Pergunta
Como começou o jiu-jitsu feminino? A história contada por elas
Das filhas de Carlos Gracie, que aprendiam só defesa pessoal, às academias abertas só para mulheres.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 3 min de leitura
Resposta curta
Pelas entrevistas, as mulheres treinam desde o começo, mas por muito tempo só a defesa pessoal. Segundo Reila Gracie, as filhas de Carlos aprendiam sem competir, porque a competição era coisa de homem. Kyra Gracie contou que os tios mandaram ela parar aos 15 anos, e ela virou a primeira mulher da família a pegar a faixa-preta.
Quando eu comecei a treinar, era raro ver mulher no tatame. Lendo as entrevistas, entendi que isso vem de longe. As mulheres estão no jiu-jitsu desde a primeira academia, mas por décadas ficaram de fora das competições e, muitas vezes, até do treino.
Defesa pessoal, sem competição
A Kyra Gracie contou que os bisavós, Carlos e Hélio Gracie, já davam aula para mulheres nas décadas de 1930 e 1950. A Reila Gracie, filha de Carlos, explica como era: as filhas dele eram estimuladas a aprender jiu-jitsu como defesa pessoal, sem competir, porque a competição era masculina.
A Reila contou até um caso da tia Helena, que aprendeu defesa pessoal com o Carlos. Um homem abordou ela na rua, ela derrubou, aplicou uma chave de braço e chamou a polícia.
Isso não é para mulher
Na geração seguinte, a coisa piorou. A Kyra contou que a mãe treinava, chegou à faixa-azul e tinha muita habilidade, mas parou no dia em que um tio chegou à academia, onde ela era a única mulher, e disse que aquele seria o último treino dela. A Kyra, faixa-amarela, pôde continuar porque acharam que era brincadeira de criança.
“Mulher na família Gracie, eles não incentivavam em nada.”
Kyra Gracie, no Connect Cast · 0:02:38 · ler o artigo
Aos 15 anos, faixa-azul, depois de lutar um Pan-Americano fora do Brasil, ela ouviu dos tios que devia parar.
“Eles falaram: não quero mais você no jiu-jitsu, já tá bom, porque isso não é para mulher.”
Kyra Gracie, no Pura Connection · 0:24:19 · ler o artigo
Ela seguiu com o incentivo da mãe. Depois que os tios viram que era sério, passaram a ajudar, e o primeiro emprego dela quem deu foi o Renzo Gracie, numa turma feminina em Nova York. A Kyra foi campeã mundial pela primeira vez aos 19 anos e diz ter sido a primeira mulher a conquistar a faixa-preta dentro da família Gracie. Mesmo assim, contou que no primeiro seminário que deu, fora do Brasil, apareceram duas pessoas, porque ninguém queria aprender com uma mulher.
As pioneiras fora da família
Fora dos Gracie, as histórias se repetem. O Wendell Alexander, da Nova União, começou criança levado pela tia, Bartira, que treinava numa época em que quase não havia mulheres no tatame. O Ricardo De La Riva contou que começou a dar aula aos 18 anos, faixa-azul, ajudando o Carlson com as crianças e com uma turma feminina.
A Ana Maria Índia contou que no primeiro campeonato era a única mulher da caravana e recusou ficar numa casa separada dos homens. Em Salvador, disseram a ela que mulher não podia treinar porque ia desconcentrar os homens. Ela treinou mesmo assim.
“Do tatame para dentro todo mundo é soldado. Eu não sou mulher lá dentro.”
Ana Maria Índia, no Pura Connection · 1:19:23 · ler o artigo
O Gigi Paiva acredita que ele e a mulher, Daniela, campeões mundiais em 1999 e 2000, foram o primeiro casal campeão mundial de jiu-jitsu.
O tatame só delas
O passo mais recente foram os espaços só para mulheres. A Cesalina Gracie, neta de Carlos, lembra que era sempre a única menina no tatame e que levou anos para ter coragem de abrir um espaço só para elas. Segundo ela, a Kyra contou que teve mais medo de abrir a academia feminina no Rio do que de qualquer luta. A Ana Rodrigues tem uma regra simples: primeira aula de mulher tem que ser com mulher.
O Pedro Sauer lembra de uma frase do Hélio, em Los Angeles, em 1990: o jiu-jitsu ia dominar o mundo no dia em que qualquer mulher na rua soubesse dizer o que ele era. Pelas entrevistas, esse dia está chegando por causa delas.
O que foi contado
Segundo Kyra Gracie, os bisavós Carlos e Hélio Gracie davam aula para mulheres nas décadas de 1930 e 1950.
Com Carlos Gracie, Hélio GracieContado por Kyra Gracie no Pura Connection · 0:15:46 · ler o artigoSegundo Reila Gracie, a tia Helena, que aprendeu defesa pessoal com Carlos, derrubou um homem que a abordou na rua, aplicou uma chave de braço e chamou a polícia.
Com Carlos GracieContado por Reila Gracie no Connect Cast · 0:31:27 · ler o artigoSegundo Reila Gracie, as filhas de Carlos eram estimuladas a aprender jiu-jitsu como defesa pessoal, sem competir, porque a competição era masculina.
Com Carlos GracieContado por Reila Gracie no Connect Cast · 0:32:00 · ler o artigoSegundo Kyra Gracie, as mulheres não eram incentivadas no jiu-jitsu da família Gracie. A mãe dela chegou à faixa azul e teve que parar; Kyra, então faixa amarela, pôde continuar porque acharam que era brincadeira de criança.
Contado por Kyra Gracie no Connect Cast · 0:02:38 · ler o artigoSegundo Kyra Gracie, quando ela tinha 15 anos e era faixa-azul, depois de lutar um Pan-Americano fora do Brasil, os tios disseram que ela devia parar de treinar jiu-jitsu porque aquilo não era para mulher.
Com Renzo Gracie, Ralph Gracie, Ryan GracieContado por Kyra Gracie no Pura Connection · 0:24:19 · ler o artigoKyra Gracie contou que a mãe treinava jiu-jitsu e tinha muita habilidade, mas parou quando um tio chegou à academia, onde ela era a única mulher, e disse que aquele seria o último treino dela.
Contado por Kyra Gracie no Pura Connection · 0:25:22 · ler o artigoSegundo Kyra Gracie, depois que os tios viram que ela seguia a sério, passaram a incentivá-la e a dar aula, e o primeiro emprego dela foi Renzo Gracie quem deu, em Nova York, quando ela era faixa-marrom.
Com Kyra GracieContado por Kyra Gracie no Pura Connection · 0:25:53 · ler o artigoSegundo Kyra Gracie, no primeiro seminário que deu, fora do Brasil, apareceram só duas pessoas, porque ninguém queria aprender com uma mulher.
Contado por Kyra Gracie no Pura Connection · 0:29:30 · ler o artigoSegundo Kyra Gracie, ela foi campeã mundial pela primeira vez aos 19 anos e, desde atleta, teve assessoria de imprensa, indo a programas como Hebe Camargo, Jô Soares e Altas Horas.
Contado por Kyra Gracie no Connect Cast · 0:30:49 · ler o artigoKyra Gracie afirmou ter sido a primeira mulher a conquistar a faixa-preta dentro da família Gracie, num ambiente em que as mulheres não eram incentivadas a continuar na luta.
Contado por Kyra Gracie no Pura Connection · 1:39:50 · ler o artigoSegundo Wendell Alexander, ele começou no jiu-jitsu com 5 ou 6 anos, levado pela tia, Bartira, que praticava a luta numa época em que quase não havia mulheres treinando.
Contado por Wendell Alexander no Connect Cast · 0:02:41 · ler o artigoSegundo Ricardo De La Riva, ele começou a dar aula aos 18 anos, faixa-azul, ajudando Carlson com as crianças e com uma turma feminina.
Com Carlson GracieContado por Ricardo De La Riva no Pura Connection · 0:18:17 · ler o artigoSegundo a Índia, o campeonato mais importante da vida dela foi o primeiro, em Passos de Minas, onde era a única mulher da caravana e recusou ficar numa casa separada dos homens da equipe.
Contado por Ana Maria Índia no Pura Connection · 0:29:58 · ler o artigoSegundo a Índia, na única academia de luta sem kimono e wrestling de Salvador disseram que mulher não podia treinar porque ia desconcentrar os homens; ela treinou mesmo assim.
Contado por Ana Maria Índia no Pura Connection · 0:47:41 · ler o artigoSegundo Gigi Paiva, ele foi campeão mundial em 1999 e sua mulher, Daniela, em 2000, e ele acredita que foram o primeiro casal campeão mundial de jiu-jitsu.
Contado por Alexandre Paiva no Pura Connection · 0:18:31 · ler o artigoSegundo Cesalina Gracie, ela levou anos para ter coragem de criar um espaço só para mulheres. Na época da entrevista, contava quatro anos trabalhando só com meninas e mulheres, com uma psicóloga ajudando a desenvolver a metodologia.
Contado por Cesalina Gracie no Pura Connection · 0:15:53 · ler o artigoSegundo Cesalina Gracie, Kyra Gracie, oito vezes campeã mundial, contou que teve mais medo de abrir a academia só para mulheres no Rio do que de qualquer luta que já fez.
Com Cesalina GracieContado por Cesalina Gracie no Pura Connection · 0:44:00 · ler o artigoSegundo Pedro Sauer, em 1990 Hélio Gracie disse a ele em Los Angeles que o jiu-jitsu ia dominar o mundo no dia em que qualquer mulher na rua soubesse dizer o que era.
Com Pedro SauerContado por Pedro Sauer no Connect Cast · 0:21:10 · ler o artigo
Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.