Werdum Responde
Cotovelada de Tyson Fury em Ngannou: Werdum vê malandragem do boxe
Fabrício Werdum comenta o lance polêmico, fala de trash talk, de Ronda Rousey e chama Wallid Ismail de padrinho por causa do Jungle Fight.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 3 min de leitura
Entrevista completa no canal Werdum Responde, publicada em 14 nov 2023 (0:13:02).
A cotovelada de Tyson Fury em Francis Ngannou virou pergunta no Werdum Responde número 17. Um seguidor escreveu que foi a coisa mais feia que já viu e que tinha sido de propósito. O Fabrício Werdum foi mais cuidadoso, mas não aliviou: disse que é difícil acertar um cotovelo daquele jeito sem querer.
“É uma malandragem do boxe. Faz parte do boxe, não é só ele, vários boxeadores fazem isso também.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:12:03
Assisti ao episódio e gostei da honestidade. Ele avisou que só tinha visto a foto do lance, sem ver o vídeo, e por isso não cravou se foi intencional. Lembrou que o Fury tem muitos anos de boxe e muita experiência. Na leitura dele, o lance não afetou muito a luta, mas poderia ter afetado.
Trash talk tem limite
Outro tema que rendeu foi o trash talk. Para o Werdum, provocar faz parte, mas existe um limite. Ele citou Conor McGregor e Chael Sonnen como gente que soube fazer isso de forma inteligente, sem comprar briga com o mundo inteiro. Do outro lado, pôs Colby Covington: segundo ele, um bom lutador, mas que fala muita besteira e chega a ofender um país.
“Tu vai comprar uma briga com todo mundo. Tu não vai comprar briga só com o cara que tu vai lutar.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:03:43
Quando um seguidor disse que brasileiro que não faz trash talk é otário, porque isso traz dinheiro, o Werdum respondeu com a própria experiência. Contou que tentou provocar uma vez e se deu mal, perdeu a luta, porque aquele personagem não era ele. Para ele, quem quer fazer isso tem que criar o personagem desde o começo e manter. E o principal continua sendo mostrar dentro do octógono o quanto se é bom.
Wallid Ismail, o padrinho
O Werdum aproveitou um comentário sobre o Wallid Ismail para fazer uma homenagem. Ele chama o Wallid de padrinho da luta, porque foi o Wallid quem deu a ele a chance de lutar no Jungle Fight 1 e 2. Segundo o Werdum, o evento já passou de 120 edições e hoje ele próprio trabalha como comentarista do Jungle Fight no canal Combate, depois de muitos anos comentando o UFC em espanhol.
“Não escute quem nunca construiu nada.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:04:46
A frase é do Wallid, e o Werdum disse que leva para a vida. Ele também lembrou a lista de campeões que saíram do Jungle Fight: Lyoto Machida, José Aldo, Poatan, Serginho Moraes, Rafael dos Anjos e Jacaré. E destacou que o Wallid levou o evento para a Globo, logo depois do Altas Horas.
Norma e a beleza de Ronda Rousey
O episódio teve ainda espaço para a lutadora Norma Dumont, que tinha passado pelo podcast Nem Me Viu. O Werdum contou que não a seguia antes, mas que passou a acompanhar depois da conversa, pela personalidade dela. Ele disse ter certeza de que ela vai ser campeã e que ela prometeu voltar ao programa com o cinturão.
Ele aproveitou para deixar um conselho a quem sonha alto. Disse que acredita em jogar o pedido para o universo, mas que isso só funciona para quem corre atrás e faz o negócio acontecer. Para o Werdum, a Norma é assim: guerreira, esforçada e dedicada ao treino.
Sobre a Ronda Rousey, ele concordou com o que a Norma disse no programa: a beleza ajudou muito a Ronda a puxar o MMA feminino. Mas fez questão de lembrar que a Ronda era muito boa lutadora, com judô e chão excelentes, e finalizou várias adversárias. Para ele, beleza sozinha não basta, tem que ser boa primeiro.
O que fica é um Werdum menos polêmico do que o título sugere. Ele desconfia da cotovelada, mas não acusa sem ver o vídeo. E, no meio dos comentários, ainda paga uma dívida antiga com quem abriu a porta para ele no Jungle Fight.
Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.