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Pergunta

De onde veio a fama de pitboy do jiu-jitsu?

O boom dos anos 1990, as brigas em festa e quem tentou limpar a imagem da luta.

Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 3 min de leitura

Resposta curta

Pelas entrevistas, a fama nasceu no boom dos anos 1990 no Rio. Segundo Sylvio Behring, o jiu-jitsu cresceu rápido, muita gente ensinava sem preparo e havia briga em toda festa. A imprensa passou a tratar as academias como fábrica de pitboy, e só depois de campanhas e da profissionalização a imagem mudou.

Quem treina há muito tempo já ouviu a piada do pitboy. Eu queria entender de onde isso veio, e nas entrevistas o assunto aparece de vários lados: quem viveu a época, quem sofreu com ela e quem tentou consertar.

Antes do boom

Briga de rua sempre esteve por perto. O Sérgio Malibu contou que o Rolls Gracie dizia aos alunos, nas sextas e sábados, que eles estavam preparados para o fim de semana, porque o jiu-jitsu ainda era pouco conhecido e as brigas com outros lutadores aconteciam em festas e na praia. A diferença é que, até ali, era coisa de um grupo pequeno.

Os anos 1990

O Sylvio Behring é o que melhor descreve a virada. Segundo ele, nos anos 1990 veio o grande boom e junto veio a banalização: muita gente ensinando sem preparo e briga em toda festa. Ele diz que era o freio de mão da turma, e que por muito tempo o jiu-jitsu perdeu credibilidade para dar aula a crianças. O Celsinho Venícius lembra que, nessa década, o jiu-jitsu dominou a Barra da Tijuca a ponto de não haver academia de outra arte marcial no bairro.

O Pedro Valente chama esse período de o pior momento. Ele contou que as notícias saíam todo dia no jornal e que o Hélio Gracie, chocado, foi ao programa do Faustão condenar as brigas e reclamar que os agressores eram sempre chamados de lutadores de jiu-jitsu.

“Na década de 90 nós tivemos uma experiência muito ruim com o jiu-jitsu no Rio de Janeiro.”

Pedro Valente, no Connect Cast · 1:30:46 · ler o artigo

Quem competia sentiu o peso. O Saulo Ribeiro disse que pegou a pior época, a dos pit boys, quando o esporte ainda não era organizado e as rivalidades entre academias eram muito fortes. A Kyra Gracie contou que o jiu-jitsu ficou mal falado por causa das brigas em festa e que ela se sentiu um peixe fora d'água. O Celsinho quase largou tudo: ganhava na faixa-azul, ninguém queria patrocinar, e o esporte vivia a fase do pitboy.

Quem culpa quem

Aqui as versões mudam de tom. O Álvaro Barreto critica a época em que se passou a vender o jiu-jitsu como coisa de pitbull e diz que orelha estourada é acidente de percurso, nunca troféu. Para ele, a ideia de arte suave foi deturpada.

“Alguém inventou essa história que tinha que ter um pitbull. Nada disso, arte suave.”

Álvaro Barreto, no Pura Connection · 0:28:07 · ler o artigo

O Sylvio aponta outro culpado: segundo ele, o pior foi que os professores da época se calaram. Já o Alex Atala, que viveu os anos 90 em São Paulo, vê um lado positivo. Para ele, a figura do pitboy marcou a cidade, mas ajudou a popularizar a luta, e hoje a imagem é outra.

A fama chegou até quem estava fora do Rio. A Ana Maria Índia contou que, quando largou a faculdade para treinar, a mãe achava que jiu-jitsu era coisa de marginal.

A reação

O Rommel Cardozo, filho do dono do Bar do Osvaldo, na Barra, contou que em 2004 a Rede Globo tratava o jiu-jitsu como fábrica de pitboy. Ele convocou uma manifestação na praia, o Rio pela Paz, e apareceram 400 pessoas, incluindo Minotauro e Wanderlei Silva.

“Eu convoquei aquela manifestação em 2004 para dizer que o jiu-jitsu não era fábrica de pitboy.”

Rommel Cardozo, no Pura Connection · 0:44:39 · ler o artigo

Depois vieram os programas para crianças, as academias familiares e a profissionalização, histórias que aparecem em jiu-jitsu ajuda crianças e autistas? e em jiu-jitsu funciona na rua?. Pelo que eu li, a fama de pitboy ficou como lembrança de uma década que ninguém quer repetir.

O que foi contado

Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.