Werdum Responde
Werdum sobre Popó falando de MMA: cada um tem que ficar na sua área
Fabrício Werdum concorda com crítica a Popó, lembra o chute que deu num técnico depois de lutar com Travis Browne e defende Wallid Ismail e a capoeira.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 3 min de leitura
Entrevista completa no canal Werdum Responde, publicada em 28 ago 2023 (0:14:25).
Um seguidor mandou a provocação e o Fabrício Werdum não fugiu: Popó falando de MMA seria como o Werdum falando de boxe. No Werdum Responde número 14, ele concordou na hora. Cada um fala com propriedade do que fez a vida inteira.
“Eu conheço o boxe, mas eu não tenho propriedade. O cara fez a vida inteira isso.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:11:41
Assisti ao episódio e gostei que ele usou o próprio exemplo antes de apontar o dedo para alguém. E o exemplo que ele escolheu foi uma das cenas mais comentadas da carreira dele.
O técnico que queria mandar em tudo
Para ilustrar o que é falar do que não se domina, o Werdum lembrou do técnico da Ronda Rousey, que também treinava o Travis Browne. Segundo o Werdum, era um treinador que entendia de boxe, mas queria meter a mão em tudo, no jiu-jitsu e no wrestling, sem ter conhecimento para isso.
Ele contou que, depois da luta com o Travis Browne, esse técnico veio xingá-lo ainda no calor da luta e levou um chute. O Werdum admitiu que não se deve fazer isso e disse que fez sem querer.
“Ele veio falar comigo, me xingar quente da luta. Não se deve fazer isso, mas eu fiz sem querer.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:11:41
Na visão dele, a lição vale para todo mundo: cada um na sua área. O Popó de boxe entende como poucos, e é aí que a palavra dele pesa.
Wallid Ismail e o Jungle Fight
Outro comentário chamou o Wallid Ismail de um dos divisores de água entre o vale-tudo e o MMA de hoje. O Werdum concordou e disse que considera o Wallid um atleta de vale-tudo, de bastante nome, com lutas no Pride. E contou uma que deixou todo mundo rindo: o Wallid levou o Arnold Schwarzenegger ao Jungle Fight.
“Tu levou o Arnold Schwarzenegger no Jungle Fight. Tem que respeitar.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:02:03
Segundo o Werdum, a lista de quem saiu do Jungle Fight para o mundo é enorme, e ele citou José Aldo e Rafael dos Anjos como exemplos. Para ele, o Wallid é um cara diferenciado.
O Werdum contou que mandou mensagem para o Wallid dizendo que ele tinha que pagar cachê ao Arnold, e o Wallid respondeu, brincando, que quase cobrou. Para o Werdum, essa capacidade de fazer o evento acontecer e trazer gente grande para perto da luta explica por que o nome do Wallid pesa tanto.
Capoeira dá agilidade e malandragem
O episódio teve ainda uma defesa firme da capoeira. Um seguidor disse que o capoeirista tenta ser músico, dançarino e lutador e não faz bem nenhuma das três coisas. O Werdum respondeu que o comentarista não entende nada.
Segundo ele, o capoeirista é versátil, toca berimbau, canta, tem uma malandragem no bom sentido e sabe entrar e sair da distância longa para a curta com uma mandinga e uma destreza corporal que só a capoeira trabalha. Ele lembrou que muita gente boa do mundo da luta começou na capoeira.
Na avaliação dele, quem vem da capoeira chega à luta com agilidade e boa leitura de distância. Ele deu nota zero para o comentário e pediu para valorizar a capoeira.
“Tem muita gente boa no mundo da luta que começou na capoeira.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:05:58
O Werdum contou que chegou a fazer um pouco de capoeira, mas quem levou a sério foi o irmão dele, que passou a vida inteira na Abadá e tem o apelido de Urso. Na conversa também apareceu o Mestre Camisa, o mestre carioca à frente do grupo.
É um episódio curto, entre brincadeiras sobre o quadro Dos Nossos ou Cu de Cachorro, mas com um recado claro do Werdum: respeitar a especialidade de cada um, seja no boxe, no MMA ou na roda de capoeira.
Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.