Pergunta
Dá para viver de jiu-jitsu? O que contam os professores
De quando ninguém vivia de dar aula até professor que fatura em dólar e academia com 22 pessoas vivendo do tatame.
Por Gabriel Guimarães, faixa-preta e professor de jiu-jitsu · atualizado em 30 set 2026 · 3 min de leitura
Resposta curta
Hoje dá, e o caminho quase sempre passa pela sala de aula. Pinduca contou que nos anos 1970 ninguém vivia de dar aula de jiu-jitsu. Fábio Gurgel decidiu viver disso aos 15 e virou referência em gestão de academia. Rodrigo Cavaca diz que nunca ganhou prêmio para lutar e hoje tem 22 pessoas vivendo só do jiu-jitsu na escola dele.
Todo faixa-preta já pensou nisso pelo menos uma vez. Nas entrevistas que eu li, a resposta mudou muito com o tempo. Antes, quase ninguém vivia do jiu-jitsu. Hoje tem gente vivendo bem, e o caminho que aparece em quase todas as conversas é a sala de aula.
Quando ninguém vivia disso
O Pinduca contou que se formou em educação física em 1978 e, no ano seguinte, abriu uma academia de ginástica e musculação, que era como ganhava dinheiro, porque ninguém vivia de dar aula de jiu-jitsu. O Royler Gracie lembra que foi um dos primeiros atletas com patrocínio, numa época em que o pagamento era um calção e uma camisa.
A dúvida atravessou gerações. O Viktor Doria pegou a faixa-preta em 1999, quando estava para ser efetivado numa multinacional, e escolheu a carreira de executivo porque o jiu-jitsu não dava futuro financeiro. A Kyra Gracie, de dentro da família mais famosa do esporte, ouviu o mesmo quando disse que queria ser professora.
“Quando eu falei isso, a família ficou assim: você tá louca, você nunca vai ganhar dinheiro com isso.”
Kyra Gracie, no Pura Connection · 0:07:59 · ler o artigo
Quem apostou tudo
O Fábio Gurgel respondeu ao pai aos 15 anos que ia viver de jiu-jitsu. O pai avisou que o mercado era pequeno e que ele teria de ser muito bom para se destacar.
“Eu sei exatamente o dia que eu decidi viver de jiu-jitsu: 15 anos de idade.”
Fábio Gurgel, no Pura Connection · 0:07:28 · ler o artigo
Ele contou que via a geração à frente da dele sumindo sem conseguir viver do esporte, e que isso o levou a estudar gestão. Depois criou um curso chamado justamente Viver de Jiu-Jitsu. Outros largaram carreiras seguras: o Ricardo Libório saiu do Banco do Brasil aos 28 anos e aplicou o fundo de garantia no jiu-jitsu, e o Saulo Ribeiro largou a advocacia aos 22.
O dinheiro está na aula
O Rodrigo Cavaca é o exemplo mais direto. Ele disse que nunca recebeu dinheiro para lutar nem por conquista e que é contra prêmio em dinheiro nos campeonatos, porque a falta dele o obrigou a aprender a ser professor, empresário e líder. Voltou dos Estados Unidos com a meta de viver só do jiu-jitsu no Brasil e ensinar outros a fazer o mesmo. Hoje, segundo ele, tem duas unidades com 22 pessoas vivendo só do jiu-jitsu. O Cavaca também contou que o Buchecha, depois de parar de lutar, ganha em dois seminários o valor do prêmio de um GP da IBJJF.
Fora do Brasil, os números impressionam. O Rayron Gracie disse que há professores em Nova York ganhando mais de 15 mil dólares por mês e que donos de academia pelo mundo apontam a falta de instrutores como o maior problema. O Sérgio Bolão contou que quase desistiu nos primeiros meses nos Estados Unidos e, em um ano, tinha 50 alunos pagando 150 dólares. O Relson Gracie começou no Havaí dando aula numa garagem por 1.500 dólares por mês, para uma turma de dez pessoas.
O que as entrevistas ensinam
Juntando tudo, a lição é que medalha sozinha raramente paga as contas. Quem vive bem do jiu-jitsu aprendeu a dar aula, cuidar de aluno e administrar academia. O Hélio Gracie, segundo o Pedro Valente, dizia que a melhor profissão do mundo é a de professor de jiu-jitsu. Se a sua dúvida é sobre diploma para ensinar, veja professor de jiu-jitsu precisa de CREF?.
O que foi contado
Segundo Fernando Pinduka, ele se formou em educação física em 1978 e abriu uma academia de ginástica e musculação em 1979, que era como ganhava dinheiro, já que ninguém vivia de dar aula de jiu-jitsu.
Contado por Pinduca no Connect Cast · 0:16:33 · ler o artigoRoyler Gracie contou que foi um dos primeiros atletas de jiu-jitsu a ter patrocínio, junto com Rickson, numa época em que o pagamento era um calção e uma camisa.
Com Rickson GracieContado por Royler Gracie no Connect Cast · 0:17:46 · ler o artigoSegundo Viktor Doria, ele recebeu a faixa-preta em 1999, quando acabava de se formar na faculdade e estava para ser efetivado na Nabisco, e escolheu a carreira de executivo porque o jiu-jitsu não dava futuro financeiro.
Contado por Viktor Doria no Pura Connection · 0:05:15 · ler o artigoSegundo Kyra Gracie, quando disse que queria ser professora de jiu-jitsu, a família reagiu dizendo que ela estava louca e nunca ganharia dinheiro com isso.
Contado por Kyra Gracie no Pura Connection · 0:07:59 · ler o artigoSegundo Fábio Gurgel, aos 15 anos ele respondeu ao pai que ia viver de jiu-jitsu; o pai avisou que o mercado era pequeno e que ele teria de ser bom o bastante para se destacar.
Contado por Fábio Gurgel no Pura Connection · 0:07:28 · ler o artigoSegundo Fábio Gurgel, ele sempre observou as gerações à frente da dele, como a de Peixotinho, e percebeu que muitos desses lutadores foram sumindo sem conseguir viver de jiu-jitsu.
Com PeixotinhoContado por Fábio Gurgel no Pura Connection · 0:59:22 · ler o artigoSegundo Fábio Gurgel, o curso Viver de Jiu-Jitsu passou a ser online por sugestão do amigo faixa-preta Beto Terror, e depois veio o Tatame Negócio, um curso mais profundo de gestão de academia.
Contado por Fábio Gurgel no Pura Connection · 1:06:09 · ler o artigoRicardo Libório contou que, aos 28 anos e sem filhos, largou o emprego estável no Banco do Brasil para viver de jiu-jitsu, e aplicou o fundo de garantia no esporte.
Contado por Ricardo Libório no Pura Connection · 0:25:24 · ler o artigoSaulo Ribeiro contou que aos 22 anos decidiu largar a carreira de advogado para viver do jiu-jitsu, porque no tatame sentia um poder de decisão mais palpável.
Contado por Saulo Ribeiro no Pura Connection · 0:19:30 · ler o artigoRodrigo Cavaca disse que nunca recebeu dinheiro para lutar nem por conquistas, é contra a premiação em dinheiro nos campeonatos e se considera o maior apoiador da IBJJF, porque a falta de prêmio o obrigou a aprender a ser professor, empresário e líder.
Contado por Rodrigo Cavaca no Pura Connection · 1:00:50 · ler o artigoSegundo Rodrigo Cavaca, ele voltou dos Estados Unidos com o objetivo de viver só do jiu-jitsu no Brasil e depois ensinar outros a fazer o mesmo. Há quase quatro anos responde gratuitamente perguntas de professores no Instagram todos os dias.
Contado por Rodrigo Cavaca no Pura Connection · 1:10:12 · ler o artigoSegundo Rodrigo Cavaca, ele não dá mais aula em grupo, só particular. Tem duas unidades abertas das 5h30 às 21h30, com 22 pessoas vivendo só do jiu-jitsu, e planeja ter cinco unidades próprias em São Paulo nos próximos três ou quatro anos, com professores formados por ele virando sócios.
Contado por Rodrigo Cavaca no Pura Connection · 1:24:21 · ler o artigoSegundo Rodrigo Cavaca, Buchecha ganha em dois seminários, depois de parar de lutar, o valor do prêmio do GP da IBJJF.
Com Rodrigo CavacaContado por Rodrigo Cavaca no Pura Connection · 1:16:58 · ler o artigoRayron Gracie disse que há professores de jiu-jitsu em Nova York que ganham mais de 15 mil dólares por mês e que donos de academias pelo mundo apontam a falta de instrutores como seu maior problema.
Contado por Rayron Gracie no Pura Connection · 0:32:20 · ler o artigoSegundo Sérgio Bolão, ele morou no subúrbio da Filadélfia de 2002 a 2004; quase desistiu nos três primeiros meses e, em um ano, chegou a 50 alunos pagando 150 dólares.
Contado por Sérgio Bolão no Connect Cast · 0:07:47 · ler o artigoRelson Gracie contou que foi para o Havaí a convite de um amigo, o Carlão, que pagava 1.500 dólares por mês para ele dar aula num tatame montado na garagem e cozinhar para ele. A turma começou com 10 pessoas.
Contado por Relson Gracie no Pura Connection · 0:04:59 · ler o artigoSegundo Pedro Valente, Hélio Gracie dizia que a melhor profissão do mundo é a de professor de jiu-jitsu e que quem trabalha pelo que ganha não vale o que recebe.
Contado por Pedro Valente no Pura Connection · 1:30:07 · ler o artigo
Esta página junta o que foi dito em várias entrevistas. Cada afirmação é de quem a disse e leva ao minuto do vídeo. Viu algum erro? Peça a correção.