Werdum Responde
Werdum analisa Poatan x Adesanya e revela por que deixou Cro Cop na Croácia
No quinto Werdum Responde, o ex-campeão do UFC comenta a vitória de Alex Poatan, fala da adaptação do jiu-jitsu ao MMA e conta os dois anos que passou na casa de Mirko Cro Cop.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 3 min de leitura
Entrevista completa no canal Werdum Responde, publicada em 19 dez 2022 (0:20:12).
Para o Fabrício Werdum, o Alex Poatan esteve a um ou dois segundos de perder a luta contra o Israel Adesanya. No quinto episódio do Werdum Responde, ele analisou a vitória do brasileiro e explicou o que, na leitura dele, virou o jogo: inteligência para se recuperar sem se entregar.
“Ele tomou uma ruim no final do primeiro round. Se tivesse um ou dois segundos a mais, tinha acabado a luta com certeza.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:10:10
Pressão sem gastar energia
Segundo o Werdum, o Poatan sentiu muito o golpe e não se recuperou por completo na volta para o segundo round. O que ele achou brilhante foi a resposta: o Poatan manteve a distância e botou pressão no adversário, mas quase sem bater, para não se cansar enquanto ainda se recuperava. Daí veio a virada que impressionou todo mundo.
O Werdum também destacou o corner. O Glover Teixeira falou com o Poatan no intervalo que tinha que ser agora, e, segundo o Werdum, até o Dana White ficou impressionado com a cena sem entender português, só pela atitude do ex-campeão. Sobre a interrupção, o Werdum achou que o árbitro podia ter deixado um pouco mais. Com dois ou três socos a mais, disse ele, não teria ficado dúvida nenhuma.
Ele lembrou ainda que o Poatan foi o primeiro convidado do podcast Nem Me Viu e disse ali, com cem por cento de certeza, que seria campeão. O Werdum contou que treinou com ele naquela época e sentiu a energia de quem estava no momento certo.
“Eu sei quando o cara tá no momento dele. Realmente ele estava no momento dele.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:04:54
Jiu-jitsu no MMA: quem se adapta melhor
Um seguidor listou o Werdum como o lutador de jiu-jitsu de mais alto nível no MMA, seguido de Demian Maia e Charles Oliveira. O Werdum concordou e lembrou também do Jacaré. Mas fez uma observação: muita gente do jiu-jitsu não consegue se adaptar ao MMA porque falta o sangue nos olhos da luta com soco, chute e joelhada.
Perguntado se é mais difícil o faixa-preta de jiu-jitsu aprender a lutar em pé ou o especialista em muay thai aprender o chão, ele disse que os dois sofrem, mas que o cara do muay thai se adapta melhor ao MMA.
Os dois anos na casa de Mirko Cro Cop
A melhor história do episódio veio daí. O Werdum contou que treinou o Mirko Cro Cop na Croácia e ensinava a ele basicamente a se defender no chão e levantar. O contrato era de três meses, mas ele ficou dois anos morando na casa do Mirko, com casa, carro e 5 mil euros na proposta.
Segundo o Werdum, o Mirko nunca o nocauteou. Um chute na coxa deixou o gaúcho duas ou três semanas sem caminhar direito, mas o croata dizia que nunca bateria na cabeça dele por respeito ao professor de jiu-jitsu. O Werdum contou que viu vários sparrings chegarem e irem embora no mesmo dia.
E o tal mata-leão? O Werdum explicou que foi aquela brincadeira comum no jiu-jitsu: ele estava de costas conversando com um amigo, o Mirko chegou por trás, encaixou, ele bateu e o Mirko saiu dizendo que o tinha finalizado. Segundo o Werdum, não foi rolando e não foi por isso que ele foi embora.
“Eu fui embora porque eu não queria ficar de segundo a vida inteira.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:17:14
A final contra Mário Reis
Para fechar, um seguidor provocou com o velho duelo contra o Mário Reis. O Werdum contou que os dois fizeram a final do absoluto do Gaúcho. Segundo ele, passou a guarda, que vale três pontos, e o Mário encaixou um triângulo invertido, mas ele não bateu, saiu do triângulo e venceu por três pontos.
“Ele pegou o triângulo invertido, mas eu não bati. Eu consegui sair do triângulo dele.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:18:16
Ele ainda lembrou uma lição de casa: a mãe, dona Célia, dizia que quem apanhasse na rua ia apanhar em casa também. O que fica da conversa é a leitura fina de luta de quem viveu o lado de dentro, do corner do Poatan ao quarto do Mirko.
Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.