depois de 26 anos de luta e lembra conselho a José Aldo

Num Werdum Responde dividido com a atleta de Muay Thai Maria Vieira, Fabrício Werdum fala de medo, de trash talk, da pesagem e das mulheres no MMA.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 3 min de leitura

Entrevista completa no canal Werdum Responde, publicada em 17 dez 2023 (0:21:51).

Depois de 26 anos de luta, o Fabrício Werdum ainda sente medo. Ele disse isso sem rodeio no Werdum Responde número 18, gravado ao lado da Maria Vieira, atleta de Muay Thai que faz sucesso mostrando a rotina de treinos na internet. A pergunta veio de um jeito simples, e a resposta também.

“Claro que eu tenho medo. Eu tenho medo de perder, de fazer feio, de tomar um nocaute.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:02:06

Assisti ao episódio e gostei que ele não fez pose. Disse que aguenta pancada, mas que não quer cortar o olho nem machucar os dedos do pé. Para quem está começando, como a Maria, que pensa em fazer a primeira luta amadora, o recado dele foi colocar a cara para sentir e ir perdendo o medo aos poucos, sabendo que ele nunca some de vez.

O conselho a José Aldo contra McGregor

O trecho mais interessante para quem gosta de MMA veio de um comentário sobre trash talk. Um seguidor lembrou que provocação funciona com qualquer um num momento vulnerável e citou a primeira luta entre McGregor e José Aldo. O Werdum concordou: para ele, aquela luta foi muito do psicológico, sem tirar o mérito dos dois.

Ele contou que chegou a falar com o Aldo na época. O conselho era não ficar quieto ouvindo as provocações e responder, nem que fosse em português.

“Cada vez que ele falava, o Aldo ficava quieto e ele crescia.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:17:47

Na visão do Werdum, se o lutador deixa o psicológico enfraquecer um pouco, o adversário engole ele, até na pesagem.

A pesagem vale um round

O Werdum explicou que gosta de olhar nos olhos do adversário na pesagem, porque ali dá para ver muita coisa sobre o que o outro está sentindo. Mas lembrou que não existe regra: o Jon Jones, segundo ele, costuma ficar de cabeça baixa e olhar para o chão.

“Dizem que a pesagem pode ser até o primeiro round.”

Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:18:52

Ele também falou de como encarou o último camp. Com luta marcada, treinou todos os dias, mesmo lesionado. Quebrou o dedo do pé, treinou boxe. Machucou a mão, treinou perna. Segundo ele, sem objetivo o treino perde o ritmo, e com luta marcada o foco muda.

Mulheres no MMA e Cris Cyborg

Um seguidor disse preferir as lutas femininas no UFC. O Werdum respondeu que não são as preferidas dele, mas que gosta muito e acha que as mulheres tomaram o espaço delas, com bem menos preconceito que antes. O que mais chama a atenção dele é a agressividade das lutadoras.

Ele citou a Cris Cyborg como um espetáculo e disse que ela é uma amigona. Elogiou também a Norma Dumont, que passou pelo Nem Me Viu: segundo o Werdum, é inteligente, guerreira e continua a mesma pessoa com a câmera ligada, coisa que ele diz não ver sempre no meio da luta.

Luta como defesa pessoal

Quando a Maria contou que começou no Muay Thai pensando em defesa pessoal, o Werdum puxou um assunto que eu repito muito para os meus alunos. Segundo ele, a luta ensina a evitar a briga. Disse que é especialista em acabar com uma situação extrema só na conversa, e que avisou no grupo do condomínio que não vai às reuniões, mas que pode ser chamado se algo grave acontecer.

Ele deixou claro que isso não significa sair batendo em todo mundo. A ideia é dominar a situação, acalmar e chamar a polícia. É o tipo de fala que ajuda a desfazer a imagem de que lutador vive procurando confusão.

No fim, fica um Werdum mais reflexivo do que o de costume: admite o medo, valoriza a cabeça tanto quanto o treino e trata a luta como ferramenta para evitar briga.

Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.