Werdum Responde
Werdum garante que finaliza Ngannou e sonha com a luta na Arena do Grêmio
Fabrício Werdum responde a quem duvida dele, fala da negociação na PFL, de Lyoto Machida, Royce Gracie e da briga antiga com Conor McGregor.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · · 4 min de leitura
Entrevista completa no canal Werdum Responde, publicada em 16 mai 2023 (0:22:02).
O Fabrício Werdum tem certeza de que finaliza Francis Ngannou. No Werdum Responde número 10, ele respondeu a um seguidor que o chamou de piada por dizer que pegaria o Jon Jones no jiu-jitsu, e acabou falando do plano que tem para voltar a lutar: enfrentar o Ngannou no Brasil, numa arena lotada.
“Bem treinado, dedicando 100% na luta, eu consigo pegar ele e mais uma vez eu vou chocar o mundo, como aconteceu em 2010.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:15:37
O 2010 da frase é a vitória sobre o Fedor Emelianenko. Assisti ao episódio e a confiança dele impressiona. Ele reconhece que o Ngannou é especialista em pé, muito forte e muito potente, e que numa luta de boxe não teria chance. Mas, no MMA completo, garante que pega.
Quem duvida alimenta
O comentário que puxou o assunto dizia que o Werdum ganhou do Fedor por sorte, que perderia se lutassem mais dez vezes e que nem está no hall da fama. Ele respondeu sem se irritar. Disse que ter vários títulos não garante vaga no hall da fama e lembrou que o Wanderlei Silva também não está lá.
Para o Werdum, a dúvida dos outros vira combustível. Ele lembrou que também duvidaram dele antes das lutas com o Fedor, com Cain Velasquez e com o Minotauro.
“As pessoas duvidam de mim, isso me dá mais força para treinar, para me dedicar.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:13:34
E deixou uma alfinetada: se for para escutar alguém, prefere escutar o Joe Rogan, que segundo ele já o chamou de o maior pesadelo de todos os tempos.
PFL, Arena do Grêmio e 60 mil pessoas
O Werdum contou que a volta tem a ver com a cabeça. Segundo ele, os dois anos parado foram muito importantes, porque antes estava de saco cheio de luta, sem vontade nem de ir à academia. Agora, depois de 60 dias de treino, diz estar confiante e bem fisicamente.
Ele contou que foi chamado ao Rio de Janeiro para ser anunciado oficialmente como embaixador da PFL no Brasil. Ainda não tinha fechado contrato para lutar, mas disse que a organização concordou com a ideia dele. E revelou onde quer que a luta aconteça.
“Eu quero que seja em Porto Alegre, na Arena do Grêmio. Eu tenho certeza que eu boto 60 mil pessoas lá.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:15:37
A ideia, segundo ele, é bater o próprio recorde de público, que foi de 45 mil pessoas em Curitiba. Sobre o Ngannou, o Werdum comentou que outras ligas não fecharam com ele e que se fala num pedido de 20 milhões de dólares. Ele pediu que as pessoas entendam que esse valor cobriria um contrato inteiro, com várias lutas.
Lyoto, Royce e a época de ouro
A conversa passou por gente que o Werdum admira. O Lyoto Machida, segundo ele, é um gentleman, inteligente e engraçado sem querer, com um único defeito: pergunta demais. O Werdum contou que levou o Lyoto à casa do Royce Gracie e ele passou o tempo todo fazendo perguntas, até querer saber o que o Royce faria depois que eles fossem embora.
Sobre o Royce, o Werdum disse que o esporte deve muito a ele e aos pioneiros. Para ele, todo mundo hoje consegue ter uma vida melhor na luta por causa deles. Também lembrou uma fase que considera mais forte do MMA brasileiro do que a atual, quando ele, José Aldo e Rafael dos Anjos foram campeões ao mesmo tempo, com Cris Cyborg, Anderson Silva e Shogun em alta.
Um fã elogiou a homenagem ao Marco Ruas no podcast Nem Me Viu. O Werdum disse que o Marco foi um dos mais importantes do mundo da luta e pouca gente valoriza. Contou que pediu a amigos como Rafael Cordeiro e Wanderlei que mandassem mensagens, e que o Marco, um cara durão, chorou no episódio.
A briga com McGregor que virou respeito
O Werdum também contou que não gostava do Conor McGregor na época da rivalidade com o José Aldo, porque estava do lado do Aldo. Segundo ele, no Fighters Awards, que chama de Oscar da luta, o McGregor usou o discurso de premiação para xingá-lo, por causa de uma montagem que o Werdum tinha postado no Instagram.
“Em vez de agradecer a premiação, ele me xingou no Oscar. Eu me lembro direitinho.”
Fabrício Werdum, no Werdum Responde · 0:05:51
Hoje, disse o Werdum, ele vê o irlandês como alguém muito inteligente, que sabe provocar o adversário sem faltar com respeito ao país inteiro. Disse o mesmo do Chael Sonnen, de quem também não gostava e que, segundo ele, fala muito bem dele.
Por fim, a um seguidor que disse que ele é lutador e não treinador, o Werdum respondeu que é as duas coisas: dá seminários pelo mundo, já esteve no corner de vários atletas e é faixa-preta no assunto. O que fica do episódio é isso: um Werdum que ainda quer uma última luta grande, e que usa cada dúvida como treino.
Este artigo é um relato próprio da entrevista. As falas são de quem as disse e estão ligadas ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.